LOUVEIRA: Câmara aborda tema de exploração sexual infantil em palestra

Um tema difícil, que provoca sensações físicas e emocionais fortes e que infelizmente ainda persiste na sociedade atual: a exploração sexual de crianças e adolescentes, suas causas e ações para combatê-las foram discutidas na noite desta segunda-feira, 3, no plenário da Câmara de LOUVEIRA, com a participação da professora Dra. Ana Paula Barbosa.

O presidente da Casa, vereador Laércio Neris (PTB), o vice-presidente Caetano (PTB), a primeira-dama Marlene Matos, a secretária municipal de Educação, Juliana Euzébio, e a conselheira tutelar Fernanda Oliveira fizeram parte da Mesa de Trabalhos.

A palestra, promovida pelo gabinete do vereador Caetano, busca construir o início de um diálogo entre sociedade e autoridades constituídas, alertando a comunidade sobre a necessidade de se discutir e prevenir o abuso e a exploração sexual. “Espero que esta noite seja o início de um trabalho que deve ser construído em conjunto, com todas as forças, em defesa das maiores vítimas, que são as crianças e adolescentes”, comentou a conselheira Fernanda.

A secretária de Educação lembrou o papel fundamental da escola na prevenção desses crimes. “Todos os profissionais da Educação podem colaborar na prevenção, pois, muitas vezes, a escola é o único refúgio da vítima. Devemos estar preparados para reconhecer os sinais de que uma criança possa estar sofrendo abuso”, comentou Juliana.

O vereador Laércio, autor da Lei 2610/2018, que institui o Programa de Conscientização e Combate ao Abuso Sexual e à Violência contra Crianças e Adolescentes em LOUVEIRA, afirmou que “infelizmente as estatísticas são alarmantes no Brasil, que registrou aumento de mais de 80% nas notificações sobre a violência sexual contra menores”.

Em outra abordagem do tema, o vereador Caetano explicou que a iniciativa de se fazer o evento foi o de lançar uma luz de esperança num trabalho conjunto envolvendo os poderes constituídos e representados, unindo o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, os Conselhos e a comunidade. “Temos que lutar e denunciar todo e qualquer tipo de abuso ou violência contra as crianças e adolescentes”, citou o vereador, lembrando que o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (18 de maio) foi instituído na data da morte da menina Araceli Crespo, assassinada de forma violenta e cujo crime nunca foi completamente solucionado.

 

A palestra: a professora Ana Paula demonstrou as razões históricas que envolvem o assunto “violência”, incentivando que a melhor maneira de se prevenir o abuso infantil é o diálogo franco e aberto. Segundo ela, o aumento no número de casos registrados indica que a sociedade está, cada vez mais, consciente de suas funções. “A violência existe desde sempre. O que aumentou foi o número de denúncias”, afirma. Apesar de triste, esse índice mostra que há mais confiança nas ações de proteção que fazem com que as pessoas denunciem os crimes.

Passando pelo olhar histórico, desde a Idade Média até os dias atuais, a palestrante traçou um panorama das mudanças promovidas na sociedade para a proteção de crianças e adolescentes. Em 2016, no Brasil, houve o registro de 22,9 mil atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que 57% referem-se a crianças de até 14 anos. “Desse número, 6 mil crianças vítimas tinham menos de nove anos”, alarmou.

Dra. Ana Paula também traçou um perfil do abusador que, em sua grande maioria, mantém alguma relação com a vítima. “O abusador é uma pessoa em que a vítima convive, confia e conhece”, explicando que os casos normalmente acontecem no ambiente familiar, escolar ou de convívio social. “Raros são os casos onde o abusador é uma pessoa desconhecida”.

Para prevenir os casos, ela explica que é necessário o diálogo com as crianças, explicando-lhes o limite do corpo, incentivando a conversa e a confiança e não censurando as perguntas, sempre procurando explicar a dúvida. Ela defende, também, a educação sexual numa linguagem adequada à faixa etária da criança, explicando os nomes corretos das partes do corpo, incluindo as partes íntimas. “Para combater o abuso, só com a Educação, o Cuidado e a Informação”, resumiu.

Ao final do evento, o público, composto por aproximadamente 70 pessoas, fez perguntas em relação ao tema. Para o cidadão fazer denúncias, basta telefonar para o número 100, serviço que funciona todos os dias, 24 horas por dia. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer telefone, fixo ou celular.

Autor: Geraldo Maia 62

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