LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Será que eu também vou reclamar?

LOUVEIRA para mim é tudo de bom, mesmo que nem tudo esteja ou possa ser classificado como bom, pois existem situações que não considero como boas, pelo menos para mim. Nesta segunda passada, chegava eu faceiro de uma viagem que fizera até Camanducaia, e, após deixar uma amiga no Jardim Juliana, rumei direto para a minha casa, via Av. Ricieri Chiquetto, mas, este “mas” depois da vírgula quase sempre é problema, e desta vez também foi. A rua estava fechada, sem aviso prévio, apenas estava fechada, mas só se percebia depois de uns bons metros, bem medidos e corridos que havia uma máquina escavadeira caída dentro de um buraco.

Bem, chegando ao ponto onde havia o impedimento, fiz a manobra e retornei, e vi muitos carros que teriam que fazer o mesmo, pois assim como eu, teriam que voltar ao chegar ao ponto que eu chegara. Como no trânsito sempre ando de bom humor, ri de mim e de todos e pensei, pois, acredito eu, sempre pensamos, diante de uma situação inusitada, o quanto cada um se estressaria ou não ao ter que fazer a mesma manobra. Ri mais ainda, já voltando.

Como já disse, LOUVEIRA não me dá muita chance para reclamar, ao contrário de tanta gente que reclama de tudo, acredito até que algumas pessoas torcem para que as coisas deem erradas, só para terem do que reclamar. Continuo rindo muito. Eu entendo que para se realizar obras exista a necessidade de fechar um ponto aqui, outro ali, mas um cartaz, uma placa indicando que mais a frente não terei como seguir, ajudaria muito, se bem que muitas vezes não acreditamos em placas. Continuo rindo muito, diria até que parecia aos que me vissem, um bobão, confirmei essa impressão me olhando no retrovisor.

Minha cara me fez repensar, e, repensando descobri que posso reclamar de algumas coisas sim, reclamação sem rancor, claro. Poderia reclamar do atendimento sem marcação de consulta que percebi quando um funcionário da prefeitura foi atendido pelo oftalmologista, poxa, estou na fila há uns dois anos, pensei. Dos carros que estacionam em frente ao meu portão todos os dias, e, que por pura graça um dia desses dei um litro de leite para um motorista, rindo muito, como prêmio, com a frase feita de que presentearia quem estivesse estacionado em frente ao meu portão naquele dia e horário. Foi hilário e, ele pegou o litro de leite meio no susto, senti tanta pena que não fotografei. Tem uma amiga minha que trabalha no bairro da Capela, em VINHEDO, que reclama que aos finais de semana e feriados os horários de ônibus são muito reduzidos, neste ponto da conversa sempre citamos as autoridades que não andam de ônibus e por isso não se importam, ou pior, desconhecem.

Nossa! Sou um privilegiado aqui em LOUVEIRA, pois tenho tão pouco para reclamar. Ando pelas ruas sem medo, dirijo meu carro dentro da lei, embora também cometa erros, sou um cidadão dentro de um padrão de boa qualidade. Também percebo que não compartilho notícias falsas, como tenho notado em alguns amigos tão queridos que compartilham, mas, de novo o “mas”, tenho certeza absoluta de que estamos melhorando como seres humanos e, assim como uma obra impede o meu transitar, uma notícia falsa compartilhada é apenas um transtorno momentâneo na vida deste meu amigo ou amiga que compartilhou essa notícia. O problema é que uma notícia falsa atrasará muito mais a vida dele, e o tempo tem me mostrado isso. Cada um tem o seu tempo de aprendizado e eu, com certeza, tenho o meu. Simbora Gente…canta Raul.

Trilha Sonora / Eu Também Vou Reclamar / Raul Seixas

 

Autor: Geraldo Maia 62

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