LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

36 + 36 = ?

Este vão, entre o ponto em que o personagem se encontrava e o cesto de lixo, me fez perceber que as vezes em determinadas situações, para se mostrar que é educado, são necessários uns setenta e dois passos, para se chegar em um cesto lixo e voltar ao local de onde saiu com o lixo na mão. Aconteceu no carnaval aqui em LOUVEIRA bem em frente aos meus olhos, entre outros gestos, este especificamente demonstrou que não é o carnaval que nos faz mal educados, mas sim que a falta de educação está em nós ou não, em nosso cotidiano. Essa pessoa, a que andou todos esses passos para jogar o lixo num local apropriado, com certeza faz isso em toda situação que exija esse tipo de ação e, pelo que conheço, embora pouco, dá para se perceber que toda a família é assim.

Em um tempo que se discute, ou se briga para se ter razão, uma atitude educada rebate de forma categórica qualquer argumento feito no grito para se ter a tão almejada razão. LOUVEIRA de forma geral é uma cidade onde se vive de forma pacífica, com uma educação bem aflorada na maioria dos que aqui vivem, e percebi isso justamente na festa e no desfile de carnaval onde famílias inteiras compostas por pessoas de idades diferentes até enfrentaram a chuva para prestigiar essa festa tão bonita. Gostei de ver, de participar, e até de tomar chuva, bem fraquinha se comparada aos que desfilaram antes da minha escola, minha no sentido carinhoso do termo. Foi tudo lindo.

Será que deveremos dar setenta vezes esses setenta e dois passos para nos sentirmos educados? Acredito que a maioria, da qual faço parte, ainda esteja na primeira leva de passos, os trinta e seis, mas que com persistência e observação dos bons exemplos, sem melindres, conseguirá já para o próximo Carnaval galgar mais alguns passos com a naturalidade dos que já fazem isso com espontaneidade. LOUVEIRA nos permite isso. Assim como te permite ficar curioso em relação à pessoa citada anonimamente como a autora dessa atitude eloquente, se não pelo ato, que deveria ser comum a todos nós, mas pela distância entre o ato e o gesto de colocar o lixo num local apropriado.

Como as nossas atitudes afetam a vida dos outros, então sempre caberá a cada um de nós, diferentemente de um autor de novela que pode mudar os personagens de acordo com o ibope, tomar uma atitude mais condizente com o que pregamos, caso ajamos de forma contrária, ao que pregamos, nosso ibope entre os que pensam cairá muito. Se bem que têm situações na vida real que as novelas ou os programas de entretenimento não representam, pois ultrapassam a imaginação de qualquer criador de ficção. Sendo a televisão aberta uma concessão pública, nem todos os conteúdos são apropriados para determinado público, cabendo ao presidente – CEO – da emissora ser o primeiro a usar o bom senso no que se refere à grade de programação, pois sua responsabilidade perante ao que é público é de extrema relevância. Sempre acreditei que censura seja uma coisa e responsabilidade seja outra, dentro da Lei tudo é permitido e, é para isso que existem as regulamentações.

Trilha Sonora / Folia de Rei (Andar, andei) / Baiano e Os Novos Caetanos

Autor: Geraldo Maia 62

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