LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

De lá pra cá

O cotidiano de uma estação ferroviária em qualquer parte do mundo civilizado deveria ser um burburinho,num vai e vem de trens e pessoas, em várias direções, cada um traçando o roteiro da sua viagem, seja ela longa, média ou curta, pois para quem sabe aproveitar o tempo, cada viagem pode se tornar um passeio incrível. Em LOUVEIRA já vivi isso, nos tempos da Litorina viajava muito até SÃOPAULO e CAMPINAS, e era tão bom, uma viagem em velocidade média com paisagens deslumbrantes, pelo menos para mim que via como mágicas essas viagens.

Da estação de VALINHOS, não me lembro bem, mas a de VINHEDO que eu também não me lembrava, está em plena decadência e me chamou a atenção dentro daquela cidade tão linda, essa feiura tão exposta, símbolo tão forte para corroborar com a história que se inicia na década de 60, época em que as linhas férreas foram perdendo a vez para os automóveis e a década de 70 quando a Transamazônica começou a ser construída a qualquer preço, inclusive monetário. A partir daí fomos perdendo a passos largos a nossa malha ferroviária e cedendo espaço, esse espaço precioso, para os veículos que apesar de toda a sua capacidade de locomoção, reduziram o número em relação ao número muito superior, seja de pessoas ou cargas que um trem possa transportar, sem falar na poluição do nosso ar pela emissão dos gases tóxicos, emitidos por esses veículos.

LOUVEIRA revitalizou a Estação Ferroviária propriamente dita e me parece, pelo que ouço por aí, que todos os prédios que compõem o conjunto ferroviário serão restaurados, e se usarem a mesma maestria nesses prédios adjacentes, o resultado será de excelência como o da estação. Já em VINHEDO, a estação ferroviária, até a presente data, continua abandonada pelo poder público, muito feia, e mesmo assim, por incrível que pareça exerce uma atração sobre os que ao lado dela passam, pois conversando com algumas pessoas da cidade vizinha, todas disseram que admiram o local que, aliás,apesar de feio, rendeu lindas fotos para a minha coleção.

Coincidentemente pelo som do carro eu ouvia Elis Regina cantando “Cartomante”, música que o meu pai, “Seu Zé Juca”, gostava muito, e tudo me veio à memória num turbilhão de pensamentos, evidenciando como tudo poderia ser mudado para melhor nessa nossa região que é tão rica em todos os sentidos. Mas para contradizer a mim mesmo, revivi muitas cenas de falta de educação aqui na nossa LOUVEIRA, fato que não pode ser considerado como normal no nosso cotidiano. Dirigir se tornou para mim uma coisa legal, pois é justamente enquanto estou dirigindo que ouço as músicas que mais gosto, penso nas coisas boas da vida, nas pessoas que me são caras e no meu comportamento como cidadão em relação às demais pessoas que compõem a população da nossa cidade. Aí não tem jeito, sorrio muito, e dá uma vontade de gritar “como sou feliz aqui em LOUVEIRA”. Na verdade, não passo vontade, e, na maioria das vezes grito.

Trilha Sonora / Cartomante / Elis Regina

Autor: Geraldo Maia 62

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