LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Quintal ao fundo

Acredito que toda casa deveria ou pelo menos gostaria de manter um quintal sem asfalto, com terra mesmo. Aquela que suja o pé e que muitas mães se arrepiam quando veem os filhos, outros membros da família ou mesmo uma pessoa convidada chegar, pois se está seco há a poeira e, se molhado, o barro. Mas independente disso, a maioria delas recebem as pessoas de maneira feliz, e, quando não, disfarçam de alguma forma a expressão do rosto, por pura educação. Mas com os familiares, quase nunca disfarçam e, pelo que já observei, há familiares que agem com o propósito de afrontar, quando não limpam os pés. Penso que aquele tapete medonho “Seja Bem-Vindo, Mas Limpe Os Pés”, muitas vezes causam o efeito contrário.

Na minha opinião, um quintal muito limpo é bonito, mas sem dúvida, a mim, não me parece tão feliz. Em LOUVEIRA, existem muitos quintais que podem ser chamados de terreiro, puxado, varanda, espaço ao ar livre, espaço fechado, e por aí vai; o que importa é que este seja aproveitado pelos que os frequentam, de que forma for. Pode-se fazer um churrasco com truco, uma piscina, árvores frutíferas, flores e principalmente, animais. Pois um espaço será sempre de suma importância para a saúde e bem-estar desses animais. Vejo muitos animais, residentes ou visitantes, neste quintal do registro fotográfico.

Hoje com os drones seria muito mais fácil verificar quantos quintais, de fato, existem em LOUVEIRA, uma coisa aparentemente inútil se olhado à primeira vista, mas se for bem esmiuçado, se verificaria o que existe hoje de área livre e o que existirá daqui há dez anos, outra coisa aparentemente inútil, daquelas que rimos só de pensar. Na verdade, tudo tem a sua utilidade! Gosto de ficar no meu quintal, pois para mim é um lugar onde me sinto muito à vontade, onde sou mais honesto comigo mesmo, onde saio com aquela blusa toda esquálida, a cara sem lavar, o moleton surradinho e rio de mim mesmo. Afago os animais, fotografo as plantas, coloco quirera para os pássaros, jogo resto de comida para as minhocas, colho os frutos que plantei e observo as flores: não gosto delas em vasos.

LOUVEIRA, graças a Deus não é o quintal, no mal sentido, de nenhuma outra cidade e sim, por ainda preservar muitas áreas verdes, pode ser um quintal aprazível para os seus próprios moradores e visitantes. É agradável andar por essa cidade, observar, parar para registrar, falar bem, fazer críticas se forem necessárias, mas sempre mantendo uma visão da beleza que é, e existe neste lugar. Concluo que, cada pessoa terá a sua definição do que seja um quintal e, mais ainda, cada um possa de maneira democrática ter a escolha de morar num local que tenha ou não um quintal. Eu cá comigo, adoro o meu quintal.

Trilha Sonora / O Portão / Roberto Carlos

Autor: Geraldo Maia 62

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