REGIÃO: Jovens trocam salário por empresa própria

Erick Rolf em uma de suas palestras

A tendência atual entre os jovens que estão ou procuram estar no mercado de trabalho é ficar pouco tempo no emprego em busca de melhor valorização e salários compatíveis com a formação cada vez mais aprimorada onde se investe em pós-graduações, mestrados, doutorado e pós-doutorado, mas não se obtém comumente uma remuneração à altura do investido ou um cargo que proporcione realização material aliada à realização profissional e pessoal.

Para falar um pouco sobre esse novo conceito de relações trabalhistas, a reportagem da FOLHA NOTÍCIAS esteve conversando com exclusividade com o jovem empreendedor, Erick Rolf, que a exemplo de muitos colegas deixou o emprego formal e foram investir na construção de sua própria empresa, a Erick Rolf Desenvolvimento Pessoal, que funciona em VINHEDO, e em vários outros municípios da Região Administrativa de Campinas, fronteira de Minas Gerais e Região da Grande São Paulo. “Tenho 25 anos, e estive empregado em três multinacionais alemães. Minha formação é em administração de empresas, mas resolvi romper com essa modalidade de trabalho, ser empregado, para montar uma empresa própria.  Os nossos pais criaram um caminho onde o que faltou para eles, agora querem facilitar para nós. As novas gerações aceleraram esse processo para conseguir mais cedo o que os pais demoraram um pouco mais para conseguir”, avalia Erick Rolf, que reside em LOUVEIRA.

CURRÍCULO DEMAIS

Erick conta que o mercado das multinacionais também mudou. “Mas as empresas também mudaram e tenho alguns conhecidos na faixa dos 25 a 30 anos de idade que fizeram pós, mestrado e doutorado, mas não conseguem se colocar no mercado de trabalho porque não têm experiência e maturidade, m as tem um currículo incrível, e isso gera um desapontamento muito grande para a empresa que fica dividida na hora de contratar entre pagar pelo currículo ou pagar pela experiência. E as pessoas continuam investindo nos estudos porque não conseguem entrar no mercado de trabalho”, observa Rolf, que complementa: “Eu mesmo já vivi a experiência de uma empresa me ligar me dispensando por ter apresentado um currículo muito bom e perguntando se eu poderia indicar alguém com um currículo de nível mais baixo devido o salário baixo. Por outro lado muitas empresas possuem profissionais de altíssima qualidade que muitas vezes não são valorizados pela dedicação e nem pelo investimento feito pelo funcionário. Pessoas que se dedicam à empresa além do que seja saudável, e isso não é reconhecido da forma esperada gerando uma constante mudança de emprego porque a realização pessoal passa a ser mais importante que o dinheiro”, revela Erick.

REALIZAÇÃO PESSOAL

Sobre os ganhos, o jovem empreendedor pondera. “Realmente, o dinheiro não é mais o fator principal motivação das pessoas, o que importa mais é o desenvolvimento pessoal, a possibilidade de crescimento como pessoa e a qualidade de tempo, relacionado com poder mudar os horários, haja vista que a pessoa passa o tempo de radiação solar em um ambiente fechado, desconectado do tempo, o tempo todo na empresa, e quando chega em casa é com o frio da noite, com o cansaço, é com essa condição que vai se relacionar com a família ou consigo mesmo”, aponta.

Segundo ele, por esse e outros motivos, muitos jovens que estão no mercado de trabalho começam a perceber que é bem melhor fazer uma viagem na hora que quiser do que ter uma casa de um milhão de reais. “Os jovens hoje tem outra mentalidade. Querem viajar porque viajar é viver, experimentar novas realidades, enquanto a casa é estática, material, morta. Daí a opção pelo empreendedorismo, de montar sua própria empresa. E através do empreendedorismo muitos conseguem realizar esse objetivo, ou acabam buscando outros empregos ou buscando conhecimento para dar o novo passo em direção aos novos interesses”.

CAPACITAR EMOCIONALMENTE

Sobre o trabalho que exerce em sua empresa, Erick esclarece que o mesmo é voltado para o desenvolvimento da capacidade emocional das pessoas, porque a maioria das limitações passa pela capacidade emocional, o medo ou a coragem para enfrentar novos desafios, e não só com relação ao emprego, mas também na relação com a família, amigos, colegas, cônjuge, ou mesmo falar em público, um dos medos que mais afligem as pessoas. Tem aqueles com determinados objetivos, mas se sabotam emocionalmente e preferem não ousar para conseguir os novos objetivos e sair da zona de conforto. Nosso trabalho é trazer mais consciência em vários níveis para desenvolver o emocional das pessoas. Para isso utilizamos a programação neurolinguística, o coaching, barra de acess, um combo de várias ferramentas utilizadas para se conseguir o fortalecimento emocional”.

ESCRAVIDÃO DE LUXO

Erick comenta que percebeu possuir uma capacidade nata para ajudar as pessoas, e a partir dessa consciência começou a se capacitar ainda mais no sentido desse novo objetivo. “Mas hoje as pessoas possuem várias possibilidades reais de desenvolverem uma atividade prazerosa em vários campos, tem a internet, tem o uber, tem as formas de trabalho compartilhado, como fazemos aqui, várias pessoas alugam uma sala para ser usada por todas em horários determinados segundo as necessidades de cada um, e esse conceito de partilha se estende pelo mundo todo. Enquanto que a opção de ‘carreira eterna’ não funciona tanto hoje em dia. Pessoas com 25 anos de empresa e a empresa não consegue esperar cinco anos para aposentar o funcionário que volta ao mercado de trabalho em uma condição altamente desvantajosa. O que existe muito é a “escravidão de luxo””.

NOVAS PROFISSÕES

Para Erick, o conhecimento não é vinculado à formação. Há uma disponibilidade muito grande de livros on line, em bibliotecas públicas, cursos gratuitos, com os quais a pessoa consegue se capacitar para realizar determinado objetivo, realizar um trabalho rentável como fazem os youtubbers, os bloggers, milhares de novas profissões são criadas a todo instante. Ter uma atuação remunerada é mais importante que uma carreira, não precisa de uma carreira, mas prestar vários serviços à sociedade, cozinhar, fazer artesanato, cantar, dançar, fazer maquiagem, atuar como estilista, depiladores, trabalhar no transporte compartilhado, no coworking, etc. Enquanto que o mercado é saturado por milhares de advogados, engenheiros, e outras profissões. A única que ainda não saturou o mercado é a medicina, já que temos um déficit muito grande de médicos.

Para Erick, “a realização é individual, os padrões são individuais, tentamos influenciar as novas gerações no sentido que o estudo vai levar ao sucesso, mas as pessoas têm focado em uma só profissão e esquecem as outras áreas da vida, o lazer, o prazer, o ócio, a vida saudável, o alimento saudável, as relações saudáveis, é uma busca interna no meio externo, e essa mudança deve estar a serviço de sua própria satisfação, sua liberdade, sua independência, e não só do ego, do egoísmo. Empreender é preciso porque a ação prática vale mais que milhões de palavras. Oferecer o que você é, e não o que pensam que você seja. E oferecer a si mesmo apenas é o máximo, não tem preço”, filosofa.

EU SOL

Confirmando a tendência atual para o empreendedorismo entre os jovens profissionais atuando no mercado, os amigos Felipe Puppim e Luiz Paulo Pereira largaram o trabalho formal  para criarem sua própria empresa, no caso a Eu SOL , que trabalha com energia solar fotovoltaica. Conversamos com os amigos e sócios sobre o que levou a ambos deixar o emprego fixo e investir no próprio negócio.

Os jovens da ‘Eu So’ em trabalho de energia solar

Para Felipe Puppim, 28, que é engenheiro civil, “nós sempre tivemos a idéia de abrir o próprio negócio construindo o próprio sonho, e nos enxergamos na energia solar, algo que une dois grandes sonhos: construir o próprio negócio e o tipo de legado que deixaríamos para o futuro, e a energia solar tem como raiz a sustentabilidade, a energia limpa, com uma fonte de energia inesgotável que é o sol. E atuar com uma possibilidade ganho financeiro porque a energia solar reduz em 95% a conta de energia elétrica e da manutenção do planeta”.

Puppim acrescenta que a energia solar tem muito de engenharia, além de ser um nicho novo do mercado que cresce junto com a engenharia. “Acima de tudo é a minha grande paixão. O setor fotovoltaico apresenta essa possibilidade de unir a engenharia com a sustentabilidade. E ao conhecer mais o sistema fotovoltaico deu para nós o momento de girar a chave, de empreender o sonho de forma sustentável, fazer mais ainda, ampliar o conceito de sustentabilidade”.

A empresa Eu SOL foi criada em dezembro de 2016. Então começamos a buscar cursos para entender esse mercado durante onze meses de preparação, e em outubro abrimos a empresa, primeiro em São Paulo, e logo a seguir em VINHEDO e LOUVEIRA onde moram, Felipe em LOUVEIRA e Luiz em VINHEDO. Atuam também na RMC, divisa de Minas Gerais e grande São Paulo. Já Luiz Paulo (27) começou na faculdade de administração, a qual trabalha com a nação de empreendedorismo, e desde o início fez algum projeto no assunto e logo após sair da faculdade trabalhou em banco, consultoria e empresa familiar. “Eu e o Felipe conversamos sobre o fotovoltaico a partir de uma matéria em um site na internet e continuamos nos respectivos empregos até termos certeza de que essa seria a carreira na qual iríamos investir. E a partir da noção de sustentabilidade ficou mais fácil decidir, e o fotovoltaico trouxe para nós a certeza de que era o caminho no qual nos jogamos de cabeça. Tanto, que agora estamos ensinando às pessoas o que é fotovoltaico, a diferença entre aquecedor solar e o uso da energia fotovoltaica, são duas coisas bem diferentes, aquecedor solar esquenta apenas a água, energia solar fotovoltaica fornece energia elétrica para a casa toda, geladeira, fogão, máquina de lavar, iluminação, etc. inclusive água quente. Portanto, a economia na conta de luz chega a 95% e dura 23 anos, com um retorno de médio (três anos) e longo prazo (5 anos)”, explica Luiz Paulo.

ÍNDICE DE INSOLAÇÃO

Luiz Paulo conta que a saída de São Paulo foi por causa do grande número de prédios com uma pequena área de insolação para uma demanda de energia muito grande. Em VINHEDO ocorre o contrário com as casas onde o índice de insolação (área onde o sol incide por m2) é altíssimo comparado com São Paulo. E em VINHEDO chove pouco, o que também contribui para ampliar o índice de insolação da cidade. “Na Europa (Alemanha, por exemplo), a legislação foi criada para obrigar aos construtores a colocarem energia fotovoltaica nas casas e prédio recém construídos. Hoje, o mercado da energia fotovoltaica é muito promissor, e o Brasil tem um dos maiores índices de isolação (espaço onde a luz solar incide por metro quadrado) do mundo”, comemoram os dois jovens empreendedores.

 

Erick faz vídeos motivacionais nas redes sociais

Autor: Julliano Gasparini

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