VINHEDO: SOS faz 20 anos levando esperança e vida para dependentes químicos

Trabalhar na prevenção e recuperação de dependentes químicos e seus familiares ainda não é muito bem vista pela sociedade. Mesmo assim, no próximo dia 18 de outubro, a Ong SOS Esperança e Vida, fundada em 18 de outubro de 1997 no município de VINHEDO, com o propósito de ajudar pessoas envolvidas com uso de álcool e outras drogas, estará comemorando 20 anos de trabalho junto ao usuário compulsivo de substâncias psicoativas (drogas) que se encontra em vulnerabilidade social, psicológica e financeira acarretando imenso prejuízo para si, sua saúde mental, física, emocional e espiritual, e para a sua família, amigos, trabalho, e as demais relações com a comunidade onde vive.
A reportagem da FOLHA NOTÍCIAS esteve na sede da SOS, que fica na Praça Santana, 66, no Centro de VINHEDO, conversando com a administradora geral e financeira, Ivete Ferreira, que explicou como é o funcionamento da entidade, seu público-alvo, seus produtos, valores e princípios, equipe técnica, e as mudanças sofridas pela entidade ao longo desses 20 anos.

MAIOR QUALIDADE
Entrei para a SOS em fevereiro de 2007. Mas as pessoas que fundaram não se encontram mais presentes. A situação administrativa naquela época não estava nada boa, então o Conselho de Assistência Social de VINHEDO, do qual eu fazia parte, e como sou administradora, me pediu para dar uma ajuda. Aceitei, e desde esse dia não saí mais daqui. A coisa estava um tanto amadora e resolvemos profissionalizar a gestão e o atendimento técnico procurando os profissionais de maior qualidade em cada área. Hoje, nós temos oito funcionários, eu sou voluntária, tem um psicólogo que é prestador de serviço, dois administradores, um serviço geral, dois técnicos em dependência química, uma assistente social, todos os funcionários pagos são contratados pela CLT”, esclarece Ivete.

ANAMNESE
A SOS, segundo Ivete Ferreira, recebe pessoas de várias formas, vindas do CRAS, do CREAS, do Fórum, do Conselho Tutelar e tem a demanda espontânea. Então é feita uma triagem através de uma assistente social que faz o acolhimento da pessoa conversando, motivando, fazendo uma anamnese, conversa sobre o histórico da pessoa e da doença, para conhecer a queixa inicial, como veio para a entidade, se usa álcool e drogas, se o caso se enquadra no trabalho da entidade. O relatório da ‘anamnese’ é apresentado em reunião com a equipe profissional para ver se deve ser encaminhado para outro local, porque se precisar de medicamentos a pessoa não pode ficar haja vista que a SOS só faz tratamento ambulatorial.
Nós aqui trabalhamos com dois grupos: de autoajuda, com um técnico em dependência química, e o grupo de família, com o terapeuta familiar, às segundas e quartas-feiras, os dois grupos no mesmo horário e no mesmo dia. A terapia dura cerca de uma hora e é realizada uma vez por semana, a cada quinze dias, ou duas vezes por semana, depende de cada caso. Existem pessoas que a gente percebe que não conseguem seguir com o tratamento ambulatorial e aí são encaminhadas para as comunidades terapêuticas. Para isso solicitamos a vaga à Prefeitura de VINHEDO via Secretaria Municipal da Saúde”, reconhece Ivete.

SEM LIMITE
Todo o nosso trabalho é ligado à saúde. Recebemos uma subvenção da Prefeitura através da Secretaria da Saúde que cobre 70% das despesas, o restante é coberto por pessoas que contribuem mensalmente, e também fazemos eventos, temos a Nota Paulista e realizamos eventos com a Feavin. Aqui não tem limite de atendimento. São cerca de 120 pessoas atendidas por mês que geram cerca de 600 atendimentos mensais porque o nosso foco é o indivíduo e a família. Mantemos dois profissionais de prontidão por oito horas”, esclarece a gestora Ivete, que ainda fez mais esclarecimentos. “Quanto ao tempo de resposta ao tratamento, depende de como a pessoa se encontra ao procurar atendimento, Uma pessoa que vai obrigada tem um tempo de resposta mais demorado do que a que veio por si mesma. A dependência química é uma doença e nem todo mundo está preparado para ver a dependência como doença e querer se curar. Aqui trabalhamos com os 12 passos para o tratamento da dependência de drogas, álcool e comportamento. Quando o paciente é internado em uma comunidade terapêutica nós fazemos o acompanhamento e a clínica nos envia um relatório. Nós vamos lá fazer o acompanhamento, fazemos um atendimento no local com a pessoa que enviamos. Fazemos também reinserção social, terapia familiar, prevenção de recaída. Avaliamos o estágio emocional do paciente, elaboramos um plano terapêutico personalizado para cada pessoa respeitando suas características e o que desenvolve na vida. Tratamos os fatores de risco e proteção e os componentes de sua história social e estimulamos o paciente a buscar espaços saudáveis para a sua recuperação”, observa Ivete.

HUMANIZADO
Quanto à faixa etária, a SOS trabalha com pessoas a partir dos 14 anos, mas o público maior está na faixa de 20 a 25 anos, a maioria homens, mas tem bastante mulheres. No início o público maior era de adolescentes. Mas mudou a característica das famílias que hoje aceitam mais a realidade dos filhos quanto ao uso de drogas e álcool.
No período de 2004 a 2013, a pedido da secretaria de Assistência Social do Município, a SOS desenvolveu o Projeto Adoles-Ser, que realizava o acompanhamento de adolescentes autores de ato infracional em medida socioeducativa de prestação de serviço a comunidade e liberdade assistida. Nestes 20 anos, a SOS veio buscando o aperfeiçoamento para um acompanhamento cada vez mais qualificado, mas principalmente humanizado, pois este é o grande diferencial da entidade”, avalia.

MEDALHA
Outro fator relevante é o amadurecimento profissional das equipes técnica e administrativa que ao longo desse período se manteve e aprimorou as ferramentas necessárias para o trabalho. A SOS sempre se preocupou em promover eventos que contribuam para a prevenção e tratamento da dependência química, além de criar espaços para discussão do tema. Com isso, em 2003 iniciou-se na entidade a ‘1ª Semana de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas’. Como reconhecimento ao importante trabalho desenvolvido pela SOS a Câmara Municipal de VINHEDO, em 2014, concedeu a honra da Medalha “Ayrton Senna da Silva” à SOS na pessoa da então presidente e gestora Ivete Ferreira. O SOS atua majoritariamente com a população de VINHEDO e de cidades vizinhas.

Autor: Beatriz Cavalli

Compartilhe esta notícia no
468 ad