VINHEDO: PMDB rompe de vez com Governo Jaime

“Encerramos esta semana de vez as negociações com o Governo Jaime”. Foi assim que o empresário e presidente do PMDB vinhedense, João Marcos Lucas, iniciou sua entrevista com a FOLHA NOTÍCIAS. Até a semana passada, a cúpula local do PMDB estava em dúvida se romperia ou não com o atual governo. Porém, reunião realizada no último dia 30, cujas lideranças da legenda decidiram por unanimidade que não mais farão acordo para compor com a Administração e ainda que não vão apoiar Jaime nas eleições de 2016, deu o tom de que o rompimento seria inevitável e foi oficialmente declarado na última sessão da Câmara de Vinhedo, terça-feira, 3, pelo vereador Edu Gelmi.
‘CHEGA DE MILTISMO’
O presidente peemedebista justificou o rompimento alegando que em conversas com o prefeito Jaime Cruz, percebeu que o chefe do Executivo estava muito reticente quanto aceitar a principal reivindicação para manter a aliança: dispensar alguns dos secretários, entre eles o de Governo, José Pedro Cahum, o de Obras, Augusto Braccialli, o da Saúde, José Luís Bernegossi, e ainda do presidente da Sanebavi, Odair Seraphim, o ‘Canjica’, todos com forte ligação com o ex-prefeito vinhedense Milton Serafim. “Queremos oxigenar o Governo e nestas condições, de manter o ‘miltismo’, não ficamos com Jaime. Dessa forma é mais fácil eu torcer para o Palmeiras do que apoiá-lo (João Marcos é corintiano roxo). Mas Jaime escolheu o caminho dele. Vai ficar marcado como ‘velho governo’, como continuísmo de governo”, afirmou o empresário.
RUBENS NUNES CHEGA PARA ‘ENGROSSAR’ CORO NO PMDB
Indagado se daqui a 10 meses, com a proximidade com a eleição, existe a possibilidade de voltar atrás, a resposta foi sucinta; “É quase nula”. A FOLHA vem acompanhando as movimentações do PMDB vinhedense nos últimos meses e está claro que o partido ganhou musculatura política com a filiação de importantes figuras do cenário vinhedense, a última delas a do vereador Rubens Nunes, que pode deixar o PR e ser acolhido pelo PMDB.
EDU GELMI RASGA O VERBO
Foi durante a última sessão da Câmara de VINHEDO, na terça-feira, 3, que o rompimento foi feito oficialmente, no momento de explicação pessoal do vereador peemedebista Edu Gelmi, que já começou anunciando que não daria apartes a nenhum dos colegas e não poupou ninguém, rasgou o verbo contra o Governo Jaime Cruz e o acusou de nepotismo. Citou o ‘miltismo’ e ‘continuísmo’ como causa deste rompimento. Detalhes sobre o seu pronunciamento na reportagem sobre a sessão, na página A16.
JAIME DIZ QUE ESTÁ DE BRAÇOS ABERTOS
O prefeito Jaime Cruz preferiu não polemizar a atitude agressiva com que o PMDB tratou o possível acordo com o seu Governo. “Estamos numa democracia, e gosto de ver esta independência dos partidos. Esse é o verdadeiro sentido da política saudável e coerente. Forçar algo ou impedir que um partido e seus membros tomem suas decisões sem consciência coletiva derruba as teses de um estado democrático de direito. O PMDB está livre para aplicar seus ideais sem que interfira nos demais. Continuo de braços abertos para que eles participem das decisões de nosso Governo. Estou à disposição daqueles que querem ver uma VINHEDO melhor e mais unida”, afirmou o prefeito à FOLHA.
ANA GENEZINI NO PMDB?
A julgar pelas visitas realizadas pelo presidente PMDB João Marcos à Câmara Municipal de VINHEDO nos últimos meses para falar com a vereadora Ana Genezini, que é do PTB de Milton Serafim, a ideia inicial era a de trazer a parlamentar para a legenda, com a promessa de dar a ela a candidatura de vice-prefeita ao lado de Jaime Cruz para o pleito de 2016. Mas algo deu errado no meio do caminho. O empresário não quis comentar sobre esta articulação, porém, afirmou que Ana pode ir para o PMDB, sim.
Já nos bastidores da Câmara, comenta-se a boca miúda que o ex-prefeito Milton Serafim teria garantido a mesma posição, a de candidata à vice-prefeita, para a vereadora, na chapa de Jaime Cruz, mas pelo PTB. Desta forma seria mantida a união das forças políticas sem a presença do PMDB. Ana será obrigada a tomar uma decisão difícil, cheia de prós e contras. “Ainda não tomei nenhuma decisão. Estou aguardando os acontecimentos para ver qual rumo tomarei, se continuo no PTB ou migro para outro”, disse a vereadora à FOLHA, durante a última sessão da Câmara, antes de deixar o plenário. O fato é que, com o rompimento, é preciso aguardar os próximos capítulos. Talvez, quem sabe, Marta Leão entre na mira do partido, uma vez que todas as legendas querem candidato próprio, mas nem todas poderão fazê-lo com propriedade e competência.

















