VALINHOS: Estudantes ameaçam ridicularizar o prefeito de Valinhos caso projeto de transporte seja aprovado

Presentes em massa na segunda sessão ordinária da Câmara Municipal de VALINHOS, realizada terça-feira, 14, às 18h30, os estudantes universitários e da área técnica, inconformados e atentos à votação do projeto apresentado pelo prefeito Orestes Previtale (PMDB) para supostamente resolver o problema do transporte gratuito dos alunos, não deram um minuto de sossego aos vereadores e, principalmente, ao presidente da Casa, vereador Israel Scupenaro (PMDB), que por diversas vezes ameaçou suspender a sessão.

RENDA FAMILIAR
A reportagem da FOLHA NOTÍCIAS foi conversar com os estudantes e ouviu dos mesmos que a Prefeitura alega problemas financeiros para propor o projeto que tira o subsídio de 100% para cada aluno, e coloca uma proposta baseada em renda familiar reduzindo o números de alunos beneficiados com 100% e ampliando a quantidade dos que vão receber apenas 50%.

“Se a Prefeitura tem problemas financeiros, não temos culpa, cabe ao prefeito apresentar respostas para os problemas e não sacrificar ainda mais quem já é sacrificado, porque a Prefeitura tem de onde retirar dinheiro, é só extinguir secretarias, demitir comissionados, entregar os imóveis alugados, promessas que ainda não foram cumpridas, não dar aumento a vereadores, cortar verbas onde o prejuízo para a população será menor. Com essa lei que o prefeito criou vai excluir todo mundo do 100%”, opina Guilherme Palaro, integrante da comissão dos estudantes.

RIDÍCULO
“Todos os alunos já estão com um mês perdendo aula. Os do PROUNI estão trancando matrícula. Essa lei ridícula do prefeito será votada hoje, se for aprovada vai ter protesto atrás de protesto, vamos para as ruas ridicularizar esse prefeito. Outra medida que já se revelou falha é essa coisa de reembolso, o estudante paga e a Prefeitura reembolsa. Até o momento o prefeito não deu garantias de que nós vamos receber o reembolso que está na casa dos R$ 700 mil”, revela Yago Randi, também da comissão dos estudantes.

O seu colega Felipe Palaro garantiu que se o projeto do prefeito for realmente aprovado “vamos pro pau com a Prefeitura. O prefeito não vai ter sossego. Vamos trazer pessoas da região, do estado e do país para que participem junto com a gente das manifestações contra esse absurdo. Vamos mostrar essa coisa ridícula para o mundo todo. Ele (o prefeito) prometeu negociar, mas depois voltou atrás, não cumpriu com a palavra. Ridículo”, dispara Felipe.

APROVADO
Mas a realidade pode às vezes ser muito dura. Tanto que o projeto de lei do Poder Executivo que define critério social para concessão de subsídio ao transporte de estudantes universitários e de escolas técnicas foi aprovado por 10 votos a 5 pela Câmara em primeira discussão nesta sessão, e diante de centenas de estudantes que acompanharam ruidosamente a votação no plenário em quase duas horas de discussão. Mas não obteve unanimidade, o projeto vai passar por uma segunda discussão, provavelmente amanhã, quinta-feira, 16, às 18h30, juntamente com todos os ítens da pauta que não foram apreciados na sessão passada.

REJEITADO
A matéria encaminhada pelo prefeito Orestes Previtale (PMDB), e rejeitada pelos estudantes, prevê que o reembolso total dos gastos de estudantes com transporte só será concedido para quem tem renda familiar per capita de até 6 Unidades Fiscais do Município (UFM), o que equivale a R$ 983,88. Aqueles com renda maior continuarão com o benefício, que poderá ser, de acordo com a faixa salarial, de 90%, 80%, 70%, 60% ou 50%.

O projeto recebeu duas emendas, ambas com parecer contrário da Comissão de Justiça e Redação. Uma delas, de autoria dos vereadores Mauro Penido (PPS), Rodrigo Fagnani Popó, André Amaral e Franklin (todos PSDB), propunha alterar as faixas de renda, aumentando o limite salarial para concessão do benefício e tendo como referência os critérios adotados pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos), do Governo Federal. Mesmo com parecer contrário, os autores da emenda queriam que ela fosse aprovada, o que não ocorreu. “Essa emenda é uma negociação (…) Não podemos resolver o problema da Prefeitura, esquecendo os problemas dos estudantes”, defendeu André Amaral.

NECESSÁRIO
Já o vereador Giba (PMDB) discursou dizendo que era preciso pensar na cidade como um todo e que o projeto era necessário diante da crise financeira. “Nós fomos eleitos para legislar, fiscalizar o prefeito e atender os interesses de todos os moradores dessa cidade: idosos que precisam de remédios, crianças que precisam de creches”, afirmou. Segundo ele, o prefeito precisará do apoio da Câmara e ser austero, “com a adoção de medidas amargas”, que colocarão as finanças em ordem para garantir o desenvolvimento do município.

RETROVISOR
Antes de votar o projeto, o presidente da Câmara, vereador Israel Scupenaro (PMDB), olhando pelo retrovisor, disse que a proposta apresentada seria cumprida pelo prefeito, ao contrário do que aconteceu, segundo ele, no governo passado. “O governo passado ganhou as eleições prometendo 100% para os estudantes e depois quis dar zero (…) Não foi dado [100%] porque ficou quase R$ 700 mil de dívidas para os estudantes”, disse.

PLACAR DE VOTAÇÃO:
A favor do projeto: Giba (PMDB), Dalva Berto (PMDB), Veiga (DEM), Rodrigo Toloi (DEM)), Alécio Cau (PDT), César Rocha (Rede), Mayr (PV), Henrique Conti (PV), Robserson Salame (PMDB) e Edson Secafim (PP).

Contra o projeto: Mauro Penido (PPS), Rodrigo Fagnani Popó (PSDB), Franklin (PSDB), André Amaral (PSDB) e Mônica Morandi (PDT).

 

 

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