REGIÃO: ‘Fernando Costa’ e sua história com VINHEDO e LOUVEIRA
Eternizado em uma das principais ruas do Centro de VINHEDO, a ‘Fernando Costa’ não é um nome conhecido por todos, mas tem sua importância histórica. Poucos vinhedenses sabem quem foi o homem que dá o nome à décima terceira rua aberta no município em 1953. Na via, que leva seu nome, atrás da Matriz Sant’Ana, polêmicas surgiram após mais uma mudança de sentido no trânsito, gerando alguns acidentes. Dos acontecimentos, a curiosidade: Quem é Fernando Costa? A equipe de Redação do jornal FOLHA NOTÍCIAS pesquisou e até achou um monumento à ‘Fernando Costa’, bem no meio da Rodovia que liga VINHEDO à LOUVEIRA.
QUEM FOI FERNANDO COSTA
Nascido na Capital, em São Paulo, no ano de 1886, formou-se engenheiro agrônomo em 1907, indo morar em Pirassununga para exercer sua profissão, e, desde o início, viu-se favorecido pelas boas condições de atuação do ramo agrônomo na economia brasileira. Paralelamente a isso, suas atividades na política o levaram a se tornar o secretário da Agricultura do Governo de Julio Prestes (1927-1930) e, posteriormente, ministro da Agricultura (1938-1941) no Estado Novo.

Fernando Costa
Apenas cinco anos após se estabelecer em Pirassununga, Fernando Costa elegeu-se prefeito. Devido a sucessivas eleições, ficou por 15 anos no cargo, e seu período a frente da cidade é caracterizado por melhorias na infraestrutura do município, bem como a difusão do ensino rural. Buscando remodelar a cidade, investiu na construção de uma rede de águas e esgoto e instalou uma usina hidrelétrica para garantir energia elétrica a toda a cidade. Levantou prédios para a instalação de uma escola normal, uma cadeira pública e também para o fórum de Pirassununga. Ainda conseguiu estabelecer o 2º Regimento da Cavalaria Divisionária no município, fundou um asilo e um orfanato e restaurou a Santa Casa de Misericórdia.
Com todo este conhecimento, decidiu se dedicar ao Estado de São Paulo como deputado estadual. Ao longo de seu mandato, destacou-se pela sua preocupação com as questões agrícolas do Estado, tendo atuado a favor da valorização e da defesa do pequeno agricultor. Para isso, propôs a implementação do crédito agrícola, a revitalização de terras cansadas e a irrigação do solo, visando aumentar a produtividade no campo. Reconhecido como um dos representantes políticos mais notáveis do setor agrícola de São Paulo, foi indicado, em 1927, para chefiar a então nova e autônoma Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio – que, até então, era parte da Secretaria de Viação e Obras Públicas, órgão do qual Fernando Costa fora presidente da comissão na Câmara Estadual. Exercendo o cargo de Secretário da Agricultura de São Paulo durante o governo de Júlio Prestes, até 1930, fez um extenso trabalho de reestruturação de departamentos. A partir da reorganização das diretorias de Agricultura, Indústria e de Terras, Minas e Colonização, transformou-as, respectivamente, nas diretorias do Fomento Agrícola, de Indústria Animal e de Terras e Colonização. Garantiu, ainda, a restruturação do Serviço Meteorológico, do Instituto Agronômico de Campinas e da Escola Veterinária de São Paulo.
Já como Ministro, no Governo de Getúlio Vargas, autorizou o Banco do Brasil a emitir hipotecas por meio da Carteira de Crédito Agrícola. Ainda em seu primeiro ano no cargo, Fernando Costa fez um decreto-lei que organizava o registro, a fiscalização e o assistencialismo às sociedades cooperativas, buscando ajudá-las a crescer de forma mais rápida, e instituiu novos órgãos no seu ministério. Dentre as novas entidades, estavam o Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas, o Departamento Nacional da Produção Vegetal, a Superintendência do Ensino Agrícola e os serviços de Publicidade Agrícola, Economia Rural e Meteorologia.
Em 1939, criou cursos de aperfeiçoamento e especialização no ramo agrícola, inaugurou o Parque Nacional de Iguaçu e o Instituto Agronômico do Norte e instaurou a Comissão de Abastecimento – ao qual, sendo composta por nove representantes de todos os ministérios, possuía a incumbência de fiscalizar a produção e o comércio de bens de primeira necessidade. Em novembro, o Governo do Estado Novo subordinou à pasta da agricultura o Serviço de Proteção aos Índios, que deu origem ao Conselho Nacional de Proteção aos Índios. Ainda em 1939, acompanhou a fundação da União dos Lavradores de Algodão (ULA), em São Paulo, sendo a produção algodoeira, naquele momento, importante para diversificar a agricultura.
No ano seguinte, Fernando Costa aperfeiçoou o Código de Minas , e presidiu a Comissão Nacional do Gasogênio, promovendo a campanha relativa ao combustível. Em março de 1941, inaugurou o Instituto Nacional do Pinho, e, no mesmo ano, baixou um decreto para fundar um núcleo colonial, instituindo a colonização por meio da organização de granjas modelo.
Em 1940, é nomeado interventor federal por Getúlio Vargas, deixa o ministério da Agricultura para se tornar governador de São Paulo.
Ainda no primeiro de seu governo, instituiu a Comissão de Fiscalização dos Preços dos Gêneros Alimentícios de Primeira Necessidade e reorganizou a Secretaria de Segurança Pública, demarcou, na Fazenda Butantã, a área destinada à construção da Cidade Universitária e promoveu a criação da Penitenciária do Estado e do Presídio das Mulheres. No primeiro mês do ano seguinte, iniciou a construção da Escola Prática de Agricultura (EPA), em Ribeirão Preto. Esta fora a primeira de várias outras instituições de ensino do ramo agrícola projetadas por Fernando Costa. Posteriormente, inaugurou escolas rurais também em Bauru, Guaratinguetá, Rio Preto e Pirassununga.
Em 1943, inaugurou a Rodovia Anhanguera, ligando a Capital do Estado à Campinas e criou a Bolsa de Café e Mercadorias de Santos. No mesmo ano, passou situações delicadas com Getúlio Vargas e os cidadãos de São Paulo. Em relação ao primeiro, as manifestações paulistas contra o Estado Novo provocaram ressentimento por parte do presidente contra seu interventor. Já a população se manifestara contra a indicação de Coriolano de Araújo Góis Filho, ex-chefe de polícia no governo de Washington Luís, para comandar a Secretária de Segurança Pública do estado, temendo as medidas repressivas adotadas outrora pelo secretário. Devido às pressões populares, Fernando Costa destituiu Coriolano do cargo.
No último ano de seu governo, em 1945, ingressou no Partido Social Democrático (PSD) para apoiar a campanha do general Eurico Dutra à presidência do Brasil. No mesmo período da campanha do militar, Fernando exonerou-se como interventor para lançar-se novamente candidato ao cargo – dessa vez em pleito democrático, por isso a necessidade da exoneração. No entanto, não chegou a disputar a eleição.
ACIDENTE
Pouco se sabe sobre a morte de Fernando Costa, no entanto, o ex-interventor viera a falecer em um desastre automobilístico na antiga rodovia São Paulo /Campinas, no dia 21 de janeiro de 1946, enquanto se dedicava à sua campanha eleitoral. Alguns livros pesquisados dizem que ele faleceu na Rodovia Anhanguera, como também traz a Wikipédia, na internet. Entretanto, há relatos de que o acidente tenha ocorrido em uma vicinal próxima à Rodovia Anhanguera. O professor e historiador da USP, Alcides Di Paravicini Torres, cita em uma de suas publicações, que Fernando Costa não andava de avião. Tinha o pressentimento de que seria vítima de um acidente. “Em 21 de janeiro de 1946 sofre funesto acidente de automóvel na estrada de rodagem, perto de LOUVEIRA. Sua morte teve grande repercussão e seu enterro foi um dos mais concorridos pela presença de grande número de autoridades, amigos e admiradores. Sim: muitos amigos e admiradores, porque o ‘Interventor Caipira’ soube fazê-los. Foi um homem boníssimo, honesto, generoso, humano, dinâmico, trabalhador incansável, realizador com enorme capacidade de liderança e confiança, com que conseguia apoio irrestrito de seus colaboradores”, diz trecho na biografia de Fernando , escrito pelo historiador.
MONUMENTO
Ainda confundem-se os locais do acidente – Rodovia Anhanguera ou vicinal – e qual vicinal? Mas, é certo de que foi entre LOUVEIRA e VINHEDO. Em nova pesquisa, a equipe de Redação da FOLHA NOTÍCIAS encontrou o ‘mural de amigos ‘ de Fernando, que por sinal, indica a localização de um marco em homenagem ao político no interior de São Paulo. O monumento está no suposto trecho do acidente, na vicinal entre LOUVEIRA e VINHEDO, a Rodovia Vereador Geraldo Dias, quase na divisa de ambos os municípios. A equipe da FOLHA NOTÍCIAS foi até o lugar e encontrou a peça de mármore, que fora encomendada e paga pelos amigos de Fernando Costa. Não se tem informações de qual data a grande placa de pedra foi instalada, mas ela está lá, no que se diz ‘local do acidente’, que vitimou o então interventor do Estado de São Paulo, em 1946, época em que a estrada não era pavimentada. A grande peça de mármore, encravada em um pedestal também de pedra, sustenta a escrita ‘ Fernando Costa – 21 – 1 – 1946 – Homenagem de Seus Amigos’. A escultura está bem conservada, mas nota-se que a vizinhança não tem conhecimento de quem foi o homenageado, pois não há limpeza ou capinação, ao contrário, o entorno do monumento virou um lixão, com entulhos, restos de construção e mato. Como a vegetação cresceu ao longo dos anos, o ‘símbolo de recordação’, como em quase todo monumento, obelisco ou estátua, no Brasil, está esquecido debaixo dos galhos de duas grandes árvores, o que impossibilitada de ser visto ou encontrado.
ESTRADA VINHEDO/LOUVEIRA
A Estrada VINHEDO/LOUVEIRA , como é conhecida a Rodovia Vereador Geraldo Dias, tem uma peculiaridade diferente de outras vicinais. Ela não termina entre uma ou outra cidade, como interligação, e sim cruza as cidades. Há 50 anos isso era perceptível, mas com o crescimento dos centros urbanos e consequentemente dos municípios, o que era uma estrada/rodovia, se transformou em ruas em certos trechos, e assim deixou de existir. Já era uma estrada muito utilizada antes da Rodovia Anhanguera, aliás, que à substituiu por esta razão: a via estava no seu limite nos anos de 1940. Ainda nesta década, para os moradores mais antigos, se chamava Estrada Velha de Campinas (oficialmente denominada SP-332), onde seu trajeto original, por muito tempo, fez a ligação entre a Capital São Paulo e Campinas. Sua construção foi iniciada por Washington Luís, governador de São Paulo de 1920 a 1924, que utilizou presidiários na sua construção, de acordo com uma lei estadual que ele conseguira a aprovação, em 1913, quando era deputado estadual, lei estadual nº 1.406 de 1913.
Hoje, grande parte do seu traçado foi pulverizado por avenidas e ruas das cidades onde passa. Ao longo do trajeto entre a Capital Paulista e a cidade de Campinas, recebe diversos nomes oficiais, como a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em São Paulo, Avenida Antônio Frederico Ozanan, entre Jundiaí e Várzea, Avenida José Niero, em LOUVEIRA, e Rua 9 de Julho e Estrada da Boiada, em VINHEDO e VALINHOS, até a Rodovia Visconde de Porto Seguro, em VALINHOS, tendo sua continuidade por outras avenidas até a chegada em Campinas.
Após a morte de Fernando Costa, houve uma intervenção para que a Rodovia, no trecho entre LOUVEIRA e VINHEDO, fosse renomeada como homenagem ao interventor/governador, mas devido à interesses políticos a ideia foi abandonada. Porém, VINHEDO adotou o nome, em respeito ao homem público que foi, e ‘batizou’ a então Rua Sem Nome, ou conhecida como Rua 13, como ‘Fernando Costa’, que interligava a Rodovia em que o vitimou no acidente. Tanto a Rua 9 de Julho, quanto a Fernando Costa, antes da existência do trecho da Rua Riachuelo, eram as únicas que ligavam a cidade diretamente com Rodovia. O decreto de denominação foi assinado pelo então prefeito Abrahão Aun, em 1953, e também dava nomes à todas as primeiras ruas e avenidas existentes no Centro de VINHEDO, na época: Monteiro de Barros, Nove de Julho, Humberto Pescarini, Fernando Costa, João Pinheiro, Manoel Matheus, João Corazzari, Jundiaí, Benedito Storani, Santa Cruz, Av. Dois de Abril e Praça Olavo Guimarães.
LEGADO
Ao longo de 33 anos – desde o momento em que assumiu a Prefeitura de Pirassununga até fim de seu mandato como interventor federal -, Fernando Costa se consolidou como um dos principais políticos do setor agrícola do Brasil – um dos mais importantes para a economia do país, na época -, deixando, como legado, diversas realizações para o desenvolvimento do ramo, sendo as Escolas Práticas de Agricultura (EPA) uma das principais – visto fato de que elas funcionam até o atual contexto. Durante a vida, o ex-ministro também publicou cinco livros: Idealismo Construtor (1930), Política do café (1937), As realizações do presidente Getúlio Vargas no Ministério da Agricultura (1941), Novas terras e terras cansadas (1943) e No Governo de São Paulo (1945).

Criado em 1929, Parque Doutor Fernando Costa, conhecido como Parque da Água Branca na Capital São Paulo, tem Museu e área de estudos geológicos

Parque de Exposições em Franca, em homenagem à Fernando Costa. É a primeira estrutura erguida para exposições agropecuárias no Estado, em 1953


























