VINHEDO: Mulher viaja 200 km para ver irmã mantida em cárcere privado. Veja o que falta saber sobre o caso
A Polícia Civil de VINHEDO ainda investiga as circunstâncias e os motivos que levaram uma mulher ser mantida em cárcere privado por um casal por pelo menos 20 anos. Libertada na madrugada da última terça-feira (25), Iva da Silva Souza está no abrigo Reencontro, mantido pela Prefeitura de VINHEDO, onde passou por uma avaliação psicológica. Segundo a assistência social do município, o teste é importante para diagnosticar a condição mental da vítima de 63 anos.
Nesta semana, a irmã da vítima, Odete da Silva Souza, ficou sabendo da história através do noticiário, e pela Polícia, de que Iva foi encontrada depois de muitos anos. Ela foi rever a irmã depois de 47 anos do desaparecimento. “Um dia Iva saiu de casa cedo, dizendo que ia trabalhar como doméstica, e nunca mais voltou”, contou Odete, que atualmente mora em Araraquara. A família é de Colorado, no norte do Paraná, mas com o passar dos anos, todos se mudaram. A mãe delas hoje reside em Jesuítas, no Paraná, e também está feliz em saber que a filha, apesar de tudo, está viva. “Estou feliz em saber notícias dela”, resumiu emocianada Maria da Silva, mãe de Iva.
O CASO
O caso teve início em uma investigação de estelionato. Os suspeitos Ecio Pilli Junior e Marina Okido usavam uma conta aberta no nome de Iva para aplicar golpes em comércios no bairro Vila João XXIII, em VINHEDO. Os policiais chegaram ao imóvel para apurar essa ocorrência, e lá foram surpreendidos com o pedido de ajuda da vítima. Após a divulgação, vítimas que receberam cheques em nome de Iva compareceram à Delegacia de VINHEDO para registrar boletim de ocorrência. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), a Polícia Civil investiga três ocorrências de estelionato envolvendo o nome de Iva da Silva Souza.
A locação do imóvel onde Iva era mantida em cárcere privado foi feito em seu nome, segundo a delegada de VINHEDO. Os pagamentos, no entanto, eram mantidos em dia pelos suspeitos. A Polícia Civil também divulgou que a mulher que passou 23 anos em cárcere privado não sabia em qual bairro ou cidade estava, sendo que a família já teria morado ainda em Campinas e VALINHOS, e Iva era mantida no último endereço há pelo menos seis anos.
Segundo apurou a equipe de investigadores de VINHEDO, Iva começou a trabalhar para a família de Marina Okido em 1979, na cidade de São Paulo. Por vários anos, ela teria sido uma “empregada normal”, com recebimentos de salários.

De acordo com a Polícia Civil, Marina assumiu o controle financeiro dos bens da família após a morte do patriarca, em 2005, mas há suspeitas de que Iva já era mantida em cárcere antes disso.
Proibida de deixar o imóvel, a vítima e a mãe de Marina, que era cuidada por Iva, recebiam apenas uma refeição diária. Segundo os investigadores, o casal mantinham-na presa por meio de violência psicológica, dizendo que ela não teria para onde ir e o que comer, entre outras coisas.
Apesar de ter vivido em situação análoga à escravidão, Iva, de acordo com a assistência social de VINHEDO, alterna o apego à vida que tinha antes, e a responsabilidade de cuidar da idosa de 88 anos. As duas estão em um abrigo municipal.
Durante uma visita a Iva no lar em que está abrigada em VINHEDO, na quarta-feira (26), a delegada Denise Florêncio Margarido contou que a idosa reconheceu, pela primeira vez, a gravidade da situação que enfrentava. Segundo a policial civil, ela se emocionou, chorou por três vezes e agradeceu aos policiais que a salvaram.
Ecio e Marina se recusaram a falar sobre o caso na delegacia; de acordo com a Polícia Civil, eles disseram que irão se manifestar em juízo. Nenhum advogado se apresentou como defensor do casal até o momento.
A família da Iva chegou a registrar boletim de ocorrência de desaparecimento dela tempos depois, em 1996.
O que falta saber
- A investigação da Polícia Civil ainda apura quando, de fato, Iva começou a ser mantida em cárcere privado pelo casal.
- Outro detalhe que o inquérito busca esclarecer é o que motivou o casal a manter Iva em situação análoga à escravidão.
- Não está confirmado se a mulher tentou buscar ajuda antes de ser libertada pelos polícias na madrugada da última terça (23).
- Não se sabe se há outras pessoas envolvidas no crime de cárcere privado.
- Com a divulgação do caso, mais vítimas de estelionato procuraram a Polícia Civil; ainda não é certo o número de vítimas, e qual o prejuízo causado pelos suspeitos.
- Iva passou por avaliação psicológica, mas o resultado só deve sair 48 horas após o teste. Falta saber qual é o estado mental de Iva após anos de cárcere.
- Com familiares no Paraná e no Interior de São Paulo, ainda não se sabe qual o futuro destino de Iva, e como será o acompanhamento médico e psicológico dela.
(Fontes/Fotos: EPTV/G1/Delegacia de Polícia de VINHEDO)

Odete foi reencontrar a irmã 47 anos depois


















