Coluna Linhas Cruzadas – O Presidente que marcou um tempo (parte 1)
O Presidente que marcou um tempo (parte 1)
Primeiro pela simpatia. Sempre um sorriso largo e aquele semblante tranquilo conquistavam quem dele se aproximava. Alto, porte elegante, bom de papo, curioso, diferente. Quem? Juscelino Kubitschek de Oliveira, o ‘Nonô Pé de Valsa’, o homem que abriu as portas para o desenvolvimento do País.
Grande este cara que enxergava longe e não tinha vergonha de dizer as coisas de uma forma contundente sem ferir ou fazer inimigos. Conheci-o, e bem. Fui ‘torresmeiro’ em sua casa. Esta denominação não é pejorativa, ela representa certa intimidade e proximidade, pois em meu tempo de adolescente em BH (Ele morava no Bairro de Loudes) ia levar-lhe o exemplar do jornal em que trabalhava: ‘Diário Carioca’, em sua sucursal ali na Rua da Bahia, próximo ao Cine-Metrópoles. Eu, muito jovem ainda, fazia cobertura para a área policial, recolhia as ocorrências do dia. Trabalho fácil.
O Diário Carioca chegava a BH sempre no avião das 12 horas e eu ia buscar os exemplares lá no Aeroporto da Pampulha e os distribuía na final da tarde nas residências de políticos mineiros da época. Tenho histórias para serem contadas. Eu deixava sempre para a entrega do jornal do JK como o último, pois sabia que em casa do ‘Nonô’ um café reforçado me seria oferecido. Sara, sua esposa, me tratava de ‘primo’, quando eu às vezes a encontrava em sua casa, isto devido ao sobrenome dela, (Gomes de Lemos). Conheci as filhas do JK. A Márcia e a Maristela ainda meninas moças.
Os artigos que escreverei sobre ele retratará uma época e terão, para mim, um grande valor histórico. Não poderia eu deixar de traçar o perfil de minha época como testemunha ocular da história. A imprensa, no meu tempo, era sustentada pelos muitos intelectuais da época. Período farto de histórias e fatos que construíram o perfil de um Brasil em franco desenvolvimento. Retrato a história pelos meus próprios olhos e visão. Nós, com orgulho repetimos sempre, somos os sobreviventes de uma era de ouro fartíssima em política, e ações que fazem falta aos dias atuais. A moralidade predominava em seu meio. Os políticos atuais não fazem história, são aberrações que ocupam um cenário que não lhes pertence. É isto que irei retratar nesta série. Lembrarei aos meus leitores de idade mais avançada, como eu, a cronologia histórica do maior e mais avançado brasileiro eleito para a Presidência da República. A história comprova.
A cronologia do seu tempo registra: JK nasceu em Diamantina, MG, a 12 de Setembro de 1902 e em 1914, no auge da Primeira Grande Guerra, vai para o Seminário Diocesano da sua cidade. Em 1920 vai para BH e foi ser telegrafista auxiliar, no ano seguinte, em 22, vai para a Faculdade de medicina e se forma em 1927. Como médico é nomeado Capitão Médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais. Naquele ano casa-se com a Sara Gomes de Lemos. Em 32, ele foi destacado para servir na Zona da Serra da Mantiqueira. Sua habilidade politica se destaca. Foi convidado em 1933 a ser chefe da Casa Cível do Interventor Benedito Valadares. Em 1934 foi eleito deputado federal pelo Partido Progressista. Quando foi instituído o “Estado Novo” em 1937 ele perde o seu mandato e volta a exercer a medicina. Em 38 foi promovido a Tenente-Coronel e chefe do serviço de cirurgia do Hospital Militar.
Em 16 de abril de 1940 ele é nomeado Prefeito de Belo Horizonte onde se destacou como o mais dinâmico e progressista. Construiu sua história politica quando Prefeito. Como administrador surpreendeu pelo avanço empreendido e fruto desta administração brilhante. Em outubro de 45, Getúlio Vargas foi deposto e ele, em outubro, foi eleito deputado Federal para a Assembleia Constituinte. Foi quando abandonou de vez a medicina, e em 1950, é eleito a 3 de outubro daquele ano, Governador de Minas Gerais pelo PSD. Destacou-se como administrador brilhante e habilíssimo politico. Foi em 1957 que começou realmente a sua ‘grande odisseia’; tomou posse como Presidente eleito e seu mandato foi até o ano de 1961 quando foi eleito Jânio da Silva Quadro.
Como Presidente estabeleceu o seu Plano de Metas cujo slogan foi “50 anos em 5”. A partir dai é que comentarei sua trajetória como o maior de todos os presidentes de nossa história .
Continua…
















