Coluna Linhas Cruzadas – O Presidente que marcou um tempo (parte 2)

coluna_jorge-lemosO Presidente que marcou um tempo
(parte 2)

Os anos de 50 foram marcados por ricos acontecimentos que geraram a construção de um novo pensamento político. Os efeitos da Segunda Grande Guerra moveu no Brasil um novo sentimento pelos efeitos da participação do país no conflito lá na Itália. Trabalhava eu para um jornal de prestigio e muito viajei. Conhecendo outros povos, vendo de perto os efeitos do espirito reconstrutivo dos povos atingidos pelas grandes tragédias, pude analisar e amadurecer como profissional. Depois de ter estado em Pistóia, onde centenas e centenas de cruzes marcaram o sacrifício da perda de jovens, ganhei maturidade e vontade de aprender história e filosofia para discernir melhor aquele momento. Isto me fez analisar com um pouco mais de seriedade o mundo a minha volta e o  que nos acontecia.

Foquei-me na história e dediquei-me a me aproximar do espirito de JK. Redescobri outra personalidade: JK admirava, e muito, a Getúlio Vargas. Ambos, naqueles 3 de Outubro de 1950, democraticamente eleitos. Inteligente, tinha lançado em sua campanha para o governo de Minas, um programa que denomina como binômio “Energia e Transporte”. O objetivo: elevar de forma que considerável o desenvolvimento industrial de um Estado que estacionara no tempo plantado somente a agropecuária. Este o despertar de uma nova era para os mineiros. Ganhou as eleições de lavada. Cada discurso de JK empolgava multidões. Por força da profissão acompanhei fazendo  cobertura a quase toda a sua campanha e ele, de forma mais que elegante falava dos seus projetos sem magoar o seu adversário, seu concunhado Gabriel Passos que era candidato pela UDN – União Democrática Nacional (que hoje seria os “coxinhas”), e ele pelo PSD, (Partido Social Democrático). JK ganhou de lavada o governo de Minas isto porque Minas andava em frangalhos com a sua rede viária, saúde deficiente para o povo e Educação. JK governou com bastante tranquilidade entre 50 e 54 com dinamismo e dedicação, o que mexeu com o espirito mineiro.

(Aproveito e abro um parênteses  para contar uma pequena e curiosa história acontecida em sua campanha ao governo de Minas, foi á em Itambacuri, terra do Vital Salvino Otoni. Município que faz divisa com Teófilo Otoni, as margens da Rodovia Rio-Bahia.

Praça cheia e palanque carregado. Um ‘Calça Curta’ (denominação dos Udenistas), lança rojão de três tiros em direção ao palanque onde eu também, à frente, fotografava e anotava. Duas das bombas explodem no ar e uma sobre o palanque e caiu sobre a minha cabeça, fazendo-a sangrar. JK interrompe a fala e socorre-me. Ele fez questão absoluta de encarregar um de seus assessores para transportar-me de avião para BH. Fui de carro até Governador Valadares, e de lá de avião até a capital. Na sua posse estava eu lá para fazer a cobertura e ele fez questão de vir me abraçar. Este era o JK.).

Eleito, Juscelino põe a mão na massa e altera o panorama de Minas. Constrói, por incrível que pareça, mais de 15 estradas tronco, com mais de 3 mil  quilômetros, unificando o Estado inteiro. Nunca o D.E.R. trabalhou tanto. A economia mineira estava falida, sangrias e desperdícios rolavam, corrupção também.  Havia um rombo exagerado nos Cofres Público. Jk o recuperou economicamente, o que deu para ampliar de modo expressivo a capacidade energética do Estado. Foi ele que criou a CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais), executora de múltiplas usinas no Estado.

Empreendedor? Nunca a história administrativa de Minas Gerais teve um Governador ou Interventor com a capacidade deste mineirinho ‘Pé de Valsa’. Dotou ele de uma infraestrutura todo o Estado jamais vista na sua história administrativa. Dinâmico e capaz, poder de análise e jogo político obrigatoriamente o levaria à Presidência da República.
(Continua)

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