Coluna Linhas Cruzadas – O Presidente que marcou um tempo (parte final)

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JK foi um presidente desbravador. Estradas e hidroelétricas foram suas grandes metas.  As estradas eram rasgadas e a energia hidroelétrica chegava a pontos distantes. Reinava um otimismo entre a população. Açudes eram construído nas regiões nordestinas. Havia em cada rosto certa expressão de alegria e a nascente indústria automobilística exigia a mão de obra especializada.

Quem se lembra dos carros que eram por nós fabricados? Gordines, DKW, Kombis e fuscas. Posteriormente, Fábrica Nacional de Motores e os célebres ‘Fenemês’ de alta capacidade de transporte ganhava as ruas. Ali o perfil do Brasil havia sido mudado. A televisão já ganhava técnica e artisticamente um plano superior. As artes ganhavam espaço. Reinava otimismo. JK atinge o clímax de sua vida administrativa e política, mas nunca esqueceu sua vida de grandes necessidades em sua infância. Poderia eu narrar cada passo de sua vida desde a morte do seu pai. Prefiro, contudo, colocar JK no pedestal que se fez merecedor.

Com o grande problema da seca no nordeste uma séria de açudes é construída, porém a que mais marcou foi a do Açude Orós, na cidade de Orós, no dia 11 de janeiro de 1961. O açude de Orós, em março de 1960, havia se rompido e uma grande tragédia ali se deu. Cerca de um ano após o rompimento da barragem JK inaugura o novo Açude.  Foi um marcante acontecimento. Acompanhei de perto o evento. JK fez questão absoluta de entregar a obra. Lembro-me da presença de inúmeras personalidades também presentes. Nomes significativos como Miguel Arraes, Parcifal Barroso, Anastácio Maia, Nilson de Melo e Leal Sampaio e a população inteira que seria beneficiada se curva ao mineirinho de Diamantina.

Ao fim de seu mandato como presidente, JK transmite seu governo ao Jânio de Silva Quadros

COMENTÁRIO

Poderia eu enumerar os percalços da caminhada de JK após os militares, em 64 chegarem ao poder. Em breve farei uma retrospectiva do caminho tortuoso que sofrera.

Algo muito especial aconteceu comigo na véspera do acidente que o levou a morte. Gerenciava eu a Assessoria de Comunicações da Dersa, Desenvolvimento Rodoviário S.A. empresa do Estado de São Paulo e fui chamado por uma corretora da Revista Manchete, a Lúcia, para fazer a revisão em uma reportagem que seria publicada por aquele importante meio de comunicação. Lá me deparei com o Adolfo Block que chegara um dia antes a São Paulo. Adolfo se alojava sempre na própria sede de sua revista. Encontramo-nos e trocamos um longo papo em sua sala. Para minha surpresa lá na sucursal, também, se encontrava JK. Foi um grande prazer revê-lo e cordialmente um papo a três sobre fatos passados ganhou uma boa meia hora. Nos despedimos e volto para a empresa. Ao sair da Sucursal deparei-me com o motorista do JK, o velho Geraldo, que conheci lá em BH. Encerro, desta forma este resumido trabalho sobre o maior dos Presidentes que o Brasil teve em sua história. JK marcou, e muito, o meu tempo de jovem.

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