LOUVEIRA: Câmara dá presente de Natal milionário ao prefeito

A4_SessoesExtras_Orcamento_cred CML-Ricardo Pupo

Enquanto o brasileiro enfrenta uma tremenda recessão com milhões de desempregados, inflação alta, e corrupção salpicando lama por todos os lados, com prenúncios de um Natal e Ano Novo em plena depressão, a Câmara Municipal de LOUVEIRA continua esbanjando dinheiro.
VOCAÇÃO DE SERVIÇAL
Antes de entrar oficialmente em recesso, no apagar das luzes da atual Legislatura, em duas sessões extraordinárias seguidas, ambas realizadas com um atraso de quase uma hora, como é de praxe na Câmara de LOUVEIRA, os vereadores louveirenses liberaram R$ 12,6 milhões para a insaciável e má administrada Santa Casa, e 15% de remanejamento do espetacular orçamento de R$ 492,963 milhões para o próximo ano, o que dá uma média mensal de mais de R$ 6 milhões, para gastar à vontade e sem consultar a Câmara, o que praticamente já é feito ao longo do ano com o Legislativo demonstrando uma vocação inabalável para serviçal do Executivo.
DINHEIRO PARA DEMISSÕES?
As duas sessões extras aconteceram na segunda-feira, 14, quando foram votados dois projetos. Na primeira sessão foi votado o projeto de nº 110, que libera R$ 12,6 milhões como subvenção dos meses entre janeiro e junho para o único hospital da cidade, que apesar dessa dinheirama todo não presta um serviço digno a população louveirense. A Prefeitura justifica o envio de verbas dizendo que a Santa Casa não possui capacidade para suprir suas necessidades financeiras e apresentar um bom atendimento médico às pessoas que buscam o hospital. Por outro lado, notícias nos corredores do nosocômio dizem que parte do dinheiro será utilizado para pagar mais de trinta e dois funcionários demitidos por conta da insatisfação com a atual administradora Elaine Martins.
Durante a sessão, o vereador Estanislau Steck (PSD) informou que Elaine Martins esteve na Câmara procurando responder a inúmeros ofícios enviados por alguns vereadores e que nunca tiveram resposta da administradora. Estanislau insistiu na necessidade de a administração respeitar o papel de fiscalização do vereador e não mais dar a desculpa que a Santa Casa é uma empresa privada e que, portanto, não deve satisfações ao Legislativo.
CONSELHO GESTOR
“Eu mesmo já mandei vários ofícios para que a Santa Casa explique como está usando o dinheiro público. É obrigação deles abrir as contas, afinal nós temos que prestar satisfação ao nossos eleitores que se queixam dos serviços prestados pelo hospital”, comenta Estanislau. Ele também reclamou da emenda para subtrair do projeto o termo ‘Conselho Gestor’, que já se encontra extinto, e que deveria ser reativado em função do volume de recursos enviados e que precisam ser fiscalizados tanto pela Câmara, como pelo Executivo e pela sociedade civil organizada. “Eles fazem na base do tal ‘copia e cola’. Precisa ter mais coerência. A Prefeitura mandou projeto aqui acabando com o Conselho Gestor e agora manda outro projeto que parece cópia dos anteriores, só trocando os valores”, lamenta o oposicionista. Mesmo assim o projeto foi aprovado por unanimidade.
NATAL DE MILHÕES
PARA O PREFEITO
Após cinco minutos para o cafezinho, teve início a segunda sessão extraordinária, que aprovou projeto de Lei do Orçamento Municipal de 2016, previsto em R$ 492,963 milhões. Apenas os vereadores da oposição, Alan Jacui (SD) e Estanislau Steck resolveram apresentar alguma opinião. Mesmo reconhecendo ser minoria, diante do ‘rolo compressor’ da situação, disposta a tudo para não deixar sem ser aprovado qualquer projeto da Prefeitura, Alan comentou que era contrário à aprovação de 15% do orçamento para o prefeito remanejar sem consulta à Câmara, o equivalente à bagatela de mais de R$ 6 milhões ao mês, no que foi apoiado por seu colega oposicionista Estanislau, que se manifestou dizendo como era “triste ver tanto dinheiro ser gasto com aluguéis e desapropriações sem justificativas”. Realmente trata-se de um presente de Natal milionário para o prefeito Júnior Finamore. A Câmara pode?
‘ROLO COMPRESSOR’
Valeu como exercício de consciência, porque o ‘rolo compressor’ aprovou o projeto do orçamento por 9 votos a favor e 2 contra. Mas as cinco emendas foram todas aprovadas por unanimidade. Uma destinando R$ 1 milhão para construção de campo de futebol no Ceil do bairro Santo Antônio, outra liberando R$ 400 mil para construção da sede para bandas musicais, a de R$ 5 milhões para reforma e ampliação da Câmara, e duas emendas de alteração de nomenclatura e correção de valores no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

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