LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

O seu olhar era de adeus?

Quando vi aquela placa ali, me lembrei imediatamente de trechos de músicas que dizem “ai a solidão vai acabar comigo e hoje sou folha morta” (Dolores Duran e Ari Barroso). Claro que a caçamba estava em local adequado, cumprindo o seu papel de receptora, com vários tipos de entulho dentro da sua capacidade, mas a placa não me pareceu entulho, me pareceu algo fora do lugar. Não deveria ela estar em alguma porta, portão ou entrada de um estabelecimento aqui em LOUVEIRA? Bem, solitária ela não estava, pelo menos me pareceu, pois havia garrafas vazias de cerveja entre outros objetos. Será que eu me enganei e ela, a placa, estava ali somente por ter bebido demais, assim como algumas pessoas que bebem além da conta e dormem em qualquer lugar, e mesmo assim, parece que dormem em paz? Então, para mim e para os que dormem em cama quente, em local aquecido, ou pelo menos fora do relento, talvez uma noite não seja nada, mas pelo que já ouvi relatarem, muitas vezes, mesmo em locais confortáveis, uma noite custa a passar, não sei se é o caso da placa e de seus acompanhantes.

Vendo por este ângulo, parece que nada é novo, que tudo já aconteceu em alguma época, porém se pensarmos assim, e deixarmos de observar os fatos ao nosso redor, na minha opinião, não evoluiremos e talvez nunca haja abertura em nossas mentes, abertura esta que os que desejam a evolução, clamam. Deveríamos estar praticando um isolamento mais consistente, por amor a nós e ao próximo, mas o orgulho enraizado em nós não permite, colocando como fragilidade qualquer atitude de obediência às regras de orientação neste sentido, ou seja, ao sair, pelo menos coloque a máscara.“Não, não quero”. E mesmo que a pessoa não perceba, ela está desobedecendo, através da sua rebeldia consciente ou não, as recomendações que podem salva vidas. Em LOUVEIRA, já foram confirmados óbitos pelo COVID19, mas mesmo assim há muita gente que duvida que a doença sequer exista, triste realidade.

Voltando à placa, a dita cuja, estava numa rua de LOUVEIRA, dando sopa, descansando mesmo, por aparentemente ter sido arrancada de algum lugar, onde até pouco tempo tinha serventia. Por enquanto, a placa, esta que se destaca na fotografia, permanecerá quase inútil, até que tudo isso passe e ela, ou uma similar a ela, pois esta pelo jeito já tem destino certo, ganhe papel de destaque em algum comércio ou serviço. Torço para que assim seja, por serem o comércio e os serviços, os setores que mais sofrem e se sentem enfraquecidos nesses dias sombrios, lindos dias de maio. Maio que nunca foi um mês qualquer, agora se torna um mês de referência para “o pico” da pandemia e, o mês que era considerado o mês das noivas, o mês dos casamentos, carrega, pelo menos neste ano, uma cruz que não é sua de origem, carrega em si também, o choro, os caixões, e os lamentos da morte, a distância das covas rasas, assim como são os olhos dos que choram suas perdas.

A tristeza existe, eu sei, insiste, eu sei também, mas ainda assim ou mesmo assim, há que se ter esperança de que isso passará, que um tempo de mais alegrias virá, e que nós, os sobreviventes dessa e de tantas outras aflições do dia a dia, saiamos mais fortalecidos e com mais empatia pela vida e pelas pessoas. Sejamos então seres positivos, seres que tenham uma compreensão maior do que seja a vida que rege o universo, e com a fé um pouco mais consolidada no sentido amplo de viver a vida, sejamos agradecidos pelas graças que recebemos. Não me refiro aqui a nenhuma religião, mas sim a fé que já está em nós desde sempre, aquela que eu denomino como Centelha Divina, que nos faz únicos e universais ao mesmo tempo.

Trilha Sonora / A Voz do Senhor / Alda Célia

Autor: Geraldo Maia 62

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