LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Meu latifúndio

No meu quintal as coisas acontecem e acredito que no quintal de muita gente aqui em LOUVEIRA seja assim. Por ser um dos lugares que passo mais tempo, gosto de prestar atenção no que ocorre com cada planta, cada animal que ali vive e também ouvir o canto dos pássaros que aparecem para comer e beber. Também gosto de ouvir os sons do vizinhos, seja do pessoal jogando tômbola ou dos animais que também vivem nesses quintais e nessas casas que divisam com a minha. Há lagartas espetaculares penduradas no meu limoeiro, não sei se elas cantam, meu limão meu limoeiro.

Me surpreendi ao ver essas lagartas tão juntinhas, se não pelo friozinho, mas sim por estarem todas, acredito eu, se alimentando com as folhas do limoeiro para daqui a algum tempo se transformarem em esplendorosas borboletas. Já vi isso acontecer em algumas oportunidades, mas toda vez, pelo menos para mim, parece tão mágico esse momento de nascer em outra forma, hoje bichos não tão bonitos, amanhã com o poder de voar com asas coloridas. A natureza é tão maravilhosa e mágica, e nós, ou muitos de nós, passam pela vida com tantas tribulações que perdem esses momentos, ou muito pior, matam esses momentos, destruindo o que seria os lares de muitos seres, a alegria de muitos olhares.

Claro que me dá uma certa aflição ver todas elas tão juntinhas, mas não chega a ser um nojo e nem uma repugnância, daquela que dá vontade de vomitar. Elas, a meu ver, não me atrapalham em nada, comem algumas folhas de limão e me dão a oportunidade de observar mais um acontecimento, dos tantos que acontecem no meu quintal, mas que por serem microscópicos, não tenho a oportunidade de observá-los a olho nu. As lagartas ao contrário, ficam ali paradinhas, tão quietas, que se eu fosse um pouco mais exagerado em minhas opiniões e observações, diria que elas fazem de propósito para mim, e não pelo próprio propósito em si, o da preservação das espécies.

Então só me resta esperar o fenômeno acontecer, conforme se anuncia, e torcer para que todos em algum momento parem, observem seus quintais, e um pouco mais da vida abundante que existe em cada palmo de chão, em cada folha de planta. Torço para que cada um em LOUVEIRA ou em qualquer outro local tenha em seus dias, principalmentenestes de quarentena, a oportunidade de estar atento aos acontecimentos ao seu redor. Me sintoprivilegiado por meu quintal ser de terra, onde quando ando descalço, sinto muita energia em meus pés.

Trilha Sonora / Terra Tombada / Chitãozinho e Xororó

Autor: Geraldo Maia 62

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