LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

“Eu não consigo respirar”

Pois é, essa frase de muito efeito, quase que foi ouvida por mim ao visitar um trecho do Rio Capivari que corta a nossa cidade, esta LOUVEIRA tão progressista. Nossa cidade é muito bem conduzida pelas autoridades que a comandam, e, embora não seja perfeita, como nenhuma no mundo, pois onde há gente, há imperfeição, esta cidade está entre as melhores que conheço. Mas se é assim, porque o rio agoniza então? Há várias razões, mas a principal é o esgoto não tratado que é jogado nele por onde ele passa, e ele aparentemente só quer fornecer uma água de boa qualidade aos ribeirinhos, ou até à população mais distante das margens, quando a água é bombeada para essas populações.

Me lembro deste rio quando eu ainda pescava nele, mariscava e também nadava quase todos os dias de verão, e às vezes até no inverno, isso nos anos setenta, quando havia água e peixe em abundância, naquela água cristalina. Me deu saudades. A ‘tardinha.’, lá ia eu com uma vara de pesca, com anzol pequeno, apropriado para pescar lambaris, tanto as de rabo amarelo, quanto as de rabo vermelho. Com siriri como isca, era uma festa, em pouco tempo enchia o bornal, que eu chamava de “borná”. Chegando em casa, minha mãe limpava as lambaris e fritava na maioria das vezes e, de vez em quando, fazia cuscuz de lambari, era uma delícia, até senti o cheiro agora.

Por falar em cheiro, hoje o cheiro do rio é fedido, tal qual o cheiro de um cadáver que fica exposto dias ao relento, no caso, cadáveres de animais. Me deu tristeza ao ver a águas espumosas, com uma cor morta, num redemoinho sem vida, como muitos rios aqui na nossa Terra Brasilis. LOUVEIRA, não sei ao certo se tem indústrias que poluem o rio, mas com certeza ainda tem esgoto não tratado que acaba desembocando no Capivari, o rio das capivaras em linguagem Tupi Guarani. Assim como há móveis velhos jogados no rio por parte da população, aquela que não tem educação, e que, via de regra, culpa os governantes, que com certeza têm muita responsabilidade sobre a poluição dos rios, mas não têm essa. Por favor, não venha me dizer que precisa de fiscalização mais rigorosa, a meu juízo, o que mais precisa é de educação. Essa desculpa não absolve ninguém, aliás, condena mais ainda.

Em minha imaginação utópica, com um pé na realidade, vejo as novas gerações, que muitos rotulam como “piores”, sem conserto, como o bálsamo para as feridas causadas por nós por pura crueldade. Crueldade por matarmos tantas vidas, de humanos, animais e plantas, mesmo que seja de forma indireta. Que fique bem claro que não me excluo destes delitos, mas dia a dia estou procurando compreender e agir em prol das águas dos rios, e portanto, da vida. É pouco? Sim, é pouco. Mas se juntarmos “o pouco” de cada um, acredito que se forme “um pocão” e, esse “pocão”, com certeza tem mais força. Como exemplo de pequenas ações, posso citar: não jogar lixo nas ruas, nas águas, nem que seja um papel de bala. Não jogar óleo usado nos esgotos, como também preservar o verde esperança nas plantas que não maltrato. Agora, o essencial é não usar os maus exemplos como álibi para as minhas más ações e promover aeducação, educação e educação.

Trilha Sonora / Purificar o Subaé / Maria Bethânia

Autor: Geraldo Maia 62

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