LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Siga aquela cebola

Quando o vizinho chegou e meu nome chamou com uma cebola na mão, puxa vida, foi muito legal, por eu gostar muito de cebola e também gostar muito dos meus vizinhos, como destaco sempre. Não,não era uma cebola virtual e havia virtude nisso, a virtude da empatia, do amor ao próximo e da aproximação em tempos de pandemia e de internet. De onde viria essa cebola? Bem, imaginemos que ela tenha vindo dessas plantações que se espalham pela nossa LOUVEIRA, as hortas que pipocam por todos os lados e que, nos alimentam de maneira saudável todos os dias. Confesso que esses alimentos, pelo menos para quem os compra nos mercados ou feiras, estejam com um preço bem alto,mas não sei quanto aos produtores, quanto eles lucram.

O serviço de roça é sempre exaustivo, seja pela força bruta, seja pelo sol na cacunda, seja pela capinação, e, embora hoje em dia haja maquinário para muitos serviços, não existe para todos e nem para todos os produtores, pois os preços desses maquinários são impossíveis para muitos. Fora o serviço braçal, há também o medo das pragas, algumas ainda incontroláveis e também o medo da chuva de granizo e ainda, a pior de todas, a perda da produção pelos baixos preços que, muitas vezes fazem com que os produtores abandonem as plantações e deixem os produtos estragarem por não compensar colher, o tão falado custo benefício. Aqui em LOUVEIRA, já aconteceu isso.

Bem, acredito que esta cebola tenha seguido os trâmites legais e naturais de toda cebola, era semente e foi semeada, virou mudinha e foi plantada, foi regada, cuidada, colhida e comercializada. Nossa, pensei, por quantas etapas uma cebola passa até chegar ao consumidor! Que vida emblemática tem uma cebola, para ao final servir de tempero, alimento para muitos, pois alguns não gostam de cebola. Eu gosto muito como já disse, gosto no arroz, na salada, no feijão não coloco, mas gosto quando colocam, também gosto dela em uma saladinha que uma das minhas tias fazia e que eu também passei a fazer em casa. Caldo de feijão, limão, cebolinha, e bastante cebola picada bem fininha, fica um delícia em cima do arroz. Quase substitui a mistura, rsrsrsrsrs.

As camadas da cebola são como a vida da gente, se as olharmos de dentro pra fora, elas começam pequeninas e vão aumentando de tamanho a cada etapa, cada camada. Cortar cebola não me faz chorar, acredito que o motivo seja o meu gostar delas. Claro que se pensarmos que ela será tão bem cultivada para depois ser digerida por nós, dá um certo pesar, pois é uma coisa viva, mas ainda necessitamos de coisas vivas para nos alimentar e para sobrevivermos, ainda estamos num estágio atrasado. Não sei se foi mais bonita a atitude do meu vizinho ou a cebola é mais bonita, só sei que as duas coisas me deixaram feliz, emocionado mesmo, embora seja comum entre nós vizinhos de muro, muro sem final, trocarmos gentilezas. Se pequenas empresas podem fazer grandes negócios, como diz a propaganda, eu acredito que pequenas atitudes, possam se tornar grandes gestos. De gentileza em gentileza, olha aí, LOUVEIRA vai se tornando melhor.

Trilha Sonora / Alecrim Dourado / Galinha Pintadinha

Autor: Geraldo Maia 62

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