LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Se essa água fosse minha

Lá embaixo um rio luta pela sobrevivência, assim como muitas pessoas pelo mundo afora, uns por comida e saúde, outros por bebida e muitos outros lutam para sobreviver em suas terras em guerra. Com o calor que assola minha terra, essa LOUVEIRA que amo, tenho me atentado muito mais para as nossas águas e, me dá um certo temor de que verei o Rio Capivari morrer, pois agonizando ele já está.
Olhando, pelo ângulo que olhei, até parece que as águas estão limpas, o que de fato não procede. As águas do rio estão minguando em cores de poluição, sendo que cada trecho adquire a cor dos produtos químicos derramados nessas águas, outrora límpidas e limpas, que eu, quando menino ousava beber com as mãos em concha. Hoje me amedronta até pensar nisso. Que triste.


O que poderá ser feito e o que deverá ser feito está justamente nas mãos das autoridades que, ao que parece não se ligam muito a essa necessidade, coisa que fica tão corriqueira aos olhos dos candidatos, e, até agora não ouvi nenhum deles falar em alguma providência em relação a essa tragédia, como por exemplo, fazer um aglomerado de cidades pelas quais o rio passa e, todas unidas pelo menos iniciar um processo de revitalização das águas.
Esse rio que passou pela vida de tanta gente, com tantas histórias de pescadores ou não, de agricultores ou não, ou ainda de criadores de animais que matavam a sede com essa, opa, aquela água de anos atrás. Não sou saudosista no mal sentido, ou seja, não fico lamentando o que passou, pois graças a Deus e pela graça de Deus tive a capacidade de apreciar cada época e, por isso mesmo ter bagagem suficiente para escrever algumas linhas.
Água é primordial, então deveria ser tratada com coisa santa, como parte da vida mesmo, e não da morte, como tenho visto, pois um rio muito poluído não permite, não por que ele não queira, mas sim pela lógica, que haja vida em abundância á sua volta, ou mesmo em seu próprio leito. Contribuo bem pouco também para que os rios não morram e, dentro dos meus limites de contribuinte, procuro não jogar lixo, não cavar nas margens, não molestar com produtos químicos as águas de forma geral.


Bem, mas o esgoto da minha casa, esse sim, vai para o rio e, que nojo, polui primeiro o “corquinho” e depois o rio e mais rios pelo caminho que o esgoto insiste em caminhar. A minha, a nossa LOUVEIRA merece que alguma autoridade faça a parte mais dura de uma obra, mas também merece que cada morador tome a consciência de que cada gesto seu em favor do rio e das águas será um bônus para posteridade. Progresso inclui, a meu juízo, água limpa e abundante, fator essencial para uma população saudável.

Trilha Sonora / Águas de Março / Tete Espíndola e Zé Ramalho

Autor: Geraldo Maia 62

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