LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Tudo que eu pensei e senti


Foram alguns minutos, memoráveis minutos eternizados num registro fotográfico, sem antes ficar registrado na memória, que com certeza permanecerá em muitas reencarnações e, de algum modo será uma fatia da minha felicidade a posteriori. De tantos momentos mágicos que LOUVEIRA me proporciona, cito este aqui como um dos mais relevantes, talvez por estarmos vivendo uma nova situação de acuamento em muitos setores das nossas vidas. Um acuamento forçado pela pandemia que, tal qual uma guerra, muitas vezes nos faz permanecer na retaguarda, humilhados mesmo, em farrapos.

Não sei a quem pertence essa linda plantação de uva niagara, mas percebe-se, observando que ela, a plantação, é muito bem cuidada. Quanta energia é requerida para que cada planta desencadeie em beleza pura, em verde esperança e frutifique em sabor e cheiro. Quanto o lavrador toma de sol na cacunda para que cada broto se torne forte e produtivo, e vença todas as etapas necessárias para nos presentear. Em LOUVEIRA há muitas plantações de uva e de muitas outras frutas, mas ao que parece, está cada dia mais difícil cultivar a terra, pois além de todas as intempéries climáticas ou relacionadas às pragas, agora o ser humano também se tornou um predador implacável ao invadir os terrenos e danificar as lavouras.
Claro que há os insistentes que vão se adequando aos novos tempos, mas nem todos conseguem, por cada vez mais a população humana avançar sobre as terras, outrora produtivas. Essas terras tão promissoras muitas vezes são vendidas e nunca mais produzirão além das moradias que as sufocarão. Entendo que seja necessário as novas moradias, claro que sim, mas tudo poderia ser feito de forma mais organizada e racional, para que no futuro não se passe fome, aliás, há um risco iminente de que isso aconteça mundialmente. Eu, por enquanto, me preocupo bastante, mas confio de forma esperançosa nas nossas novas gerações, por acreditar que o ser humano evolui, e que chegará um momento que não existirá outra forma, se não a de conservar o que resta de área produtiva.


Mas sentar, ouvir as cigarras, observar as pessoas trabalhando arduamente, pois trabalhar na roça não é nada fácil, e o dia é tão longo quanto a luz, entre o nascer e o pôr do sol e, ouso dizer, pelo que já vi, muitas vezes o trabalho inicia bem antes do nascer do sol e vai muito além do poente. Tudo isso passa pela minha mente enquanto observo este tapete aveludado, este tapete mágico que sustentará tantas pessoas com o seu bendito fruto. Sustentará no sentido de alimentar e no sentido de proporcionar aos agricultores uma vida confortável em relação à parte financeira. Pelo menos é o que se espera, com as variantes inerentes à dependência de uma boa colheita, pois muitas vezes uma tempestade de granizo que demora o tempo que eu fiquei sentado observando, leva o sonho de muita gente para o beleléu.
Porém, por agora há muita esperança de que tudo corra bem, de que cada poda, cada desbrota, cada broto amarrado, cada enxadada, cada tesourada colha aquele cacho que enche a mão, que de tão lindo em suas cores variadas e translúcidas de acordo com a luz do sol, tinja o coração do homem que os colherá, com as cores da gratidão que eu também sinto agora por toda essa visão. Estou numa plantação aqui em LOUVEIRA, e, entre os muitos agricultores da nossa cidade, gostaria de lembrar do nosso querido e saudoso “Zé Cavalli” – in memorian – e, através dessa lembrança homenagear a todos que um dia tiveram a grandeza de serem homens da terra, da nossa terra da videira.

Trilha Sonora / Cuitelinho / Pena Branca e Xavantinho

Autor: Geraldo Maia 62

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