LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Me deu na telha

Os telhados sempre me chamam a atenção, pois para mim são mágicos e resistem ao tempo e aos temporais, porém as vezes são arrancados quando atingidos por tempestades mais fortes, mesmo assim alguns, uns no meio dos outros resistem. Penso sempre em qual seria o segredo desses que resistem e ficam mais vistosos em meio aos que foram destruídos. Posso atribuir a uma coincidência, ou seja, justamente sobre aqueles telhados por algum motivo o vento, as pedras, ou coisas que foram atiradas sobre eles, não conseguiram derrubá-los, motivo como disse, misterioso. Também dar outras atribuições para tal fato, como por exemplo, o bom construtor, a boa madeira, a colocação exata das telhas, e a boa qualidade das telhas. Na verdade, são conjecturas, certeza mesmo nunca haverá, pelo menos para mim.

Um telhado é de suma importância para nos proteger no nosso dia a dia em situações das mais diversas, e quando nós, nem percebemos, o temporal passou e nós fomos protegidos. Também somos protegidos do sol, de animais, de uma pedra atirada da rua que atinge o telhado e faz aquele barulho típico, repicado, dando um medo de que uma telha possa ter sido quebrada e aí, quando a chuva chegar, se terá uma goteira. As vezes uma goteira silenciosa e preguiçosa, mas com grande potencialidade de destruição, a famosa infiltração que só percebemos quando já se tornou crônica, assim como os pequenos vazamentos que aparecem um dia na parede. Haja trabalho e dinheiro para o conserto se concretize. Pelo que já vivi, se torna um trabalho não muito requisitado pelos profissionais da área, por, pelo que sinto, não render financeiramente comparando ao trabalho que dá.
Bem, mais quero falar mais deste telhado que vejo todos os dias do meu quintal, este telhado que existe há mais de seis décadas com algumas mudanças no formato das telhas, e que mesmo assim mantém o seu fascínio sobre mim. Este telhado que avisto é de uma parte da cobertura do Esporte Clube Nova Estrela, local em que trabalhei por uns vinte anos, e que sempre me encantou. Hoje ele está mais rosado em razão da chuva que o atingiu nesses dias chuvosos, mas que se apresenta a mim em vários tons, dependendo do humor do tempo. Sob o tal está o chão do Clube e sobre o tal há além da chuva, do sol ou da sombra, como disse, dependendo do humor do tempo, os animais, ora os pássaros, ora os gatos e de vez em quando até um animal silvestre. Os gatos brigam e miam e tentam pegar os pássaros, os pássaros por sua vez cantam ou gorjeiam, comem algum alimento que somente eles têm a capacidade de ver e voam, na maioria das vezes, numa fuga dos vorazes gatos.

Cabe também aqui é uma reflexão sobre os telhados de cada um, e, que apenas cada um possa ter a definição exata sobre o seu telhado ser de vidro ou não. Acredito que a maioria de nós tenha em seu telhado pelo menos algumas telhas de vidro, e somente os mais humildes admitem isso, pois os orgulhosos, mesmo que o telhado seja atingido e se quebre, não admitem. Pior ainda, sempre colocarão a culpa ou a responsabilidade nos outros e nunca admitirão que o vidro que colocaram seja de qualidade duvidosa, digo isto porque, mesmo que o telhado seja de vidro de boa qualidade e a intenção, ao colocar as telhas de vidro, seja de obter claridade e economizar energia, então este telhado de vidro não sofrerá com as intempéries próprias da vida da gente. Cada um de nós deveria saber o telhado que tem, e diante disso, estar atento para que o telhado, se atingido for, não quebre. Um dia ainda contarei com quantas telhas se fez este telhado.

Trilha Sonora / Atire a Primeira Pedra / Noite Ilustrada

Autor: Geraldo Maia 62

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