LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

E a moça desfilou

Lá ia eu a pé para casa após ter deixado o carro em uma oficina para um conserto, ali pelos lados da Fazenda Santa Terezinha, aqui de LOUVEIRA, num bairro novo, mas o local da oficina, aliás ótima oficina, é já um local bem mais antigo, opa, quero dizer tradicional, num sítio com várias casas e com estrada de terra para se chegar do asfalto à oficina, uns duzentos metros pelos meus cálculos que, quase nunca acertam com precisão as distâncias, mas “tá” valendo. Feliz e atento eu caminhava com o celular na mão, como sempre, pronto para muitos registros, muitas fotografias, e desta vez não foi diferente. Celular não mão, olhos atentos enquanto o cérebro cantarolava o samba enredo da Mangueira que homenageava a rainha Maria Bethania, meu ídolo maior.

De repente passa por mim uma moça a cavalo, garbosa moça montada num garboso cavalo, uma visão bonita naquela estrada, outrora de terra batida, mas que agora já está asfaltada. Gostava mais quando era de terra, pois passo pouco pelo local, mas garanto que os moradores das margens da estrada, preferem ela asfaltada. Na verdade, ficou boa sim, apesar das lombadas, uma das poucas coisas que detesto aqui em LOUVEIRA. A moça, que não conheço, ia devagar, respeitando a meu ver, o animal que parecia feliz, bem tratado, forte e luzidio. Claro que no geral não me agrada ver as pessoas montando animais, mas neste caso específico senti uma paz e uma harmonia entre os dois, a moça e o animal, neste caso, o cavalo.

Enquanto eles se distanciavam devagar, num quase trotar preguiçoso, eu cá comigo pensava em quem seria aquela moça; se era casada ou não, se tinha filhos, qual a sua formação profissional, de onde estava vindo e para onde estava indo, essas coisas que penso quando vejo cenas que me chamam a atenção. A moça e o cavalo nem se aperceberam da minha presença e eu, furtivamente fotografei, pois me pareceu um momento único, um momento mágico de liberdade em nossa terra, ainda tão machista, pois a moça demonstrava total liberdade no manejo das rédeas, na certeza do olhar para a frente, rumo ao seu destino. Isso me deu uma alegria e esperança na humanidade, no futuro e principalmente no presente, por acreditar que o presente sempre seja o mais importante.

Claro que eu me retive em outros pontos da estrada e fui ficando para trás, fotografando muita coisa ainda, mas com certeza o destaque das fotos daquele dia foi a moça montada em seu cavalo. Já à tardinha, quando voltei para buscar o carro na oficina, torci para ter outros encontros assim, e, se encontrasse a moça novamente, trocaria, se ela quisesse, lógico, algumas palavras com ela. Peguei o carro, que ficou ótimo, e segui em direção à minha casa, feliz com o meu dia vivido, “o dia de hoje” e, agradecido a Deus e ao mecânico, coloquei o samba enredo da Mangueira e desta vez cantarolei junto com os puxadores. Foi um dia legal. Dia simples e feliz.

Trilha Sonora / Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá / Mangueira

Autor: Geraldo Maia 62

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