LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Vou de ônibus


Em dias sem carro, desde três de abril passado, quando roubaram o meu, o jeito é também andar de ônibus, digo também, pois tenho “andado” por muitos meios de locomoção, desde carona com uma irmã; com uma amiga e com amigos, até o famoso “uber”. Tem sido bom por um lado, pois conheci nesse meio tempo, várias nuances do comportamento humano, inclusive do meu e, sem dúvida, todas boas ou ótimas. LOUVEIRA é tudo de bom aos meus olhos e ao meu coração, e também, pelo que converso, com os olhos e os corações de muita gente, muita gente mesmo.

Mas me aterei mais ao transporte urbano, ônibus, que é o que mais tenho usado e surpreendentemente, gostado. Tomo, quando tenho mais tempo, os que dão muitas voltas pela nossa cidade, aqueles itinerários praticamente em círculos, pois anda e anda, passa próximo do local de destino, mas ainda não é o local de destino. Gosto. Por aqui, com o cartão transporte, chamo assim por não saber o nome exato do cartão, a gente paga na catraca, dois reais, e quem não tem o cartão, paga quatro reis e cinquenta centavos, nos dias úteis; finais de semana quem tem o cartão, não paga. Claro que eu sei que as diferenças no preço, tarifa, são subsidiadas, considero esse subsídio correto. Pessoas acima dos sessenta e cinco anos não pagam passagem.
Os ônibus, aqui em LOUVEIRA, andam, na maioria das vezes com uma lotação pequena, mas neste dia em que fiz o registro, a foto, me surpreendeu, estava lotado. Gostei, mas senti uma certa apreensão, por estarmos em pandemia. Todos estavam usando máscara e com os vidros abertos, pois era um dia sem chuva. Se estivesse chovendo, na minha opinião, seria mais complicado. Gosto de gente, mas ainda não é hora de tirar as máscaras, embora nem todos pensem assim, mas pensar é pensar, e cumprir a lei, já é outra coisa, uma coisa maior, o que na verdade diferencia o bom do mal cidadão. Por isso existem as expressões: “dentro da lei” e “fora da lei”, que muitas vezes apontamos nos outros sem olhar o nosso próprio comportamento. Queria dizer “rabo”, mas não fica muito elegante.

Conhecer a cidade da gente é muito bom. Saber que existem diversas cidades dentro de uma cidade, é muito bom também, pois é assim que sinto quando, de ônibus, ou mesmo de carro, trafego por aí. Os dias, sem carro têm sido surpreendentes bons, mas que um carro facilita, isso facilita. Logo, logo estarei dirigindo por aí de novo, acredito. Um roubo à mão armada nos deixa tão impotentes, ainda mais num sábado à tarde, numa via pública, num dia de sol, mas tudo é aprendizado e as vezes, necessariamente tristes. Bem, mas vamos continuar a vida que temos, e, por ser a única neste momento, vamos vivê-la da melhor maneira possível e ao máximo, um dia de cada vez.

Trilha Sonora / Vou andar por aí / Elis Regina e Jair Rodrigues

Autor: Geraldo Maia 62

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