LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

LOUVEIRA não foi um simples acaso”


Esta frase que dá nome à Coluna não é minha, e sim de uma professora que conseguia fazer das aulas de Matemática, um acontecimento; falo aqui da Maria José, moradora de Itatiba, não sei se mais amada ou temida, nascida no mesmo dia que eu, em maio e que deu aula no Rezende, colégio aqui do bairro do Quebra – Santo Antonio. E é verdade, LOUVEIRA nunca é um simples acaso, basta que olhemos ao nosso redor para percebermos isso. Ela se refere, em um comentário no face sobre a sua passagem pela nossa cidade e das amizades que conserva até hoje, coisa rara hoje em dia e, acredito que sempre tenha sido assim. Porém, neste caso específico, há reciprocidade e creio que seremos amigos para sempre, em todas as nossas reencarnações.

Os fatos que me chamaram a atenção para escrever sobre isso foram o comentário dela no face e um aluno, cuja avó, foi buscar na saída do Odilon, outra escola daqui, e ele, o aluno, ter ido de mãos dadas com a avó, me chamou mais ainda a atenção, pois ao que parece, nesta idade eles não gostam muito que vá buscá-los na saída da escola. Observei enquanto pegava água na bica, que fica bem próxima da saída da escola. Também, observei todos os alunos que saíam fazendo o barulho natural de uma aglomeração de pessoas, que em sua maioria eram alunos. Todos, ou a maioria que observei estava sorrindo, num para cá e pra lá, pois embora todos soubessem o caminho de casa, alguns acompanhavam o seu igual até uma distância e voltavam seguindo outra direção. Pelo jeito o assunto até a hora da saída não havia acabado e, deixar para amanhã, imaginei, seria um martírio, mesmo neste mundo atual onde a maioria possui celular.

Para cada um deles e cada uma delas, pois havia muitas meninas também, acredito que LOUVEIRA não tenha sido um simples acaso. Eu, por conhecer relativamente bem a cidade e por ouvir muito o que as pessoas dizem, afirmo que de maneira geral nossa cidade é muito bem cotada, confirmando a teoria do não acaso. A nossa educação, por ser uma educação de qualidade, propicia oportunidades aos alunos para serem amanhã cidadãos mais conscientes e educados no sentido amplo da palavra educação, cujo espírito é abrir horizontes, num passo a passo infinito. Quem leu até aqui, pode ter a impressão de que no texto tudo esteja muito misturado, e está mesmo, com a prévia intenção de quem escreve. Bica d ́água, matemática, cidade, alunos, avós, mães, algazarra, vozes, água escorrendo, e professores, citados aqui por último, sabemos, ou deveríamos saber que eles são os primeiros no quesito educação.
Em minha cabeça fervilhava pensamentos, contabilizando matematicamente as possibilidades diante de tantas outras cabeças, e embora cada uma fosse comandada individualmente, formariam o coletivo para o nosso futuro, para a direção da nossa cidade e do nosso país. Quanto ali se destacariam em alguma área das que compõem o todo? Meu cérebro me perguntou. Fiquei tão absorto em meus pensamentos que o galão de dez litros, quando percebi, já estava transbordando, cheio com aquela água que jorra dia e noite, graciosamente, sem distinguir a cor, a religião, o sexo, a posição social e o motivo pelo qual cada pessoa gasta o seu tempo ali parado para simplesmente matar a sede, ou para encher quantos galões ou vasilhas estejam em seu poder. Tudo é muito bonito de se ver e de sentir. Um momento de comunhão com o mundo, eu vivi ali. Sou grato por isso.

Trilha Sonora / Águas de Março / Zé Ramalho e Tetê Espíndola

468 ad