LOUVEIRA: Coluna de João Batista – ‘Louveirando’

Todos os caminhos nos levam…

A gente anda por aí, lê as placas, reclama das lombadas, de uma obra atrasada sem conhecer o cronograma, elogia uma outra que julga ser muito importante, para em congestionamento ou no semáforo, quando para, canta pneu sem querer, elogia os que cumprem a lei, pega uma marmita ou uma pizza, ou pede pelo famoso entregador. A gente vê portas fechadas, meio fechadas, meio abertas, abertas totalmente, manequins atrás dos vidros, o moço do seguro do carro da gente, também por trás dos vidros, se lembra da moça que trabalhava na loja e hoje está internada, ora por ela, xinga o motorista que ultrapassa ou que anda muito devagar, ou o motorista do ônibus, da moto, mas o que me pega mesmo, falo de mim e por mim agora, são os veículos com tração animal, aqui não falo do homem.
A gente vê a rodovia, a via, a avenida, as ruas estreitas ou sem saída, as farmácias, o mercado e os supermercados, o terreno abandonado, as calçadas intransitáveis, as ladeiras, os colégios, e até se alegra com os bares ou as igrejas. A gente sente as flores e seus perfumes, o som e o frescor da bica d´água, os brinquedos e as crianças, os picolés escorrendo, o açaí, o almoço em marmita, a mão dos amigos, os pais e os irmãos de todos, o bolo com cobertura de leite ninho que subiu de preço e a gasolina que a gente não vê, mas sente o preço. A gente lê as reportagens nos meios eletrônicos, tão econômicos, tão em voga, os frentistas desanimados, os donos dos postos subindo o preço, muitos deles sem apreço ao consumidor.

A gente vai à farmácia, ao comércio, ao parque, à casa da dona Zina, amada por mim e por muitos, a gente ri da gente e dos outros, a gente anda por aí, ouve o Yéio tocar e cantar, ou a Gurgel, a Patrícia, rir alto e feliz, sem medo de ser feliz. A gente quer comprar um ovo de Páscoa, eu quero ganhar, não comprar, ali na Ricieri Chiquetto, falo da Avenida pertinho de casa. A gente quer ir à ALLA, ouvir a Diacui ou a Júlia, o Samuel ou o Dárcio, ficar “à toa” sob a mangueira, sob a sombra e tomar o café gentil e delicioso que o Carlos, o Tiokal prepara, jogar conversa fora, e ser feliz para sempre. A gente que anda muito e percebe a brisa outonal, que cantarola Noel, que se lembra da Nerina, a fábrica de louças, que lê o que a Érica escreve sobre escovar os dentes, de se cuidar com as máscaras, de subir e descer a ladeira e sobre ter gatos em casa. A gente que tem uma tatuagem do Lee e exibe ao sol, que come um cachorro quente, que dança conforme a música, há gente assim, sim.

Juntando isso tudo e tudo o que falta juntar, me sinto feliz por ter a liberdade, sem intervenção, de escrever o que quero, respeitando a todos, os que entendem, os que curtem os que não compreendem, os que não curtem, os que me acham bobo, saibam que gosto de ser achado bobo. Curto nosso ar tão louveirense e por não ter escrito o nome da nossa cidade nenhuma vez explicitamente, me senti totalmente identificado com essa terra, de uvas, de matas verdes, de águas correntes, de educação e saúde, segurança e boa vontade. De feiras livres como eu, de carnaval e samba, de fantasias e amigos, de Vandinhas, Otacílios e Marlenes, de ruas com nomes de outros Estados ou cidades, como VINHEDO, por exemplo, que curto muito. Bem, mas tudo isso de alguma forma me leva, ou leva a gente a um local que representa, a meu ver, tudo o que falei aqui, a Estação Ferroviária de LOUVEIRA, histórica e linda.

Trilha Sonora / Divino Maravilhoso / Gal Costa.