LOUVEIRA: Javalis atacam sítios em Louveira

Produtores da família Cestarolli que sofreram ataques dos javalis em algumas de suas propriedades

A presença de bandos de javalis em alguns bairros situados na zona rural de LOUVEIRA preocupam os produtores de uva e demais frutas que são cultivadas nos bairros do Cestarolli, da Abadia, Engenho Seco e Arataba. Diversos relatos de ataques de javalis em bandos de vinte animais são confirmados por diversos agricultores que começam a contabilizar perdas significativas em suas lavouras.

UVAS E MINHOCAS
A reportagem da FOLHA NOTÍCIAS esteve conversando com produtores da família Cestarolli que sofreram ataques dos javalis em algumas de suas propriedades, principalmente nas plantações de uva. “Eles chegam na boca da noite ou na madrugada, geralmente em bandos e atacam as uvas estragando a plantação porque não comem o cacho todo, e vai deixando um rastro de destruição. Parece que eles gostam também de minhocas, porque saem fuçando todo o chão, praticamente arando a terra, deixando grandes buracos”, relata o patriarca Augusto Cestarolli, de 82 anos, mas ainda trabalhando ativamente.

“Nunca ouvi falar de javalis em LOUVEIRA. Sei de algumas cidades distantes daqui, mas nunca em nossa região. É de dois anos pra cá que os javalis estão chegando. E não atacam só as uvas, outras plantações também. Eles gostam muito de milho, atacam as espigas e matam o pé. Isso acaba com o milharal”, alerta o patriarca Augusto.

O seu filho Luiz Carlos, o ‘Neca’, está preocupado em espantar os javalis usando bombas e proteger as uvas por meio de ‘cerca de telinha’. “O problema é que eles atacam na madrugada em bandos de vinte. O trabalhador passa o dia trabalhando, como vai ficar a noite acordado tocaiando javali?, questiona ‘Neca’.

SECRETARIA
O outro filho do Augusto, o Paulo Cestarolli, comenta que está tentando uma saída ambiental. “Ainda não fomos, mas pensamos em procurar a secretaria de Gestão Ambiental para saber o que pode ser feito para resolver o ataque dos javalis. Eles estiveram na Fazenda Luiz Gonzaga e provocaram estragos. O Marcos Gallo, da Abadia, tem propriedade por aqui, e disse que ficou uma noite a vigiar o bando de javalis. Isso significa que os bichos estão cercando a região e realizando ataques que acontecem sem periodicidade. Às vezes demoram dias, semanas, meses, mas quando menos se espera eles atacam na madrugada aterrorizando a todos”.

Caça é autorizada: Cristian Gollo é o presidente da associação Brasil Safari Clube (Foto: Arquivo pessoal)

LOTEAMENTOS
Mas o que está provocando a vinda de javalis para LOUVEIRA? O patriarca Augusto Cestarolli tem uma explicação: “Deve ser por falta de comida. Os loteamentos vão crescendo, aqui mesmo estamos cercados de condomínios, e tanto asfalto e cimento afastam os javalis, e não só eles, outros animais e aves também. Os javalis perderam o seu lugar natural para encontrar comida e agora vão para onde ainda tem mato e plantações em busca do que comer”, supõe Augusto Cestarolli.

CAÇA É PERMITIDA
Capaz de destruir até 60% da safra e de atacar animais domésticos, o atual inimigo dos produtores agrícolas das regiões Sul e Sudeste não pertence à fauna brasileira. Em quantidade desordenada, o javali-europeu (Sus scrofa), também conhecido como porco selvagem, é uma ameaça às lavouras, nascentes dos rios e também à saúde humana. O animal, que não é nativo e não tem predadores naturais no Brasil, é considerado uma espécie invasora pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que em 2013 regulamentou a caça como medida de controle populacional do bicho – é a única caça, aliás, permitida no país.

 

 

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