LOUVEIRA: Jorge Lemos, um grande cidadão que faz parte da história da nossa região

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O escritor Jorge Lemos, um ícone da intelectualidade na região

Ícone da intelectualidade metropolitana, escritor de sucesso, jornalista a toda prova, produtor cultural incansável, leitor assíduo, escritor e poeta consagrado, não só no país e região, mas também no além mar, em Portugal, onde seus livros são disputados nas livrarias da península como nos países da lusofonia. Estes são apenas alguns sinais, mas que já podem identificar o notável homem das letras de 87 anos, Jorge Alfredo Gomes Lemos, que é também o fundador da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências (Amlac) e alvo de merecida homenagem realizada na semana passada no Centro de Educação Profissional de VINHEDO (Ceprovi), prestada por seus colegas acadêmicos, e que foi compartilhada por seus companheiros do Lions, amigos e leitores. Aliás, Jorge é também fundador do Lions Clube de LOUVEIRA, e de outras duas ONGs (Organização Não Governamental) da região, além de entusiasta na concepção desta FOLHA NOTÍCIAS há 19 anos. A reportagem da FOLHA NOTÍCIAS encontrou Jorge Lemos no aconchego de seu escritório na chácara onde vive com sua ‘eterna’ companheira Estefânia, em LOUVEIRA, para um ‘dedinho’ de prosa com os nossos leitores que não se cansam de acompanhar os seus textos publicados semanalmente na coluna cativa que mantém no jornal. Seguem alguns trechos da entrevista.

FOLHA NOTÍCIAS (FN): Caro Jorge, conte para os nossos leitores como se deu a fundação da Amlac?
Jorge Lemos (JL): Tudo começou quando em 1986 tentei criar a Casa da Cultura em VINHEDO, que chegou a ser fundada, mas sofreu uma intervenção política e não foi adiante. Mas nós não nos demos por vencidos e continuamos na luta em torno da valorização do escritor e dos artistas de VINHEDO e região. Eu sou o primeiro autor a lançar um livro em VINHEDO, a saga ‘O Camelo’, uma trilogia que teve o primeiro volume lançado na antiga agência da Caixa Econômica Federal. Compareceram 360 pessoas, um recorde para a cidade que não tinha muita atividade cultural.

FN: Um sucesso realmente. E o que aconteceu a partir daí?
JL: Nessa ocasião, eu já integrava o Lions de VINHEDO e resolvemos fundar o Lions de LOUVEIRA, com a participação de vários intelectuais, entre eles o querido e finado José Ademir Tasso. Nesse embalo fundamos também em LOUVEIRA uma entidade de cunho ecológico chamada Ipal (Instituto de Pesquisa Ambiental de LOUVEIRA), isto no ano de 2001. O Ipal teve uma projeção muito grande porque conseguiu pela primeira vez no Brasil o embargo de uma obra em andamento que não possuía o EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental). Na realidade, tratava-se de duas obras, do Hopi Hari e a do Wet´n Wild. Além disso, havia um projeto de colocação na Fazenda Bahia de mais 19 empreendimentos sem os devidos estudos e relatórios de impacto ambiental. Tudo isso com o apoio do governo estadual, e nós intervimos através do Ministério Público (MP) evitando o imenso impacto ambiental naquela área. Foi uma grande vitória para nós. Conseguimos embargar as obras por seis meses, até que se fizesse o devido estudo ambiental nas duas e impedindo as demais.

FN: E as atividades literárias, como estavam?
JL: A região na época era desprovida de todo tipo de vida cultural. Então fomos procurar a secretária de Cultura em VINHEDO, que era a esposa do prefeito Jonas Ferragut, a dona Nilza Ferragut que apoiou o projeto ‘Expolivro’, e graças ao seu apoio o projeto aconteceu durante os quatro anos da gestão de Jonas Ferragut. O projeto contou com a presença de vários de renome do Brasil, do estado e região. Aí pensei em desenvolver no Lions algo que promovesse a cultura de VINHEDO e criamos o 1º Encontro de Arte e Cultura de VINHEDO, que foi realizado durante 10 anos. Só no primeiro ano tivemos a participação de 120 artistas plásticos que expuseram as suas obras. Foi um tremendo sucesso. Realizamos também um concerto de música clássica que teve a utilização de um piano de cauda. Nesse momento teve início o desenvolvimento da arte e da cultura na cidade, com muito sucesso por sinal, ao longo de uma década.

FN: Mas e o livro, a leitura e a literatura?
JL: Diante do resultado dos Encontros de Arte e Cultura de VINHEDO fui tomado de entusiasmo e então tive a ideia de criar uma entidade que congregasse os talentos que existiam mais individualmente. Seria uma Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências, porque percebi que se fosse concentrada em uma só cidade não teria muita chance de progredir, daí a dimensão ‘metropolitana’ abrangendo escritores e artistas de cidades desde Campinas a Jundiaí.

FN: E como foi a aceitação da novidade?
JL: Muitos torceram o nariz, não acreditaram. Mas vieram participar da Amlac os maiores e mais representativos nomes da região, de Campinas a Jundiaí. Só que tudo isso não existiria sem o apoio de amigos do Lions que acreditaram plenamente em mim, como a Ivete Consolo, a Vivi Duarte e o Aldo Fredy. O sucesso da Amlac repercutiu em outras entidades culturais da cidade e a Prefeitura começou a realizar concursos literários. Porém, de forma lamentável eu tive que deixar a Amlac. E me recolhi em casa, na minha pequena chácara. Mas tive a sorte de ser bem recebido em outro país, como Portugal, onde meus livros são amplamente aceitos.

FN: E no Brasil?
JL: Infelizmente em nosso país a leitura não é valorizada. O livro e a literatura são desprezados a ponto de um ex-presidente da República dizer que nunca leu um livro, enquanto na Argentina, só em Buenos Aires, existem mais livrarias que em todo o Brasil. E para minha tristeza, depois da minha saída, ocorreu um marasmo na Amlac, ficando tudo do jeito que estava. Portanto, essa homenagem que me foi prestada significou muito para mim por me encontrar afastado da Amlac. A atual presidente, a Maria Teresa Negreiros, é uma pessoa espetacular, minha companheira de Lions. Sem falsa modéstia, acredito que a homenagem foi merecida depois de ter recebido o título de Cidadão Vinhedense através do vereador Hamilton Port, o que muito me honra. Sei que tenho uma história, e ela não vai parar por aqui, a não ser quando eu trasladar (risos). Mas enquanto estou vivo, é muito bom receber homenagens devidas. Ainal depois de morto que prazer eu teria? (mais risos).

FN: Fale um pouco sobre a sua ‘militância’ após aposentadoria
JL: Aposentei-me como gerente de comunicação do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) em 1982 e fiquei na região. O trabalho no Dersa me proporcionou conhecer a maioria dos prefeitos de Campinas a São Paulo, e também as principais necessidades de cada município. Sempre procurei ajudar no atendimento dessas necessidades. Depois tive a chance de comprar esse ‘paraíso’ que é a minha ‘Quinta’, o que me levou a muitas lutas porque vários prefeitos queriam destruir a belíssima natureza em torno, simplesmente para ‘tirar cascalho’, o que felizmente não progrediu.

FN: E como jornalista, como foi sua atuação?
JL: Olha, como jornalista eu passei por todos os órgãos de imprensa importantes de São Paulo e do Brasil, como Diários Associados, Última Hora, entre tantos. Trabalhei com Monteiro Lobato que dizia “se não cuidarmos de nossa infância e juventude e encaminhá-los nunca seremos um país”. Fiz várias entrevistas importantes, com o Guilherme de Almeida, Carlos Drummond de Andrade e meu amigo Thiago de Melo.

FN: Qual a sua visão atual da cultura em LOUVEIRA?
JL: Hoje tem muitas pessoas que são idealistas, mas não quero falar de uma só cidade, mas de todas que fazem parte da região. Parati é uma cidade pequena, mas realiza um encontro literário anual que congrega centenas de intelectuais da região e do mundo inteiro. Isso também pode e deve acontecer por aqui.

Fundador da Amlac, o jornalista, escritor e produtor cultural, recebeu diploma de Honra ao Mérito, na semana passada, no Ceprovi, em VINHEDO

Fundador da Amlac, o jornalista, escritor e produtor cultural, recebeu diploma de Honra ao Mérito, na semana passada, no Ceprovi, em VINHEDO

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