LOUVEIRA: Jr. reinaugura ETE, mas previsão é de 5 anos para coleta total de esgoto

A5_LOU_Outra 2_cred Gegeu Maia (78)

A Prefeitura de LOUVEIRA inaugurou pela segunda vez, desde que foi construída, a Estação de Tratamento de Esgoto do município, depois de muitas denúncias e vários problemas. Em cerimônia realizada com a presença dos prefeitos Júnior Finamore (LOUVEIRA) e Jaime Cruz (VINHEDO) – bem como da vice-prefeita Neusa Orestes, do gerente da Cetesb/Campinas, Hélio Úngari, de secretários, vereadores dos dois municípios e de cerca de 100 funcionários comissionados – o que se viu foi uma sucessão de pronunciamentos constrangedores e informações desencontradas.

Como exemplo, Finamore se declarou “feliz de poder ver o equipamento funcionando, melhorando a qualidade de vida do louveirense.” Se desdizendo no minuto seguinte, o prefeito louveirense afirmou, no entanto, que “ainda falta a parte mais difícil” (se referindo à necessidade de o município investir na construção de cerca de 20 quilômetros de interceptores de esgoto – rede que não existe e, portanto, não há coleta dos dejetos dos bairros da região central nem do Santo Antônio).

Discurso semelhante havia sido feito, momentos antes, pelo próprio secretário de Água e Esgoto, Sinésio Scarabello Filho. “Estamos trabalhando para construir mais emissários e interceptores para coletar o máximo possível de esgoto”, afirmou Sinésio.

Sem realizar a coleta do esgoto total da cidade e, portanto, sem conseguir tratar 100% dos dejetos gerados pelos louveirenses, Júnior Finamore comandou uma ‘inauguração’ que recebeu, dos opositores, a classificação de “eleitoreira”. No site oficial da Prefeitura, o título utilizado para abordar o assunto também dava margem a múltiplas interpretações: “Prefeitura inicia operação regular da Estação de Tratamento de Esgoto”.

Já na saída do evento, o prefeito vinhedense Jaime Cruz adotou tom diplomático para falar do assunto e comentou, apenas, que tem a “expectativa da melhoria dos serviços”. Já o vereador Edu Gelmi, da mesma cidade, definiu como “paliativa” outra medida anunciada por Sinésio Scarabello (que informou que, enquanto LOUVEIRA não tratar 100% de esgoto, passará a lançar os dejetos num trecho do rio Capivari que fica depois dos limites de VINHEDO).

SINÉSIO: ‘ATÉ AGORA,

FOI A PARTE FÁCIL’

De acordo com o secretário de Água e Esgoto, 90% dos domicílios de LOUVEIRA têm rede coletora de esgoto. O problema começa na falta de transporte desse esgoto para a estação. “Hoje, temos 65% de interceptores construídos”, diz Sinésio. (A Prefeitura, em seu site, diz que este número é de 60%)

Sinésio informa, ainda, que é necessário construir cerca de 20 quilômetros de interceptores de esgoto e outros 40 quilômetros de rede coletora. Na cerimônia de 29/4, o secretário afirmou que há uma licitação “sendo preparada” para contratação de empresa que se encarregará de construir de 8 dos 20 quilômetros de interceptores. “Serão duas obras diferentes, uma de 3 quilômetros; outra com 5 quilômetros”.

Mas, segundo Sinésio, essas obras são problemáticas. “O mais fácil foi feito no passado. Já estes 20 quilômetros são a parte mais difícil, porque serão necessárias intervenções sobre ferrovia, ‘travessia’ sob a rodovia Romildo Prado e também sob a Anhanguera. São obras demoradas e complicadas”, comentou. Sinésio prosseguiu: “Você quer uma previsão otimista?”, perguntou para a FOLHA. “Pode calcular, aí, uns 5 anos, pelo menos…”

Nesse sentido, a reportagem questionou o secretário sobre a importância da inauguração. “Nós estamos comemorando o funcionamento pleno da estação que, por falta de investimentos em outros governos, estava abandonada”.

A Prefeitura de LOUVEIRA, assim, tratou de dar um ‘banho de loja’ na estação de tratamento de esgoto (ETE) – mas esqueceu de usar um bom perfume francês para disfarçar o mau cheiro – da própria ETE e da (re)inauguração do local, feita a toque de caixa e em ano eleitoral, assim como aconteceu em 2012, no governo do ex-prefeito Valmir Magalhães.

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