LOUVEIRA: Morador vai a pé da Santa Casa ao bairro por falha da Saúde

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A moradora Cleonice Gama de Oliveira, residente à rua Amando Tasso, no Santo Antônio, procurou a redação da FOLHA NOTÍCIAS para denunciar o mau atendimento do sistema de transporte da Rede Municipal de Saúde de que foi vítima por ocasião do acidente com seu filho de dois anos, que sofreu um corte na testa e foi imediatamente encaminhado ao PA do bairro, sendo atendido às 18h30 pela pediatra, dra. Marinela. Como o corte foi muito perto do olho, a médica, por questão de segurança, achou por bem encaminhar o garoto a um cirurgião na Santa Casa.
VIA CRUCIS
Mas aí é que começaram os problemas, a ‘via crucis’ de dona Cleonice e sua família. A ambulância que levaria a mãe, a criança e o pai até a Santa Casa só apareceu por volta das 20h30. Chegando ao hospital, o médico cirurgião não foi encontrado porque tinha saído para atender a uma ocorrência e só voltou às 21h40. Ao chegar, ele atendeu prontamente a criança, mas a família ficou esperando a ambulância que a levaria de volta até perto das 23h30. Como o menino estava até àquele horário sem comer nada, pois tinha jantado às 18h, a família resolveu ir andando, o que já fizera outras vezes, da Santa Casa ao bairro, porque a ambulância demorava demais em aparecer. Pela bênção de Deus, uma pessoa no posto de gasolina se comoveu com aquela situação e se dispôs a levar a família em casa.
“Não tem como esperar duas horas para ir e mais duas para voltar, e mesmo assim a ambulância não chegar. É muita má administração, não estão sabendo gerenciar a saúde de LOUVEIRA. O atendimento por parte dos médicos, da pediatra, muito boa por sinal, e do cirurgião, não tenho do que me queixar. Mas esse serviço de transporte é um absurdo. E não foi só desta vez, nem só com a gente. Sabemos de vários casos de amigos e vizinhos que sofreram e sofrem do mesmo problema: falta ambulância e UTI Móvel. Outra coisa que não dá para entender é que a ambulância da Santa Casa não pode levar paciente ao bairro, só a ambulância do PA pode fazer. Então, as pessoas ficam correndo risco de morte por causa dessa burocracia toda. E o pior é que tem ambulância, mas faltam motoristas. E tudo isso está ocorrendo porque a cidade não está sendo bem administrada”, opina Cleonice.
HUMILHAÇÃO
O marido de Cleonice também se mostrou indignado com o ocorrido. “Não adianta ter um bom atendimento se o serviço de transporte é falho. Desta vez uma pessoa nos trouxe, porque estávamos famintos, cansados e humilhados com essa situação. Parece que eles se divertem com o sofrimento da população. Tive um irmão que se acidentou e teve deslocamento do fêmur. Fizeram raios-X e disseram que não tinha nada. Foi piorando e teve que ir para Jundiaí por causa de um diagnóstico errado. Com minha avó aconteceu a mesma coisa, diagnóstico errado. A má administração se reflete em tudo, afeta todo o serviço do hospital. Tem que funcionar tudo bem, do transporte ao atendimento médico. Dizem que tem educação na cidade, mas sem saúde não adiante ter educação. Ainda mais se tratando de uma cidade rica como LOUVEIRA. Se fosse em uma cidade pobre, dava até para compreender, mas não em LOUVEIRA, na região mais rica do estado e do país, é muita incompetência o que está acontecendo na Administração Pública de nossa cidade. Uma tristeza”, dispara.

Samu regional depende de verba

A regionalização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) – que seria ampliado para as sete cidades que compõem o Aglomerado Urbano de Jundiaí, inclusive LOUVEIRA – é assunto que vem sendo debatido entre os municípios do AUJ (Aglomerado Urbano de Jundiaí – a qual LOUVEIRA pertence). O problema maior diz respeito ao financiamento do serviço. Jundiaí, por ser a maior cidade, se encarregaria pela centralização do atendimento – mas é preciso buscar meios para bancar os custos da ampliação. O Samu de Jundiaí atende, em média, dois mil casos por mês. O serviço conta com 10 ambulâncias e 120 funcionários no total (dos quais 30 são médicos). A Secretaria de Saúde de Jundiaí informa que o custo mensal do Samu daquele município é de R$ 500 mil. O tempo médio gasto para atendimento é de 17 minutos. Uma das propostas que está em discussão para o Aglomerado Urbano seria uma ambulância ‘básica’ para cada município e mais duas ambulâncias com o suporte de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que atenderiam toda a região. O custo de cada ambulância é subsidiado pelo Ministério da Saúde em 30%.  O presidente do Aglomerado Urbano de Jundiaí, o prefeito de Cabreúva, Henrique Martin, discutiu a questão da implantação do Samu regional em reunião que manteve no último dia 20 de setembro com a diretora da Regional de Saúde de Campinas (DRS-VII), Márcia Bevilacqua. Henrique informa que o assunto tornará a ser discutido na próxima reunião dos prefeitos que compõem o AUJ. Ao mesmo tempo, o assunto também é objeto de debate entre os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). O secretário estadual de Saúde, David Uip, se reuniu mês passado, com representantes dos municípios da RMC, para discutir a implantação do Samu Metropolitano de Campinas. Nesse caso, o serviço, quando estiver implantado, beneficiará pacientes e usuários de VALINHOS e VINHEDO. David Uip está conversando com o Ministério da Saúde para unificar os sistemas de atendimento do Grupo de Resgate e Atendimento de Urgências (Grau), custeado pelo estado, com o Samu, custeado pelos municípios e pelo Governo Federal.

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