LOUVEIRA: Município perde 2 mil empregos em quatro anos

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Depois de LOUVEIRA ganhar manchetes em todo o Brasil, quando a economia do município criava mais de 3 mil postos de trabalho formais num curto período de tempo, agora a situação se inverteu. A crise chegou e os dados mostram que a cidade enfrenta grande problema de desemprego quando comparada aos municípios da região.

São exatamente 1.935 trabalhos formais perdidos desde 2013, último ano em que, segundo o Ministério do Trabalho, houve mais admissões que demissões na cidade. De lá pra cá, o total de demissões é muito maior que de novas contratações. Foram 595 postos de trabalho fechados em 2014, número que subiu para 1.097 em 2015 e que já está, até maio deste ano, em 686 vagas a menos na economia louveirense.

Enquanto isso, as vizinhas VALINHOS e VINHEDO vão passando ao largo da crise com ‘armas’ diferentes. Enquanto VALINHOS foi uma das três cidades da região a registrar crescimento nas exportações, VINHEDO ‘ganhou’ uma Lei de Incentivos Fiscais, assinada em março último, que continua atraindo novas empresas.

Foi, aliás, a partir de leis semelhantes, assinadas em 2002, pelo então prefeito Benedicto dos Santos, que LOUVEIRA experimentou o seu auge na economia. Depois que ‘Dito dos Santos’ sancionou as Leis Complementares 1.551/2002 e 1.602/2002 (em que concedia, entre outros benefícios para atrair novas empresas, isenção de taxas de funcionamento e de pagamento de IPTU, bem como assessoramento em relação a contratos com os órgãos públicos), LOUVEIRA viu o número de suas indústrias dobrar – e, por consequência, cresceram também os setores comercial e de serviços. Mais de 3 mil empregos foram criados entre 2005 e 2007. O total de empresas na cidade saltou de 715 para 1.736 naquele período.

Lei já existia, mas

outra foi criada

A partir de 2013, no entanto, a situação começou a mudar. A principal diferença foi que a Lei de Incentivos Fiscais implantada anos antes foi ‘esquecida’ pela atual Administração – até o ponto de o prefeito Nicolau Finamore Júnior promulgar nova – e semelhante – legislação. Porém, foi uma providência tardia e que teve pouco resultado. Em novembro de 2015, ou seja, já em seu terceiro ano de gestão, Finamore sancionou projeto de lei estipulando incentivos fiscais às empresas interessadas em montar unidade em LOUVEIRA. Na ocasião, o prefeito explicou que o objetivo era ‘também, manter as empresas já instaladas, mesmo durante o período de recessão’.

Ele não obteve sucesso, e algumas das gigantes empresas instaladas optaram por deixar a cidade, o que contribuiu para o atual índice de desemprego.

Se, até 2012, LOUVEIRA atingia destaque nacional, o panorama mostra que, agora, a cidade é a que mais fechou vagas num curto período. Foram 686 postos de trabalho somente nos cinco primeiros meses de 2016. Este desemprego é, para alguns economistas, o pior resultado da economia de LOUVEIRA das últimas duas décadas. É bom lembrar que no Governo de Junior Finamore, perdeu-se mais empresas e estabelecimentos comerciais do que abriram. É o pior resultado na geração de riqueza, e na geração de empregos, nos 51 anos de história de LOUVEIRA.

Louveira na contramão de Vinhedo e Valinhos

LOUVEIRA vai assim na contramão de municípios como VALINHOS e VINHEDO. VINHEDO lidera o ranking das cidades que mais abriram vagas em 2016, com 1.049 postos de trabalho (resultado que tende a crescer após a promulgação, em março, de uma Lei de Incentivos e Benefícios Fiscais para as novas empresas). Já VALINHOS mostra crescimento em suas exportações no primeiro trimestre do ano, de 29,22%.

Sofrendo com o desemprego, há até quem pense em voltar para a terra natal, como o casal Neclésia e Almir Rogério Lima. Ele trabalhava em uma indústria louveirense e foi demitido há três meses. A mulher foi dispensada um dia depois do marido. E o desespero está batendo à porta.

Quem também está preocupada é Pamela Araújo, 27 anos, moradora na região central de LOUVEIRA. O último trabalho dela já não rendeu o esperado: foi ‘a bordo’ do Instituto Free – empresa contratada pela Prefeitura para controlar o acesso em prédios públicos e que foi acusada de dar calote nos funcionários terceirizados. Pamela afirma que não foi registrada nem recebeu pelo trabalho que realizou até fevereiro. “De lá prá cá, tenho feito contatos, algumas entrevistas, mas nada de concreto”, relata.

Thais Garcia de Grocco está sem trabalhar desde o final do ano passado, quando foi demitida da DHL. “Nunca fiquei tanto tempo sem trabalhar – e tenho procurado, inclusive fora de LOUVEIRA. Este prefeito que está aí só piorou nossa situação. Estamos sofrendo muito”, afirma.

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