LOUVEIRA: Prefeito Estanislau Steck faz balanço dos primeiros seis meses de gestão

O prefeito de LOUVEIRA, Estanislau Steck, concedeu entrevista exclusiva ao jornal FOLHA NOTÍCIAS e fez um resumo dos seis primeiros meses de gestão. Mas também contou novidades para a equipe de reportagem: projetos novos e revolucionários, como uma ampliação e reforma da Santa Casa, um Anel Viário que envolve toda cidade, a construção de mais parques, o projeto de uma segunda represa e a criação de uma escola profissionalizante no lugar do ‘esqueleto do teatro abandonado’, entre outras benfeitorias.

Ainda segundo o chefe do Executivo, as maiores conquistas nestes 180 dias foram na área social, com os projetos de auxílio aos comerciantes e à população durante a Pandemia. “Renovamos a cesta básica e o cartão alimentação e conseguimos reduzir o preço da tarifa de ônibus. O subsídio da passagem era uma pretensão antiga e faz parte de um novo projeto de transporte público em LOUVEIRA”, destacou Estanislau, que quer tornar a cidade referência em transporte público na Região. 

“Teve também a questão da saúde. Conseguimos montar um Hospital de Campanha em tempo recorde. Já o ampliamos e estamos agora ampliando-o novamente, equipando-o com que tem de melhor, com usina de oxigênio, catéteres de alto fluxo e uma farmácia que não existia e está funcionando dentro do Hospital deCampanha. Isso também era uma necessidade. As pessoas saíam do atendimento e não tinham onde pegar o remédio. Agora têm. Estamos nos esforçando para, dentro desse contexto de Pandemia, melhorar muitas coisas na vida do louveirense”.

FOLHA NOTÍCIAS (FN) Quais as maiores dificuldades da atual Administração nestes primeiros seis meses?

ESTANISLAU STECK (ES) – Na questão da Pandemia, imaginava que encontraria um cenário já resolvido, com a cidade voltando ao normal, os eventos, as obras, mas tivemos que adequar tudo isso e agir com muita responsabilidade. Enfrentamos as dificuldades, tentamos comprar vacinas e nos libertar do fluxo dos governos Estadual e Federal para resolver direto, mas encontramosmuitas dificuldades e acabamos tendo que nos submeter ao projeto de vacinação como um todo. A gente esperava que fossem liberar para os municípios também tentarem resolver mais rapidamente. Na questão de gestão na saúde, pegamos uma estrutura administrativa muito complicada e que nós só vamos resolver com uma reestruturação feita nos padrões de gestão pública, que preze pela eficiência e pela qualificação das pessoas. Hoje não dá mais para pensar em funcionalismo público como cabide de emprego. Para ser funcionário público tem que ser capacitado, ter nível superior e estar preparado para o cargo. Essa é uma dificuldade. Não conseguimos impor uma reestruturação, a criação de uma Secretaria de Recursos Humanos (RH), que é um projeto nosso. Na verdade, estamos fazendo do limão uma limonada, mas ainda sofrendo pela questão da estrutura administrativa.

FN – Em que a Pandemia atrapalhou os projetos previstos para os primeiros seis meses de Governo?

ES – Atrapalhou muitos setores, especialmente a educação. Esse tem sido um assunto que tem me tirado o sono, porque nós já queríamos ter voltado com as aulas presenciais. Olhamos todas as dificuldades das famílias nessa situação e vemos que as crianças estão tendo um prejuízo muito grande. O principal projeto nessa área foi a implantação da Plataforma Digital de Ensino e, agora,vamos entregar 4.100 tablets para os alunos. A gente vai sociabilizar a educação on-line e remota. Hoje, mais de 50% das crianças não têm uma aula on-line eficiente por falta de estrutura de aparelho e sinal de internet. Com esses tablets, vamos melhorar isso, com o sinal de internet sendo configurado somente para aulas e consequentemente para a educação. Mas eu gostaria de ver as crianças comendo a merenda. 

FN – Tem ainda a ideia de incentivar a prática esportiva e a cultura nas escolas, não é mesmo?

ES – Com certeza. Temos vários planos para integrar o esporte e a cultura dentro da escola, realizando um ensino integral de qualidade. Tudo isso está sendo adiado por causa da pandemia. Estamos trabalhando para fazer nossa parte, mas ainda tem muita gente que insiste em aglomerar, fazer festas e eventos, não usar máscaras. Passamos por uma ‘explosão’ de casos logo depois do final do ano passado, quando muitos cidadãos acabaramabusando. Hoje, estamos sofrendo por isso. Agora estamos numa nova tendência de queda, mas esse período de inverno é o pior. Ele facilita a proliferação do vírus, quando as doenças respiratórias acontecem com maior facilidade. E nós já vimos festas de São João na cidade, muita gente querendo festejar, como se tivesse tudo normal, e não está ainda. Isso chateia um pouco, mas a nossa parte nós estamos fazendo. Estamos fiscalizando, fechando, multando, procurando conscientizar e ajudar aqueles estabelecimentos que não podem abrir. Nós temos como ajudar um pouco. Não vai resolver 100%, mas a gente entende que as pessoas precisam. Pedimos paciênciaa todos. Todo mundo deve fazer sua parte para que a gente passe mais rápido por esse período de Pandemia.  

FN – Quantas empresas receberam o ‘Auxílio Pandemia’ da Administração e qual o valor investido pela Prefeitura?

ES – Calculamos que termos na cidade pouco mais de 500 estabelecimentos comerciais, como salões de cabeleireiro, bares, locais de eventos, áreas que foram as mais afetadas.Estamos fechando em torno de 450 benefícios. O período era de três meses, mas como muita gente demorou para se cadastrar, a gente foi abrindo o prazo, porque fomos procurando facilitar ao máximo. Inclusive eu determinei que fossem emitidos os alvarás provisórios seguindo a lei da micro e pequena empresa, lei do Sebrae, geral da micro e pequena empresa, para poder ajudar mais pessoas. O valor previsto era de R$ 1,6 milhão, que era o valor que a gente anulou a dotação da Festa da Uva e do Carnaval.

FN – Até quando a Administração vai continuar ajudando a população carente com cestas básicas e vales de R$ 200 (no popular, o ‘auxílio emergencial da Pandemia’)?

ES – Agora em julho termina o prazo da lei que instituiu o auxílio, que previa que ele seria mantido por todo o primeiro semestre. A gente vai entregar essa rodada a partir desta semana, tanto o cartão quanto a cesta, e vamos continuar com os dois no segundo semestre. Nosso pessoal da área técnica já está avaliando o cenário para ver por quanto tempo e para quais faixas da população vamos manter a cesta e o cartão a partir de agosto.

FNCite as ações de grande relevância para o povo louveirense efetivadas nestes seis meses.

ES – Na Saúde foi a questão do Hospital Campanha e toda estrutura da Santa Casa que a gente reforçou. Contratamos muita gente e triplicamos o número de leitos de UTI. Hoje, em relação à COVID, LOUVEIRA pode ser comparada aos hospitais de JUNDIAÍ e de São Paulo. Nosso índice de recuperação na UTI é muito alto, perto do que se vê em outros hospitais da Região. Enxergamos que é sinal de que o investimento tem dado certo, porque uma vida não tem preço. Estamos focados nisso. Realizamos recentemente o concurso público no qual foram convocados médicos, pediatras, ginecologistas, clínicos gerais, fonoaudiólogos efisioterapeutas. Eu não pude iniciar um concurso esse ano, por causa da lei do 173 do Governo Federal, que não deixa a gente aumentar gastos com pessoal, mas esse concurso já estava vindo do ano passado. Conseguimos a liberação e estamos com falta de médicos na Rede Pública de Saúde, então, mesmo com esse que a gente está chamando, precisaremos pensar num projeto para zerar as filas. Herdamos uma fila muito grande e a Pandemia tem atrapalhado na questão de saúde. Quanto à cidade em si, nós tocamos as obras que estavam acontecendo. Eu paralisei a obra do estádio municipal porque vamos refazer o projeto, que era muito complicado. O projeto previa um custo elevado e não resolvia o que precisava. Se você gastar, tem que resolver. Estamos deixando o nosso estádio nos padrões da CBF e vamos aumentar a capacidade para quatro mil pessoas, além de poder mandar jogos de times profissionais quando a gente entregar a obra completa. A obra da Associação Equestre está em fase final, mas só o salão, e precisamos fazer todo o entorno. Quero tornar aquele espaço um parque público para as pessoas poderem caminhar durante a semana, ouandar de bicicleta. Isso porque ele é central e fica ao lado do estádio, então é um local que a gente pode também aproveitar nesse sentido. Também entregamos a Fazenda Santo Antônio, que foi uma fazenda histórica que transformamos num parque. Agora queremos restaurar a sede, que está atualmente interditada. Aquele é um espaço muito agradável. O que está acontecendo com a Pandemia é que as pessoas estão com os ‘nervos à flor da pele’. Vejo que uma maneira de você extravasar, melhorar a parte psíquica, é praticar caminhada, vendo coisas novas.Estamos também criando calçadas. O município tem muito lugar que não tem calçada. Por isso, resolvemos abrir esse trecho do parque até na área de lazer. Agora vamos concluir as obras de infraestrutura, tirando aquelas curvas, melhorando o fluxo de veículos e dando mais segurança para o pedestre. O pedestre tem que andar na calçada, não no meio da rua. Nós queremos estimular as pessoas a andar mais, a usar mais bicicleta, só que de uma forma segura.

FNE tem ainda o Anel Viário…

ES – Certamente. Outra importante obra que nós precisamos agilizar, e que já estamos cuidando da parte política, inclusive, é o Anel Viário. Já me reuni com a diretoria da P&G e estou fazendo contatos com a Artesp e a AutoBAn. No momento certo a gente vai buscar ajuda do Governo do Estado de São Paulo para fazer toda a liberação dessa obra. A partir do trevo da P&G a gente vai iniciar a primeira fase do anel viário, mas em um mandato não dá para fazer ele todo. Trata-se de um anel que hoje está orçado em R$ 500 milhões e tem uma extensão de 22 quilômetros. Esta obra vai impulsionar a economia e a mobilidade urbana na nossa cidade. 

FN – Prefeito, você  chegou a paralisar as obras da gestão anterior para auditoria e fiscalização. Encontrou alguma irregularidade em alguma delas? E quando elas serão entregues? Por exemplo, a restauração da Subestação, estrutura da Associação Equestre, novo Terraço e Represa…

ES – A gente fez adequações. Eu paralisei, por exemplo, a obra do estádio porque realmente achei um absurdo gastar e não resolver. Melhoramos o projeto. O restante estamos concluindo, como o espaço de esporte da Praça do Terra da Uva. Lá realizamos algumas mudanças: a calçada ali tinha que ter de dois a três metros. É uma rua movimentada, mas o projeto previa quase meio metro. Então a gente resolveu mudar. Temos a escola da Vila Pasti e o CEIL do Bairro Santo Antônio, que também está caminhando bem. Decidimos trocar a grama do campo, porque é um gramado onde já foram gastos milhões sem resolver, então agora nós vamos investir recursos e resolver. Vamos colocar grama sintética, uma grama similar ao que tem no Allianz Parque (estádio do Palmeiras), porque podemos usar tanto para educação quanto para o esporte. Fazer rodada dupla, tripla, quádrupla… A grama sintética dura muito mais e tem muito menos manutenção. Tem um custo-benefício muito bom. Já o gramado natural não se mostrou eficiente. Já foi reformado várias vezes e isso gera custos para o município. O Terraço nós readequamos o projeto, fazendo vagas para estacionamento. Isso foi uma reivindicação dos comerciantes do local que eu descobri conversando com eles. Eu vejo que, quando uma obra causa impacto na vida das pessoas, temos que conversar com quem está por perto, com quem tem interesse. A Prefeitura tem que ser aquela que executa, mas enxergando a vontade das pessoas. Agora nós estamos com um projeto de fazer naquela finalização um terminal de ônibus. Nós inclusive estamos adequando a barraca do Zabé, que está naquele local, em comum acordo com ele e a família. Vamos ceder outro espaço e realizar ali uma readequação que não estava prevista no projeto. A represa a gente recebeu como pronta, mas não está. Teve uma chuva em fevereiro que encheu a represa, mas nós fomos obrigados, inclusive com ameaça de intervenção policial, a abrir as comportas. Se nós não abríssemos, iriam vir com a polícia. Ficamos surpresos, porque foi divulgado que estava pronta, mas quando fomos ver estava faltando um monte de documentos e ações. Para termos a licença de operação, tivemos que ir atrás de licença provisória. As comportas já estão fechadas, só que não choveu mais daquela forma. Nesse contexto todo, deu para ver que é um negócio que está muito próximo do colapso. Por isso até que a gente bloqueou os loteamentos, condomínios. Não dá para ficar trazendo gente pra cá, enchendo de casas e loteamentos,sendo que não tem como oferecer água, esgoto e infraestrutura básica. Na questão da represa, estamos licitando a finalização do projeto, que seria a construção da caixa de areia, logo depois da Abadia, antes do Jardim Nova América, além da urbanização de todo o traçado em volta, fazendo uma rua com piso intertravado, com uma cerca de proteção na volta toda que tem dois quilômetros. No futuro, queremos que se torne um parque público. Já licitamos também todo o reflorestamento, porque tem uma compensação ambiental muito grande. Foram arrancadas e destruídas muitas árvores. Com isso, temos que compensar o entorno. Toda a área do entorno dela será reflorestada. Estamos caminhando para entregar esta melhoria até o final do ano.

FN – Quais foram os investimentos na área de Saúde nestes seis meses? Quanto foi gasto e o que foi feito para amenizar os efeitos da Pandemia?

ES – Acho que o mais relevante foi, sem dúvida, todo o investimento feito no combate à Pandemia. Montamos o Hospital de Campanha, ampliamos a capacidade de atendimento em leitos de UTI e de enfermaria, equipamos essas duas unidades e ampliamos nossa estrutura de RH.

FN – Quais os investimentos na área de Educação nos últimos seis meses?

ES – Acho que o mais relevante foi na plataforma digital. Com ela, tivemos um ganho muito grande. A plataforma digital é uma realidade que vai continuar, porque nós queremos usar essa ferramenta mesmo quando as aulas presenciais voltarem. A gente espera que, até o final do mês de julho, a gente defina isso. É só esperar os números melhorarem. Ela vai ser uma realidade para os educadores poderem fazer aulas de reforço, ou seja, vamos continuar utilizando. 

FN – Os projetos do Anel Viário e do novo Trevo da Anhanguera avançaram nestes seis meses? Em que fase estão? Como está a questão da mobilidade urbana na cidade?

ES – Logo que assumi a Prefeitura, tive uma reunião com a AutoBAn (concessionária do Sistema Anhanguera-Bandeirantes) e outra com a Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo). A AutoBAn nos revelou que em poucos dias iria começar uma intervenção no trevo do quilômetro 71, ali do Burk, que seria ser um paliativo para ajudar na questão dos congestionamentos que estão se formando, mas não fizeram nada ainda. Eu estou aguardando para os próximos dias. No trevo do quilometro 70 eu fiquei surpreso porque a Artesp desconhecia o projeto. Com a ajuda de alguns deputados, conseguimos chegar na agência e protocolar o projeto. Agora temos que discutir com a AutoBAn, porque no nosso entender a Prefeitura entraria com a desapropriação e a obra seria feita no contrato de concessão da AutoBAn. Se isso não está previsto no contrato, eles podem fazer com um aditamento de prazo. O Governo Estadual não paga a obra, só amplia o prazo de concessão. E o nosso governador é favorável a esse tipo de intervenção. Eu fiquei sabendo que no contrato da AutoBAn essa obra nossa representa 30 dias a mais. Então, quer dizer, se aditar 30 dias, eles fazem a obra sem custos. É um custo em torno de R$ 70 milhões, mas que vai impulsionar as nossas empresas no entorno. Então, é uma obra grandiosa.

FN – O que foi feito, ou planejado, para as reservas hídricas e como estão os reservatórios construídos na gestão passada? Estão em uso?

ES – Foi feito um reservatório, que é a nossa represa, e nós temos o projeto da segunda represa que seria no Engenho Seco, mas ainda não temos verba para isso. Então não temos previsão ainda para executar. A segunda represa daria uma independência hídrica à LOUVEIRA pelo menos 30 anos, então a gente vai caminhar para isso. Quando a gente conseguir encher a nossa represa, ela ‘aguenta’ a cidade por pelo menos por uns três meses de estiagem. Tem também a Fazenda Passarinho, que é um lago particular, mas que já foi usado numa emergência. E no ano passado também que abriram o Lago da Fazenda para poder ajudar no córrego. Então, a gente vê que a cidade tem captação do Capivari e do Córrego do Rainha, que pega os lagos ali do CEIL também. LOUVEIRA tem buscado água em vários locais e trabalha no limite. Então, para a gente crescer precisa aumentar a reserva de água eproteger as nascentes, porque a nossa água é superficial e não profunda. Tentaram furar poços artesianos no Monterrey, mas são poços fracos. Por falar no Monterrey, estamos licitando a rede de água, porque queremos parar de levar caminhão-pipa de porta em porta. A ideia é incluir na distribuição de água e coleta de esgoto, fazer uma compacta de esgoto ali na saída para o Engenho Seco, porque ali é uma cabeceira do nosso manancial. Não podemos ter o que está acontecendo hoje: as fossas contaminando o lençol freático. Precisamos tirar essas fossas e ligar numa rede de esgoto.

FN – O que foi feito para a geração de empregos nestes últimos meses?

ES – Temos procurado as empresas e buscado facilitar a abertura de outras empresas. Abrimos um diálogo com o setor para podermos enxergar suas necessidades. O que vemos é que o país está em recessão. Apesar disso, as empresas de LOUVEIRA vêm tendo um aumento da arrecadação. Vamos ter, para o próximo ano, um aumento de orçamento das que estão instaladas. Além disso, estamos investindo em cursos de capacitação de variados temas para ajudar os comerciantes a tocar seus negócios diante dos desafios desse momento. LOUVEIRA, para atrair empresas, precisa ter uma segurança jurídica, que é a questão do Plano Diretor. Eu, se fosse empresário, pensaria antes de investir numa cidade em que o Plano está na Justiça, que um dia pode uma coisa, outro dia não pode. O empresário precisa de segurança jurídica, apoio nos investimentos, em toda a estrutura, e que a Prefeitura seja parceira dele.

FN – A aprovação de novos loteamentos e condomínios ainda está suspensa pelo prefeito. Até quando isso vai perdurar? O que deve mudar para não afetar os mananciais e as áreas verdes do município e o que falta para que o Plano Diretor de LOUVEIRA seja realmente aplicado?

ES – Contratamos a Caixa Econômica Federal e uma assessoria dela na parte imobiliária para fazer avaliações e análises. Vemos que houve uma perda de tempo nessa contratação. Na verdade, tudo no órgão público é mais lento, então a gente teve que ampliar por mais três meses o prazo para liberação dos empreendimentos na cidade, que agora vai até outubro. Estamos liberando o desdobro e algumas aprovações menores, mas os loteamentos mesmo, os condomínios, a gente vai ter mais três meses para concluir o trabalho, calcular o que está aprovado e qual é a necessidade. A cidade precisa saber qual o ritmo em que ela quer crescer, e para onde ela quer crescer. Agora nós estamos em comum acordo com o Ministério Público (MP) e com o Judiciário para refazer essa revisão a partir da contratação de uma empresa, com uma assessoria especializada em urbanismo, e vamos integrar a cidade toda. Nós queremos que as pessoas participem, comunidades, associações, igrejas. Queremos fazer um verdadeiro debate na cidade toda em cima do Plano Diretor para votar um plano que realmente atenda a todos.Um dos pontos centrais que está claro é que o Ministério Público não vai permitir perda ambiental. Temos que adensar as áreas urbanas e preservar os mananciais. Temos áreas urbanas que não estão sendo usadas. A gente quer adensar essas áreas, fazer um crescimento do Centro para fora. O que foi construído no passado, coisas que foram feitas de maneira impensada e estão consolidadas, não tem como você evitar. Hoje, a ideia é que a gente estimule LOUVEIRA a crescer de forma ordenada e planejada. Onde a cidade pode crescer? Nas áreas industriais, comerciais, residenciais, dentro do perímetro urbano, com as ações que nós já estamos realizando com o Promif. Tem o turismo rural também, onde existem vários projetos para agregar valor à propriedade rural. O produtor em LOUVEIRA tem que ganhar bem, tem que estar contente.Quanto ao PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), estivemos em Extrema-MG e vamos adaptar no Plano Diretor um projeto de incentivo mesmo, de pagamento para serviços ambientais. Com isso, a gente quer o PSAnão só do nosso orçamento, porque nosso orçamento é finito. Temos muita coisa para fazer, mas a gente quer começar com o nosso orçamento e atrair investimentos de fora, inclusive crédito de carbono, e que venha dinheiro de fora para compensação ambiental aqui no município.

FN – O que foi efetivado nas áreas de Cultura, Turismo e Esporte nestes seis meses?

ES– Quanto ao Turismo, tivemos agora a formalização do Distrito Turístico formado por LOUVEIRA, VINHEDO, ITUPEVA E JUNDIAÍ. Com centro lá no Wet’n Wild, na região do próprio Serra Azul. Isso inclusive tem chamado muito a atenção das pessoas, então a gente vai explorar muito isso para todas as cidades ganharem. Temos o trem turístico, que é um projeto no qual outras prefeituras participam, mas é um projeto privado. Para você ter uma ideia, tem 6 mil pessoas já inscritas para viajar nesse trem. O circuito sai de LOUVEIRA e vai até VALINHOS. O cicloturismo também está finalizando a contratação das placas para poder sinalizar as rotas, e nós temos um levantamento de que passam por aqui, a cada final de semana, dois mil ciclistas de fora. A gente quer organizar as propriedades, as paradas e os locais para poder receber o socorro tanto da parte médica quanto mecânica dasbikes. Queremos disponibilizar isso e organizar o ciclo turístico aqui em LOUVEIRA. A cultura nós temos feito chamamentos públicos para ajudar o setor, bastante prejudicado com essa pandemia. Fizemos toda a divulgação, muitos artistas se cadastraram e com isso muitas coisas já estão acontecendo: os artistas se apresentando, filmando, tirando fotos ou tocando projetos. Então, a gente quer dentro do que é possível hoje ativar esse mercado. No pós-pandemia a gente quer fazer uma retomada e voltar com os eventos. As pessoas estão carentes disso. A cultura será muito importante nisso, além da preservação dos nossos espaços. Estamos concluindo a restauração da subestação, temos vários projetos para aquele local, em torno da estação ferroviária. Temos projetos para portais da cidade e o que está mais próximo de acontecer é uma ornamentação na passarela da Rodovia Romildo Prado, com a identificação da cidade, Circuito das Frutas… É um projeto do Adélio Sarro, um artista fantástico aqui de VINHEDO, além de portais também nas outras entradas, sentido ITATIBA, JUNDIAÍ, VINHEDO e no Trevo da Anhanguera. Temos o projeto de paisagismo também, que é junto com o Turismo, com a Cultura. A gente pretende melhorar o aspecto da cidade e a sinalização turística, porque não adianta atrair as pessoas sem que elas possam se orientar. O turista, quando vem, tem que saber onde são os pontos e como pode chegar neles com segurança. Não temos parado com os projetos, só que muita coisa está acontecendo on-line, de forma ainda remota, mas a gente espera em breve retomar. No Esporte, estamos com vários projetos acontecendo, desde as reformas das praças esportivas e do estádio municipal, que vai ser um dos destaques do Esporte nos próximos dias. Criamos o projeto de um Centro Olímpico que não estava previsto no nosso Plano de Governo, mas que a gente percebeu que também não dá para fazer de uma vez só, porque ficaria muito caro. Estamos buscando viabilizar com verba de leis de incentivo ao esporte, com as empresas. Só que, para você vender alguma coisa, precisa ter a ideia e a coisa bem concreta. Então, isso nós já temos, mesmo que seja construído em partes. Estamos pleiteando no Governo Federal, através de deputados e parceiros, um centro esportivo que se chama ‘Brasil em Campo’, que é um equipamento com local para prática de atletismo, quadras poliesportivas e vestiários. Um projeto de R$ 1,2 milhão do Governo Federal, você tem que entrar com 25 mil metros. Nós já temos a área e estamos aguardando. Também estou vendo uma área na Abadia para a construção de um centro esportivo. No Parque Capivari, a gente fez uma mudança no projeto original. Estamos licitando novamente e pedimos urgência para entregar esse parque o quanto antes. Queremos que até o final de 2021, comecinho do ano que vem, o louveirenssejá esteja com pelo menos uma parte já acabada, as famílias usando, para que a gente prossiga para a segunda fase dessa conclusão. Com isso, teremos uma área bem dedicada ao esporte e ao lazer no Parque Capivari.

FN – O projeto do Centro Olímpico tem custo estimado e data para início de obras?

ES – Estamos tentando viabilizar o custo, hoje em torno de R$ 80 milhões. Tivemos a visita do presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) que nos relatou que faltam pistas de atletismo sintéticas de boa qualidade no Brasil. A confederação é uma parceira que a gente espera que nos ajude a trazer esses recursos. O local e o projeto nós já temos, mas é um projeto para médio e longo prazo, não é curto prazo não. A gente tem algumas prioridades, inclusive o Anel Viário, que é uma obra caríssima e a cidade precisa muito dela.

FN – Sobre as estruturas abandonadas nas gestões anteriores, como os prédios da nova Santa Casa e do Teatro Municipal, ambos paralisados há 10 anos, há alguma esperança de utilizar estes espaços públicos?

ES – Tentamos fazer o Hospital Campanha lá na naquela ala da Santa Casa. Chegamos a orçar tudo, mas tem uma pendência jurídica que não nos permitiu usar antes de um laudo definitivo daquele prédio. Então a gente contratou uma empresa que se chama Falcão Bauer, que é especialista nesse tipo de laudo, e ela vai preparar o laudo tanto da Santa Casa quanto do teatro abandonado, para a gente poder usar aquela estrutura para uma escola profissionalizante. A partir desse laudo vamos poder tomar as decisões, se vai demolir ou se vai concluir. Atualmente, o prédio da Santa Casa está muito antigo, muito rudimentar. Eu li o relatório que foi feito na outra Administração e há vários problemas, problemas elétricos, de telhado. Vemos que o que já foi gasto ali não resolveu. Então, a gente pretende construir a ala nova e entregar para a população uma Santa Casa com mais qualidade.

FN – Você foi o único prefeito na Região a não ter sofrido ‘baixa’ em seu secretariado nos primeiros seis meses de gestão. Qual a ‘receita’ deste sucesso?

ES – A ‘receita’, se posso falar dessa forma, é que eu não me comprometi, não ‘vendi a alma’ para ser prefeito. A gente tem os compromissos e sempre procura cumprí-los, mas acho que você trocar Secretaria ou mesmo o cargo de vice-prefeito por apoio político e recursos coloca em risco a futura gestão. A gente conseguiu montar um secretariado técnico, que está trabalhando, correndo e ajudando. Temos uma parceria muito grande com os vereadores. Os secretários entendem e sabem do que falam. São especialistas nas áreas. Não inventamos nada e isso é o que tem dado certo. O prefeito sozinho é limitado, ele tem que montar uma boa equipe e essa equipe precisa produzir frutos. Então, eu acho que o grande segredo foi eu ter tido autonomia para poder escolher os secretários. A prova disso é o meu vice, o Ricardo, que chegou praticamente em cima da hora e é um vice que tem atuado todos os dias, me ajudado demais, atendendo as pessoas, as demandas… É uma pessoa franca, em quem eu confio. 

FN – Quais são os maiores desafios até o fim do ano de 2021?

O primeiro desafio é terminar a vacinação, principalmente dos adultos, além também de conseguir vacinar para as crianças e dar mais estabilidade para a nossa população, ter mais segurança para poder voltar ao trabalho, às atividades físicas, culturais, esportivas e religiosas. Que as igrejas possam reabrir plenamente para atender as pessoas. Que a vida volte ao normal. Se não for o normal 100%, pelo menos que ela vá se normalizando. Precisamos fazer avançar algumas obras e projetos que a gente sabe que a cidade tem, e algumas promessas de campanha que nós fizemos. Cada secretário tem um dever de casa para cumprir. Eu estou, dentro do possível, cobrando isso. A gente sabe que o orçamento é finito e que preciso definir as prioridades. Hoje, é a Saúde. Queremos retomar a educação presencial o quanto antes para colocarmos essas crianças na escola com segurança. Precisamos apoiar nossas famílias. Reativamos o Fundo Social de Solidariedade e, através do Fundo e da Assistência Social,trabalhamos pelos que mais precisam. Queremos que o Fundo Social seja um local de formação e de geração de renda. Hoje os empregos formais estão cada vez mais escassos, então a gente tem que investir no empreendedorismo. São ações que estão sendo difundidas por toda a nossa Administração para que a gente cumpra o que foi prometido. Queremos uma cidade mais humana, acolhedora e justa.

FN – Há algum outro assunto que você gostaria de abordar?

ES – Sim, sobre Habitação. Habitação popular. Nós temos mil unidades para entregar e tivemos reunião nessa semana para fazer um balanço. Se acontecer tudo que estamos prevendo vamos superar essa marca de mil unidades. Foram muitos anos sem habitação popular, de qualidade e na quantidade necessária. Queremos aliviar o aluguel caro que tira o sono de muitas famílias de LOUVEIRA . Então, eu acho que o objetivo é esse, é caminhar cumprindo o que prometemos. Tornar a cidademais justa, mais humana e com mais qualidade de vida. 

FN – Qual a mensagem que deseja passar para o povo louveirense neste momento?

ES – A mensagem é que todos tenham resiliência, paciência, e que, ao mesmo tempo, confiem no nosso trabalho. Estamos realmente nos esforçando. Procuramos montar um governo responsável e competente. A gente espera em breve retomar uma vida normal e deixar LOUVEIRA uma cidade mais agradável, bonita e saudável. Como prefeito, penso também na minha família. Tudo que eu quero de bom para a minha família eu quero para a cidade toda. É dessa forma que a gente vive, trabalha e se esforça para melhorar ainda mais. Apesar de todas as dificuldades desse ano, conseguimos avançar. E vamos avançar ainda mais. Para melhorar a vida das pessoas.

(Texto: Paulo Behr/Imagens:FN10/PML – Redação FOLHANOTICIAS )

Autor: Geraldo Maia 62

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