LOUVEIRA: Prefeito Junior corta projetos sociais e acaba com ‘Casa Abrigo’
A virada de 2017 para 2018 foi de alegria para muitas pessoas que comemoraram o Réveillon mundo afora, mas não teve nada de festa e de fogos para os 18 funcionários da Casa Abrigo de LOUVEIRA (14 deles da própria cidade), muito menos para os 15 assistidos pela entidade. Estes últimos tiveram suas vidas mudadas para muito melhor em dois anos de trabalho da entidade, que recebia mensalmente R$ 55 mil do Poder Público para transformar o estado de extrema vulnerabilidade social de homens e mulheres carentes em uma vida minimamente digna.
O presidente da Casa Abrigo, César Rogério Pavarin Santos – que também comanda o SOS Jundiaí, com 32 assistidos -, lamenta o fato de que, no dia 22 de dezembro do ano passado, assinou com a gestão Junior Finamore (PTB) uma documentação para manter o trabalho por mais seis meses, porém cinco dias depois, a atual Administração mudou de ideia, e anunciou que não repassaria mais a verba. “Sinto-me frustrado e indignado com que o prefeito fez. Peço a ele que repense o fim do trabalho, olhando para os desabrigados louveirenses e o corpo de funcionários altamente qualificado que nossa entidade tinha como seres humanos”, revela.
César lembrou que a Casa Abrigo, situada na Estrada Alfredo Strabello, 545, perto do Cemitério Municipal, servia café da manhã, almoço, jantar, lanche e ceia aos beneficiados, além de dar a eles terapia ocupacional, assistência social e de psicólogos. “Não entendi o fim dos trabalhos da forma que ocorreu. A Casa e a verba eram da Prefeitura, mas os equipamentos, como fogão e beliches eram nossos. Melhoramos a vida de muita gente. Uma mulher, por exemplo, chegou até nós sem mobilidade, só ficava na cama, mas após ser assistida pela equipe passou a andar. Ninguém se conforma com o fechamento da Casa Abrigo”.
O presidente contou ainda que pediu um mês de “aviso prévio” ao prefeito Junior Finamore, para que pudesse pagar os colaboradores, com o anúncio do fim do trabalho. “Não fomos atendidos. A Casa Abrigo ainda fazia abordagem nas ruas da cidade junto a outras pessoas vulneráveis socialmente, perguntando a elas se queriam ser ajudadas. Não bastasse isso, empregávamos a maior parte da equipe com mão de obra qualificada de LOUVEIRA, gerando empregos no município. Agora, estou correndo atrás de dinheiro junto aos bancos para pagar o que a entidade deve aos funcionários, que têm que receber pelos dias que trabalharam. Tudo isso é muito frustrante para mim”, continuou César.
Ele finalizou lembrando que muitos ocupantes da Casa tiveram suas dignidades resgatadas nestes dois anos de trabalho. Quem não tinha documentos passou a ter graças à entidade. “Tratamos estas pessoas como seres humanos, como gente. É isso que eu espero que o prefeito faça em relação aos colaboradores e aos assistidos”.
No dia 4 de janeiro deste ano, o portal FOLHA NOTÍCIAS publicou reportagem mostrando um morador de rua dormindo num canteiro da Casa Abrigo e flagrou outro necessitado que não conseguiu vaga e lamentou ficar perambulando pela cidade atrás de um teto. Isso é, no mínimo, incoerente com o que diz a propaganda feita pelo prefeito Junior Finamore desde o início de sua gestão, em 2013. Em seu site, a atual Administração destaca que elevou investimentos nos últimos anos para a área de assistência social. “Uma casa de acolhimento foi criada, logo no início da Administração, com o objetivo de manter pessoas da cidade, antes, em situação de rua, em um espaço equipado para ser o novo lar de cada um, com atividades de reinserção à sociedade. Antigamente, o local era no Jardim Vera Cruz, mas agora, a Administração optou por ampliar ainda mais o espaço e a nova unidade funciona próximo ao Cemitério Municipal”. Só que hoje a realidade da Casa Abrigo é de assistidos desabrigados e colaboradores sem emprego.

Desabrigado dorme próximo à Casa Abrigo, que fechou às portas porque prefeito cortou convênio
A FOLHA apurou também que outros projetos sociais foram cortados, por ordem do prefeito. O aluguel social, por exemplo, ficou a quase zero para 2018. E mais uma vez, a ordem foi para travar as entregas de cestas básicas às famílias carentes. “Verba para festa o prefeito não tira. Mas acabar com a ajuda aos pobres ele não pensa duas vezes”, afirmou Miliandro Cordeiro, um dos assistidos, que agora, não tem para onde ir.
SEM RESPOSTA
A Prefeitura de LOUVEIRA foi procurada para explicar o fim do repasse à Casa Abrigo, mas não respondeu as questões formuladas pelo FOLHA NOTÍCIAS até o fechamento desta reportagem.
(PAULO SÉRGIO, especial para o jornal FOLHA NOTÍCIAS)
















