LOUVEIRA: Prefeito perde o controle administrativo da Santa Casa, que retorna para Irmandade
Por força de uma liminar concedida ontem (29), por decisão da juíza Camila Monti Manzano, ficou suspenso até o final do processo, o decreto de intervenção municipal da Santa Casa de LOUVEIRA. Desse modo, fica restabelecida a administração anterior da Santa Casa e mantidas as atividades e rotinas habituais, inclusive com o afastamento de pessoas contratadas pela Prefeitura Municipal indicadas pelo prefeito Júnior Finamore e a recontratação dos profissionais afastados para satisfazer os interesses políticos do prefeito com relação ao único hospital da cidade. A Irmandade voltou às atividades ontem à tarde, e ‘expulsou’ todos os cargos políticos nomeados pelo prefeito Junior Finamore.
A reportagem da FOLHA NOTÍCIAS entrevistou o grupo de advogados que está à frente do caso, e foi informada que tanto a juíza Camila Manzano quanto a promotora Ana Carolina entenderam que houve desvio do objeto do decreto de intervenção, e que o mesmo não foi usado para a finalidade de ‘salvar a Santa Casa’, a que supostamente se destinava, e sim para os interesses pessoais do prefeito Júnior Finamore na tentativa de colocar uma Organização para controlar o dinheiro do hospital.
“Desde o fim da intervenção anterior em 2014 que o prefeito Júnior Finamore vem tentando junto com a Câmara Municipal, sufocar a Santa Casa ao diminuir de sobremaneira os repasses da Prefeitura ao hospital, inicialmente de R$ 3 milhões, baixando para R$ 2 milhões, baixando ainda mais para R$ 1.800 e finalmente para R$ 1 milhão e 500 mil, com a Santa Casa prestando os mesmos serviços, enforcando financeiramente o hospital para piorar o atendimento, e ampliar as reclamações de modo que prefeito ganhasse popularidade depois das eleições, para justificar a intervenção municipal no momento em que nunca foi tão bom o atendimento da Santa Casa. As reclamações são mínimas, pontuais, como alguma demora no atendimento, o que não autoriza intervir no único hospital da cidade”, entende o grupo de advogados contratado pela Irmandade da Santa Casa.
Segundo os advogados, em entrevista à FOLHA, a Prefeitura é obrigada a cumprir o contrato de repasse das verbas porque não existe nenhuma irregularidade, e todas as contas foram aprovadas pela própria Prefeitura. “O que existe é uma guerra política aberta da Prefeitura junto com a Câmara para fazer da Santa Casa um novo ‘cabide de empregos’ porque foi renovado o estatuto da Santa Casa após as eleições, ficando mais rigoroso, de modo que ninguém entra para trabalhar no hospital por indicação de quem quer que seja, deixando bem marcado o que é privado e o que é público. E desde então que o prefeito Finamore vem tentando tomar a frente da administração do hospital para colocar pessoas que pertencem ao seu grupo político e tirar quem ele considera ‘inimigos’”, contaram os advogados, em nome do provedor Alceu Steck, que assumiu novamente a direção do hospital, cargo que ocupa há mais de dez anos, e que já esteve em outras oportunidades. “Já fomos enganados por esta Administração uma vez, por histórias que a população de LOUVEIRA já conhece. Agora não mais. O hospital pertence ao povo louveirense, como sempre foi, e jamais a prefeito qualquer”, disse o provedor ao reassumir a Santa Casa.

















