LOUVEIRA: Santa Casa: para onde vão os R$ 2 milhões mensais?

Denúncia Santa Casa_cred colaboração leitor (1)

Denúncias e mais denúncias chegam à redação da FOLHA NOTÍCIAS sobre o mau atendimento prestado pela Santa Casa de LOUVEIRA em inúmeros aspectos, entre os quais a falta de uma administração que seja competente e que dialogue com a população e com a imprensa, e não agindo de forma ditatorial e intolerante, sem ouvir as reivindicações dos funcionários e impedindo a imprensa de trabalhar, chegando ao cúmulo de expulsar um repórter alegando que o mesmo estava em um prédio “particular”, na verdade, o local que a Irmandade da Santa Casa ocupa, e cujo aluguel é pago com a verba do contribuinte louveirense.
PANO DE PRATO NOS PACIENTES
Aliás, por falar em verba pública, como explicar a falta de insumos de saúde para uso do hospital, a exemplo do que aconteceu nas últimas semanas de outubro quando faltou pano de compressa, tendo a ‘administração’ do hospital mandado comprar o conhecido pano de limpeza,  ‘perfex’, para ser utilizado nos pacientes? Uma vergonha para um hospital que recebe a dinheirama de R$ 2,3 milhões todo mês, enquanto outras Santas Casas, em cidades um pouco maiores, recebem até quase três vezes menos e oferecem um serviço de boa qualidade aos pacientes dos municípios onde estão sediadas e até de municípios vizinhos. Mas por outro lado, causa estranheza o fato de a Santa Casa estar gastando dinheiro que não tem para o principal (remédios etc.) construindo uma fonte artificial.
CORPOS AMONTOADOS
Além de ser um problema de (mau) gerenciamento que envolve dinheiro público, a Santa Casa de LOUVEIRA parece que padece de intoxicação por excesso de milhões de reais mal aplicados. Se não, vejamos: não existe necrotério no hospital, os corpos esperam pela remoção ficando entulhados em uma ala da internação, o que é deplorável. Não existe uma ala de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e o projeto apresentado pela atual administradora, Elaine Martins, foi tão mal feito que não observou o critério da Associação de Medicina Intensiva Brasileira para a liberação de uma UTI possuir no mínimo cinco leitos, e não quatro como consta no projeto de Elaine, talvez por achar que o leito de isolamento seja considerado leito de UTI. Este projeto foi apresentado ao Conselho Municipal de Saúde e à Câmara Municipal, sendo aprovado em ambas as instâncias sem que a irregularidade fosse detectada, já que, com apenas quatro leitos, o hospital fica impedido de receber verbas para o equipamento. E o leito de isolamento não tem as mesmas condições técnicas de um leito de UTI.
BAIXA COMPLEXIDADE
Mesmo contemplada com um alto valor dos cofres públicos, a Santa Casa de LOUVEIRA ainda não dispõe de ar condicionado e em alguns quartos o aparelho de TV não funciona. Os bancos de espera para os acompanhantes são de material duro, causando desconforto aos usuários. Não há poltronas, ou sofás-cama, como nos hospitais da região. A Santa Casa funciona atualmente com 41 vagas de internação e possui unidade para casos graves. A sala de cirurgia é para baixa complexidade, funcionando apenas para pequenas cirurgias. Importante salientar que a estrutura é a mesma há 20 anos, quando a cidade possuia 18 mil habitantes. Hoje, LOUVEIRA conta com 42 mil habitantes.
Para piorar o quadro de desgoverno da Santa Casa, uma de suas viaturas foi vista no Jd Itatinga, zona do baixo meretrício de Campinas. A administração da instituição alega que o veículo foi comprar ‘pedra ornamental’ para a fonte artificial do jardim ornamental que está sendo construído no hospital, o que soa no mínimo estranho, já que existem fornecedores bem mais perto que entregam em domicílio. A Santa Casa apresentou nota de compra para confirmar a sua versão. Enquanto os quartos agora estão recebendo TV, mas ainda carecem de manutenção, pintura e ar condicionado, a Administração utiliza de uma verba de mais de R$ 2 milhões mensais para fazer um jardim ‘ornamental’. Qual a prioridade da diretoria da Santa Casa?
SUPER MÉDICOS
E como tem muito dinheiro fácil, a Santa Casa gasta quase R$ 42 mil por mês com sete gerentes, objeto de notificação do Conselho Municipal de Saúde, que sugere a demissão dos gerentes e a redução de custos, como o corte dos salários de alguns super médicos que ganham cerca de R$ 25 mil mensais com a mesma carga de trabalho dos demais colegas de profissão. Segundo fontes internas, 86% do orçamento de R$ 2 milhões e 300 mil é gasto com folha de pagamento, sendo R$ 964 mil com médicos e R$ 833 mil com funcionários que se queixam do período de seis horas diárias de trabalho ininterruptas, porque toma todo o tempo de vida do trabalhador e reivindicam a volta do horário de 12 horas por 36 horas de descanso (popularmente conhecido com 12 por 36), mas estão tendo dificuldade de dialogar com a administradora Elaine, o que gerou um abaixo-assinado entregue na Câmara Municipal. A Casa das Leis de imediato providenciou uma reunião com todos os interessados, inclusive o Sindicato de Saúde de Campinas, sem que até agora tenha se obtido resultados concretos segundo o interesse dos trabalhadores do hospital.
MÁXIMO DE GRANA, MÍNIMO DE SERVIÇOS
Portanto, se comparar LOUVEIRA com outras cidades da região, a exemplo de Jundiaí, VALINHOS e VINHEDO, é possível observar a disparidade entre o volume de dinheiro que é destinado ao funcionamento das Santas Casas dessas cidades e o serviço médico hospitalar que é oferecido à população. Enquanto em LOUVEIRA é um máximo de grana (R$ 2 milhões e 300 mil) para um mínimo de serviços de qualidade, a Santa Casa de VALINHOS recebe da Prefeitura apenas R$ 1,2 milhão por mês e oferece 121 leitos de enfermaria, 20 leitos de UTI, um moderno Centro Cirúrgico, capaz de realizar inclusive delicadas intervenções cirúrgicas cardíacas, um Pronto Atendimento que é referência da cidade, além de oferecer alimentação de qualidade tanto para os pacientes como para o corpo de funcionários.
Tudo isso disponível para atender uma população em torno de 120 mil habitantes, contemplada com um serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) equiparado ao dos convênios com relação ao conforto dos pacientes, além de possuir farmácia popular e lanchonete. Com uma despesa mensal de R$ 4 milhões, mas com 60% da capacidade do hospital destinado ao SUS, o que garante mesmo o funcionamento da Santa Casa vem dos convênios e da Prefeitura de VALINHOS que, como vimos, repassa apenas R$ 1 milhão e 200 mil por mês. E mesmo sendo um hospital de média complexidade, a Santa Casa de VALINHOS conta com equipamentos de última geração para exames de tomografia, ressonância, laboratório próprio, fisioterapia, maternidade, pediatria, berçário, com os quais atende a quase todas as cidades da região, inclusive pacientes da periferia de Campinas. Quer dizer, com um mínimo de recursos da Prefeitura se obtém um máximo de eficiência nos serviços prestados à população.
EM REFORMA, MAS ATUANDO
Mesmo em processo de reforma e ampliação, a Santa Casa de VINHEDO, cidade com uma população em torno de 70 mil moradores, está atuando ativamente com os 10 novos leitos de pediatria para internações pelo SUS, convênios e particulares, além do pronto atendimento de pediatria 24 horas para conveniados e particulares, e pediatria 24 horas. As reformas e ampliações em andamento mudarão o atendimento da UTI de 6 para 11 leitos e o Centro Cirúrgico de 3 para 5 leitos, além de lavandeira, salas de pequenas cirurgias, endoscopia, 20 leitos de longa permanência e outros 2 leitos para psiquiatria. A Santa Casa contará também com berçário, praça de alimentação, hotelaria de alto nível. Enquanto se processa a reforma do hospital, os 102 leitos de enfermaria e 10 UTI estão sendo disponibilizados à população no hospital Galileo, em VALINHOS, ao custo de R$ 1 milhão e 200 mil reais mensais.
SAÚDE COM POUCo dinheiro
Em Jundiaí, cidade com cerca de 360 mil habitantes, dois hospitais estão à serviço para o atendimento via SUS: São Vicente de Paulo e Hospital Universitário (e ainda atendem todos os pacientes de LOUVEIRA). Todos com áreas física e de hotelaria adaptadas para oferecer mais conforto à população e melhores condições de trabalho aos profissionais. Com 241 leitos de enfermaria e 40 de UTI, o Hospital São Vicente recebe (pasmem!) R$ 2 milhões por mês, menos que a Santa Casa de LOUVEIRA, e presta um dos melhores serviços de atendimento médico hospitalar da região, e até para LOUVEIRA. Mas a cidade também dispõe de policlínicas instaladas nos bairros para dar suporte ao atendimento de urgência e emergência. No atendimento básico, são 30 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 6 Unidades de Saúde da Família (USF) que oferecem serviço nas áreas de pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica e, em algumas delas, odontologia.
GESTÃO SUSTENTáVEL
A administradora Elaine Martins deu como desculpa para os inúmeros problemas apresentados pela Santa Casa de LOUVEIRA, apesar de receber a verba altíssima de quase R$ 30 milhões por ano: o fato de que tem pouco tempo de adminsitração. “Faz pouco tempo que saímos da intervenção da Prefeitura, o que deixou ‘engessada’ a possibilidade de convênios e verbas de outras esferas, assim como novos serviços como Plano de Saúde, para buscar uma gestão sustentável. As outras Santas Casas contam com um tempo muito maior para que hoje possam apresentar certa independência com relação às verbas municipais”, explicou Elaine na época, depois de uma reunião com vereadores. Mas não justifica a enormidade de falhas encontradas diariamente na Santa Casa de LOUVEIRA, ‘pobre cidade rica’ com 42 mil habitantes vitimados ao longo da história. O descaso com a saúde é tanto que a obra de ampliação do prédio ‘Anexo’ do Hospital iniciada em 2012 já consumiu mais de R$ 10 milhões e mesmo assim corre o risco de ser 85% demolida por causa de falhas estruturais, segundo a direção da Santa Casa. A informação é baseada no laudo de uma empresa contratada pela Irmandade e especializada em construções hospitalares, que indica o aproveitamento de apenas 15% da fundação.  O projeto do ‘Anexo’, ou ‘Nova Santa Casa’ prevê uma ala de UTI com seis leitos, o que está dentro das normas hospitalares, além de 29 novos leitos do pronto-socorro, quatro salas cirúrgicas e duas de parto. Mas tudo pode ir para o chão!
Sobre o alto volume de dinheiro de R$ 2 milhões e 300 mil, por mês, usado apenas para manter o funcionamento do ‘antigo’ hospital, a atual administradora hospitalar, Elaine Martins, disse que “além do hospital com os serviços de urgência, emergência e maternidade, também são gerenciados os serviços do 192 (Resgate), do ambulatório de especialidades e o Pronto Atendimento (PA) do bairro Santo Antônio”. Elaine explicou que a verba do SUS não é suficiente, portanto, o dinheiro da Prefeitura, por um bom tempo ainda, é o que torna possível o atendimento à população do município, em torno de 12 mil pessoas por mês, contando apenas com 4 Unidades Básicas de Saúde (UBS). O difícil é  acreditar porque tanto dinheiro ainda não tornou a Santa Casa de LOUVEIRA um hospital modelo e de Primeiro Mundo.
Apesar de todos esses problemas a Santa Casa mostrou os investimentos realizados nos últimos meses.

Cidade          População     Atendimentos por mês    Leitos    Leitos de UTI    Repasse
Valinhos       120.258                        10.946                      121              20                R$ 1,2 milhão
Vinhedo        72.550                          14.000 (UPA)          70              20*              R$ 1,1 milhão
Louveira       42.700                          12.000                       41         Nenhum          R$ 2,3 milhões

* Lembrando que a maioria dos atendimentos são feitos pelo Hospital Galileu, em VALINHOS

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