LOUVEIRA: Vereadores ‘jogam’ cassação do prefeito para o Ministério Público

Funcionários das creches terceirizadas e ‘batalhão de choque’ de Finamore foram ao plenário vaiar vereadores que eram a favor da ‘CEI das Creches’ e ‘CPI de Cassação do Prefeito’

O relatório da Comissão Especial de Inquérito – CEI das Creches de LOUVEIRA, foi rejeitado pela maioria dos vereadores da Câmara de LOUVEIRA. Se a aprovação tivesse ocorrido, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seria aberta e o afastamento do prefeito Junior analisado. A favor do afastamento do prefeito Junior Finamore estavam Leandro Lourençon e Agostinho Tardivelli (ambos do PSDB), Rodrigão Veronezi (PSD) e Marquinhos do Leite (PTB), mas que não vota, por ser presidente da Câmara. Os demais vereadores, que estão do lado do prefeito, votaram contra a CPI para a cassação de Junior Finamore. Mesmo assim, o vereador Rodrigão Veronezi, vai enviar o documento para o Ministério Público, o MP; Ministério Público Federal e Tribunal de Contas. “Aqui não ia passar mesmo. Todos estão amarrados com o prefeito. Mas a Justiça vai analisar todas as irregularidades que nossa Comissão encontrou”, afirmou Rodrigão, presidente da CEI. Leandro Lourençon, relator da CEI, reforçou que encontrou indícios de superfaturamento e direcionamento no processo licitatório, com vícios insanáveis. Daí, ele pediu o afastamento do prefeito.

A CEI das Creches foi criada para analisar possíveis irregularidades e superfaturamento na terceirização de quatro creches municipais. Desde julho do ano passado, realizou 18 reuniões e ouviu 11 pessoas funcionárias das empresas terceirizadas. Na última sessão ordinária, os vereadores da base do prefeito não autorizaram a prorrogação dos trabalhos, que termina neste dia 12 de março. O vereador Leandro Lourençon contou que o relatório está embasado na análise apresentada pelo perito David Luiz Pereira Berlandi, contratado pela Câmara de LOUVEIRA para auxiliar os trabalhos dos vereadores. Aliás, um bate boca surgiu entre os vereador Rodrigão, Nilson e Luiz Rosa, sobre a contratação. Rodrigão fez o comparativo de que o parecer técnico de sua Comissão custou bem menos do que a Comissão das Desapropriações, presidida por Nilson Cruz, e tendo como relator Luiz Rosa. “A CEI das Desapropriações foi engavetada por causa de um possível acordo. E ainda gastou R$ 138 mil reais com apenas um volume de parecer técnico. A CEI das Creches, presidida por mim, custou R$ 5 mil para a Câmara e deu origem a 50 volumes de parecer técnico. Tem algo errado aí. Eu faço o negócio andar com menos tempo que vocês (Nilson e Luiz) e ainda encontramos base para cassar o prefeito, com parecer que custou R$ 5 mil. A CEI das Desapropriações custou R$ 138 mil, não ouviu ninguém, produziu apenas um volume e foi arquivada. Uma vergonha!”, disparou Rodrigão.

Rodrigão diz que Justiça vai investigar Finamore

Marquinhos do Leite aproveitou para cutucar os vereadores que são a favor do prefeito. “Isso aqui vai acabar que bem a Câmara de Paulínia, onde todos os vereadores a favor do prefeito foram cassados por não aprovar uma CPI, que indicava muitas irregularidades. Quero ver como vai ser daqui para frente, vendo vereador fugir de oficial de Justiça”, satirizou o presidente da Câmara.

Os pareceres do perito fazem parte do relatório final. Segundo o relator, diante dos indícios de irregularidades, a conclusão dos trabalhos da CEI deve ser encaminhada ao Ministério Público, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas.

SERVIDORES PODEM NÃO TER REAJUSTE
Depois do fiasco do reajuste de apenas 1% para os funcionários públicos de LOUVEIRA, em 2017, que culminou na primeira greve da história da cidade nas repartições públicas, como Prefeitura e Câmara, o presidente do Legislativo louveirense, Marquinhos do Leite, adiantou-se no prazo, e incluiu na ordem do dia para imediata votação o projeto 15/2018 que dispõe sobre o reajuste salarial aos servidores públicos municipais da Câmara de LOUVEIRA, que aprovado por unanimidade. Também na ordem do dia foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei 9/2018 que inclui unidade orçamentária, altera o PPA, LDO e LOA. “O prazo regimental para um reajuste é 30 de março. E até agora o prefeito não enviou para a Câmara, qual reajuste que vai dar para o funcionalismo. Não posso esperar a vontade do prefeito, então pelo menos os servidores da Câmara vão ter seu direito garantido”, afirmou Marquinhos, sendo aplaudido pelos presentes. O reajuste é de 2,95% , com base no índice de inflação do ano passado.

 

Marquinho é a favor da cassação do prefeito e vai enviar documentos ao Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Federal. Também criticou Junior Finamore por não reajustar salários de servidores

ZERO POR CENTO
Alguns vereadores apostam que o prefeito Junior Finamore não vai conceder reajuste salarial nesta ano. “Eu duvido que o prefeito conceda um aumento. O ano passado já foi uma provocação aos servidores, com apenas 1% de reajuste. Eu acho que ele não vai fazer nada. Agora, se tiver que dar aumento, tem que ser uns 10%, pra compensar o que ele não fez em 2017. Se vier o projeto de reajuste salarial para os funcionários públicos até o dia 30 de março, aqui para a Câmara, é claro que nós vamos apoiar e votar”, esclareceu o presidente da Câmara.

MOÇÕES
Ainda por unanimidade foram aprovadas duas moções, uma do vereador Hélio Rocha, de congratulações e aplausos à Igreja Mundial do Poder de Deus pelos seus 20 anos de existência. E de autoria do vereador Laércio Neris, a moção de aplausos e congratulações pela realização do evento do ‘3º Congresso Missionário da Igreja Pentencostal da Última Hora no Brasil’, em LOUVEIRA.

Louveirense Roberto Omizzolo expos o problema de quem mora nas divisas do município e teve o cartão cidadão cancelado pela Administração Junior Finamore

PROBLEMA DAS DIVISAS
Coube ao louveirense Luiz Roberto Omizzolo ocupar o microfone do espaço livre da Câmara para denunciar o “caráter desumano” com que a população que reside na divisa entre LOUVEIRA e VINHEDO vem sendo tratada pelo prefeito Júnior Finamore que, ao contrário do pai, vem humilhando e expondo os louveirenses sem razão. “Se uma pessoa que mora na divisa entre LOUVEIRA, VINHEDO ou Jundiaí,  e precisa utilizar um órgão de saúde ou de educação, não vai ser atendida porque o Cartão Cidadão de todos que moram nas divisas do município estão bloqueados, o que é inconstitucional e desumano, a ponto de uma mãe se mudar para o norte de Minas apenas para matricular sua filha, enquanto o marido fica trabalhando em LOUVEIRA. É vergonhoso e humilhante, pois não estamos na terra de ninguém. Minha família é tradicional de LOUVEIRA e pagamos IPTU desde a década de 1940 em LOUVEIRA, e agora vem o prefeito e diz que eu e meus vizinhos não somos mais de LOUVEIRA? Quero uma posição dos senhores vereadores. Vocês vão ter que se mexer”, desabafou Roberto, que distribuiu entre os vereadores uma carta que o prefeito Júnior Finamore enviou à então prefeita de VINHEDO, Claudinéia Vendemiatti, onde dá uma de ‘que não sabe de nada’, colocando o problema nas mãos da Prefeitura da cidade vizinha.
“Esse documento mostra a atitude do prefeito Nicolau Finamore Junior, que, ao contrário do pai, passa a responsabilidade para o prefeito vizinho sem se importar com a realidade dos cidadãos de LOUVEIRA. Na prática ele está dizendo ao seu colega de VINHEDO: ‘Toma que o problema é teu’. Isso é uma humilhação tremenda, uma vergonha”, avalia Luiz Roberto. Cerca de 2 mil cartões cidadãos foram cancelados, principalmente dos moradores que moram nas divisas de município. Muitos estão recorrendo na Justiça para ter acesso ao transporte, escolas e Postos de Saúde, pois estão ‘proibidos’ de terem acessos aos serviços públicos de LOUVEIRA. “Só aqui em LOUVEIRA acontecem essas barbaridades”, finalizou Omizzolo.

CEI das Creches gerou 50 volumes. Vereadores do prefeito barraram processo de cassação, que agora vai para os Ministérios Públicos Estadual e Federal

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