REGIÃO: Coluna de Jorge Lemos – ‘Linhas Cruzadas’

UM PAPO BEM DIFERENTE ( final)

 

      Um amigo de muitos anos (cerca de 60 passados), onde trabalhamos na mesma empresa jornalística, localizou-me após longos anos e telefona-me. Lembrou-me ele de coisas de nosso passado, das nossas longas tertúlias sobre os acontecimentos da época e das contradições existentes, já, naquele tempo, como a das alterações do comportamento humano e  das abruptas transformações da própria sociedade.

Foi papo longo de 2 horas pelo telefone e a promessa dele vir a minha casa para marcar lembranças antigas. Foi assim que eu e o colega nos propusemos voltar ao passado. É que ele se prepara para escrever uma obra que nos ponha em um “estado de alerta” aos acontecimentos do mundo neste exato momento e quer dedicar uma parte especialmente pela nossa visão de antanho sobre o momento mais que atual. Isto é bom! Faltam comparações inteligentes sobre o passado não muito distante e o presente que se põe. Ao desligar o telefone fui direto ao alto de um móvel da minha biblioteca e retirei de dentro de um saco plástico, cuidadosamente fechado, uma coleção de jornais do ano de 1954 quando se comemorava a IV Centenário de São Paulo contendo também as matérias nossas. Posso dizer que esta coletânea de trabalhos não era por mim aberta cerca de 30 anos passados, desde quando me mudei para o a nossa casa daqui de LOUVEIRA. Assim já me preparo para o reencontro com o velho companheiro. Acesso a alguns textos. Dentre eles um que detalha a vinda de artistas de Hollywood para o festival de cinemas  no Cine Marrocos, na av. Ipiranga e em outros, nos pontos centrais de São Paulo. A cidade vivia engalanada e o clima de festas nos levava a enxergar o futuro com muito otimismo.

Como meus leitores poderão observar viveu-se, lá no passado, com uma grande esperança em dotar São Paulo e o Brasil dentro de um espirito mais que Universal, onde a arte e a cultura nos iria colocar no mesmo pé de igualdade com as coisas avançadas do mundo. Sonhávamos bastante e nossos textos otimistas mostravam um espirito cheio de esperanço.

Passaram-se os anos ocorreram fatos no Brasil que tiraram por completo o sentido de grandeza do nosso povo. Tristeza. O “viver agora” do espirito existencialista de Sartre conduz espíritos para a devassidão, as drogas passaram a fazer parte de algo verdadeiramente brutal no seio das famílias, a ideologia vermelha transforma-se em “religião” para sociólogos e o ensino se deteriora por completo no campo da sociedade.

Farei, durante algum tempo, observações sobre os pontos de rupturas que no comando dos desvios da politica brasileira fruto dos desvios éticos desta mesma sociedade politica.

Assim, uma promessa. Não sou dono da verdade, busco-a, no entanto, a serviço do bem!

 

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