REGIÃO: Dívida do Hopi Hari é equivalente à da cidade de VALINHOS

PAULO SÉRGIO, ESPECIAL PARA FOLHA NOTÍCIAS

O parque Hopi Hari, em VINHEDO, em recuperação judicial desde outubro de 2016, após acidentes fatais, atrasos em pagamentos, fechamento do estabelecimento e disputas societárias, tem hoje uma dívida estimada em mais de R$ 400 milhões. É quase o valor devido pela Prefeitura de VALINHOS, que hoje inicia uma “volta por cima”. O relatório da Lei de Responsabilidade Fiscal aponta o saldo negativo consolidado do município da Região Metropolitana de Campinas (RMC) em R$ 472.980.777,10, no segundo bimestre de 2018.

No caso do parque, foi tomada a decisão da recuperação judicial para ajudar a empresa a se reerguer, com suspensão temporária e renegociação das dívidas. Porém, o documento apresentado pelo Hopi Hari só foi aprovado no início de abril deste ano. A demora na realização da assembleia e aprovação do documento, que determina como serão feitos os pagamentos para os credores, tem relação com as disputas entre o acionista controlador da companhia, José Luiz Abdalla, e a diretoria da empresa, presidida por José David Xavier.

Entre as discussões, estava quem teria o direito a apresentar o plano de recuperação: se a diretoria da empresa ou seu acionista controlador. De acordo com Gilberto Giansante, representante da Giansante Sociedade de Advogados, administradora judicial do Hopi Hari, o plano deve ser apresentado pela própria empresa e seus representantes. Além disso, ele afirma que o plano não deve tratar de discussões societárias, mas apenas do pagamento das dívidas e assuntos sobre a manutenção do funcionamento da companhia.

Desfeito esse impasse, o plano, apresentado pela administração de David, foi aprovado pelos credores incluídos no documento no dia 6 de abril deste ano. Agora, a esperança da empresa é começar a se recuperar e até receber novos investimentos, de acordo com Sérgio Emerenciano, advogado que representa a companhia. Mesmo depois da aprovação do documento, o acionista Abdalla contesta o seu conteúdo.

O grupo contemplado na proposta representa 10% do total da dívida do parque e exclui quatro credores financeiros. Um deles é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que teria R$ 230 milhões para receber. Tem ainda o Prevhab, fundo de pensão dos funcionários do antigo Banco Nacional de Habitação (Prevhab), com dívida de R$ 85 milhões, de acordo com o jornal Valor Econômico, um grupo de 1.700 pessoas ou empresas, como fornecedores ou funcionários, que tem a receber outros R$ 100 milhões, além de débitos previdenciários.

A exclusão dos principais credores preocupa Abdalla. De acordo com seu advogado, Luiz Donelli, os pagamentos de dívidas que não forem incluídos no plano de recuperação judicial teriam que ser feitos de acordo com os contratos fechados no momento do empréstimo. Caso esses requisitos não sejam cumpridos, o juiz poderia pedir falência. “As dívidas estão vencidas, precisariam ser pagas à vista. Porém, o caixa da empresa não sustentaria o pagamento nessas condições”, diz. Segundo ele, o pagamento desta forma poderia levar a companhia à falência. Por esse motivo, o melhor seria se Abdalla e os credores alegassem a nulidade do plano de recupeção, diz o advogado.

Do outro lado, Emerenciano, advogado que representa a companhia, diz que está resolvendo essa questão. “Já existiam negociações em paralelo com esses credores, que irão continuar”, diz.

20 ANOS DEPOIS…

O Hopi Hari foi inaugurado em 1999 com sonhos audaciosos. O objetivo era reproduzir, no Brasil, o sucesso dos parques de diversões da Disney, nos Estados Unidos, e atrair os brasileiros que já viajavam ao exterior para visitar as atrações.

A construção do empreendimento em VINHEDO consumiu US$ 200 milhões da GP, gestora de fundos, e de quatro fundos de pensão – Previ, Funcef, Petros e Sistel. O faturamento esperado não veio e, em 2009, o parque foi vendido para a Consultoria Íntegra, dos sócios Luciano Corrêa e Nelson Bastos.

Em 2011 começou a dar lucro e chegou a ser o parque mais visitado do país, com dois milhões de visitantes/ano, mas em 24 de fevereiro de 2012 uma estudante (Gabriela Yukari Nichimura, de 14 anos, que morava no Japão e estava de férias no Brasil) morreu ao cair do brinquedo “Torre Eiffel”, o que obrigou o parque a fechar temporariamente.

A crise econômica agravou a situação ainda mais e o Hopi Hari, que além de atrasar salários e ficar endividado, também pela queda de visitas, chegou a ter a energia cortada. O parque precisou funcionar por meio de geradores. Em maio de 2017, precisou ser fechado, sem conseguir se manter aberto.

VALINHOS

A dívida do Hopi Hari, um parque de diversões que tem uma dívida do tamnho de uma cidade, está longe de acabar, mas VALINHOS, que tem quase a mesma a cifra em dívidas, está se recuperando. De janeiro a maio de 2018, VAINHOS arrecadou R$ 2,87 milhões a mais que no mesmo período de 2017, segundo dados do Governo do Estado de São Paulo. A cidade recebeu no período, de repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), R$ 33.550.057,88.

Comparado com as 20 cidades da RMC, VALINHOS ficou na 10ª posição, com 2,73%, no valor total repassado aos municípios – R$ 1.229.246.486,05.

O ex-prefeito Marcos José da Silva (MDB) encerrou o seu mandato, em 2012, com a cidade devendo R$ 286 milhões. Seu sucessor, Clayton Machado (PSDB), deixou para o atual prefeito, Orestes Previtale (PSB), R$ 460 milhões em dívidas, que hoje estão na casa dos R$ 472 milhões. Com o retorno de crescimento na arrecadação, espera-se que a dívida fique estabilizada, e comece a ser equacionada.

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