VALINHOS: Casal sai de bicicleta e, 3 mil km depois, nem pensa em voltar: ‘Melhor coisa que eu fiz’

 

Quantas vezes você imaginou largar tudo e viajar? O casal de VALINHOS Renato Casacio, de 33 anos, e Natália Mourão, 27, decidiu realizar este sonho e vive a aventura há um ano. Munidos de bicicletas, a dupla partiu de VALINHOS em agosto de 2017 e, 3 mil quilômetros depois, passaram pela Chapada dos Veadeiros (GO), e rumaram para Tocantins. Sem planos de onde chegar ou quando voltar, o casal acumula aventuras e histórias pelos quatro estados que já visitou: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. “É uma satisfação poder se deslocar, ainda mais por uma distância tão grande, só com a força das próprias pernas, sem precisar de uma gota de combustível. É muito legal essa sensação”, afirma Renato.

O casal conta que pedala em média 45 km por dia, mas a dupla chegou a ficar até três dias direto na estrada. Entre os desafios, diz que arranjar lugar para passar a noite e acampar foi o mais desgastante. Apesar das dificuldades, os dois afirmam que a experiência vale a pena, principalmente pelos “lugares incríveis e pessoas maravilhosas” que cruzaram pelo caminho.

E foi em um desses encontros que o casal ganhou um terceiro elemento na viagem: o gato Caju. Na saída de Rondonópolis (MT), no começo deste ano, o casal recolheu o filhotinho assustado e o incorporou na aventura. O bichano já rodou mais de 1 mil km com eles. “Escutamos um miado vindo do canavial. Era um filhotinho assustado correndo em nossa direção. Colocamos ele dentro da capa do violão e resolvemos levá-lo. Agora, ele tem um lugar apropriado para viajar e é como se fosse da família”, conta Natália.

E O DINHEIRO?

Uma viagem desse porte exige logística e, claro, dinheiro. E a saída para a questão financeira foi engenhosa. Músico, Renato leva uma carreta com instrumentos musicais e, nas paradas, garante o financiamento da aventura tocando em bares e restaurantes. Além disso, para diminuir gastos, os viajantes carregam uma estrutura para preparar a comida. Barraca é a solução para as noites de sono, mas nas cidades em que ficam mais tempo, o casal aluga um lugar para ficar. “Geralmente acampamos em postos e restaurantes de beira de estrada. Quase todos têm banho e raramente cobram. Quando contamos que somos ciclistas, acaba rolando um desconto”, relatam.

DIFICULDADES E BELEZA

O primeiro destino do casal foi a Chapada dos Guimarães (MT). Por lá, a dupla permaneceu três meses. A escolha pelo Mato Grosso veio pelo interesse em conhecer o estado. A experiência foi marcada por estradas ruins, sem acostamento e com muitos caminhões. “Nesse sentido, foi desgastante e estressante”, lembra o músico. Outro ponto que chamou a atenção foi a destruição do Cerrado, não só no Mato Grosso, mas no oeste de Goiás.

Em três dias diretos na estrada, entre as cidades de Cassilândia (MS) e Chapadão do Sul (MS), Renato e Natália pedalaram num trecho precário, sem acostamento e com tráfego intenso. Eles contam que, no segundo dia, foram surpreendidos por um pneu furado, chuva intensa e, ainda, nos últimos 10 km do trajeto, se depararam com uma baita subida.

Após a dificuldade, assim que chegaram no Chapadão, eles conheceram um rapaz chamado Altair. Além de pagar uma refeição aos viajantes, o novo amigo comprou dois pneus novos para Natália e fez manutenção completa nas duas bicicletas. A dupla define os períodos de chuva como os mais complicados. Durante a travessia de Costa Rica (MS) a Alcinópolis (MS), percorram 90 km de distância em estrada deserta, com trechos de terra e muita chuva. O músico ainda recorda a recepção acolhedora de uma família que administra a fazenda onde fica a cachoeira. Lá, recebeu um quarto para dormir. “Foi um ponto de apoio maravilhoso”.

O CASAL

Professor de música, Renato trabalhou em uma escola de VALINHOS entre os anos de 2008 e 2017, e, nos períodos de férias, costumava conhecer o Brasil com sua bike. Visitou Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o litoral paulista. Engenheira ambiental de formação, Natália conheceu Renato quando o músico se apresentou em Bauru (SP), onde morava com a mãe. Estão juntos desde então. O músico já tinha a viagem planejada quando conheceu a esposa. Natália nunca tinha pedalado antes, mas “abraçou a ideia com coragem”, conta Renato. Eles contam que fizeram um treinamento de poucos dias e pegaram a estrada. (Fonte: G1/Por Victória Cócolo/Supervisão; Fernando Evans)

468 ad