VINHEDO: Cachoeira e Fonte Sônia: muitas semelhanças

Como noticiamos em edições passadas, a questão da Fonte Sônia, hotel fazenda localizado em Valinhos, caminha para uma solução interessante para todos: em troca da liberação de um loteamento horizontal ecologicamente sustentável, a cidade ganhará um grande complexo verde, com mais de 1 milhão de m². O projeto prevê o plantio de mais de 100 mil mudas para a recuperação das nascentes existentes no local e a implantação de um corredor ecológico. Além disso, haverá a criação de um viveiro de mudas, monitoramento da qualidade das águas superficiais, gerenciamento de resíduos sólidos e implantação de projetos de educação ambiental.
Para o presidente da Associação Regional da Habitação de Valinhos (Habicamp), Welton Nahas Curi, “a realidade atual de consumo nos leva a um empreendedorismo consciente, e a contraproposta do complexo verde em Valinhos reflete a maturidade do entendimento de que o mundo empresarial e o poder público podem e devem andar juntos. Tanto os empresários quanto os ambientalistas têm encontrado o ponto de equilíbrio sustentável neste novo milênio. Este é um empreendimento que mostra esta realidade”, afirmou Curi.
Mas, o que a Fonte Sônia
e a Fazenda Cachoeira tem em comum AGORA?
Muito mais do que se imagina. Na década de 1920, o então prefeito de Campinas, Orosimbo Maia, adquiriu da família Monteiro de Barros, parte da Fazenda Cachoeira que estava nas terras de Valinhos. De acordo com os registros, Orosimbo mandou fazer uma análise da água de uma das nascentes e descobriu que ela era radiotiva e com propriedades benéficas para a saúde. A partir daí, transformou metade da sede da fazenda em hotel e passou a explorar o local comercialmente.
Passados os anos, o que era uma atração turística em Valinhos passou a ser um local abandonado. O patrimônio histórico passou por depredações e, constantemente, as áreas verdes sofrem com o descaso. Nem mesmo as nascentes ficaram imunes. Hoje, muitas delas estão em condições precárias. Mas ao que tudo indica, graças a essa parceria entre o poder público e a iniciativa privada, isso tudo será solucionado. Pelo menos é o que se espera.
Proposta semelhante a essa foi apresentada pela empresa que administra a Fazenda Cachoeira e, por falta de iniciativa dos gestores públicos, o projeto foi retirado e, agora, aguarda a revisão do Plano Diretor de Vinhedo para ser reapresentado dentro dos novas regras a serem estabelecidas.
Indiferente à crise econômica que se instala na maioria dos municípios brasileiros, Valinhos e Vinhedo seguem sendo consideradas cidades ideais para investimentos. Esse fato é uma boa notícia, embora a tendência seja da disputa se tornar mais acirrada com o passar do tempo.
Ao contrário da Fonte Sônia, a Fazenda Cachoeira já está inserida na área urbana da cidade, embora ainda considerada como rural. Cercada de condomínios e margeando uma rodovia, o local sofre com o avanço da cidade, com a intensa movimentação de veículos da Rodovia Edenor João Tasca e com a desinformação geral sobre sua capacidade de produzir água.
Estudos feitos em campo por três entidades especializadas, entre elas, a Oscip Elo Ambiental, cadastraram sete nascentes, cujo volume d’água total não contribui significativamente para o abastecimento de Vinhedo. Além disso, em algumas dessas nascentes, parte da área que deveria receber vegetação adequada se encontra localizada em terrenos vizinhos à fazenda. Basicamente, a produção de água dessas nascentes atende parte da fazenda e colabora timidamente com a bacia do Ribeirão Pinheiro. Em resumo, se ainda houvesse atividade agrícola na Cachoeira, provavelmente essas nascentes não dariam conta de suprir as necessidades da propriedade.
O que poucos vinhedenses sabem é que parte da água que abastece Vinhedo é proveniente da bacia hidrográfica do Bom Jardim, localizada há alguns quilômetros da fazenda, na divisa com Itatiba e Valinhos. A transposição da água do Bom Jardim para as represas corta a Fazenda Cachoeira. Infelizmente, o sistema não recebe a atenção necessária por parte da Sanebavi. A tubulação por onde escoa a água acaba na divisa com a fazenda e a partir daquele ponto a água segue livremente em direção às Represas II e I levando com ela, terra, areia e outros resíduos, colaborando para o assoreamento do local. De acordo com os técnicos, uma simples canalização dessa água evitaria uma perda de quase 30% do volume de água transposto.
Outro problema é a descarga das águas provenientes da Rodovia Edenor Tasca. Quando chove, as águas, em grande volume, escorrem pelas pistas e levam com elas grande quantidade de metais pesados, resíduos de borracha e fluídos gerados pelos veículos que ali transitam. Sem um sistema de tratamento adequado para esses resíduos, todos esses produtos seguem em direção às represas.
Além disso, não existe uma escada hidráulica, recurso usado para reduzir a velocidade da água. Sem essa redução, a velocidade do escoamento da água provoca enormes voçorocas no terreno da fazenda, levando mais areia e terra para as represas, aumentando ainda mais o problema do assoreamento.
Essas questões da Fazenda Cachoeira só tendem a se agravar com o passar do tempo e, pior: não contribuem em nada para a preservação do meio ambiente. O caminho correto apontado em Valinhos é desenvolver a cidade utilizando soluções urbanísticas aliadas à tecnologia. Com certeza, a natureza vai agradecer.
















