VINHEDO: Emenda quer a volta das 15 cadeiras na Câmara Municipal de Vinhedo em 2017

A8_João Marcos e Oswaldo Caim_Cred Carol Martins

A propositura de uma emenda modificativa ao projeto de decreto legislativo nº 6/2015, que fixa o número de vereadores para a legislatura de 2017 para 11 foi um ‘balde de água fria’ para o autor do projeto, Nil Ramos (PROS), que aguardava ansioso a votação do mesmo na última sessão da Casa das Leis, a 114ª da 16ª Legislatura, na segunda-feira, 28. Mais surpreendente ainda é que a emenda anunciada, de autoria do vereador Bacural (PTB), fixa novamente em 15 as cadeiras para 2017. Surpreende porque um projeto, de autoria de Eduardo Gelmi, de 2014, já havia reduzido o número de vereadores de 15 para 13. Assim, durante a última sessão, o projeto de Nil e a emenda de autoria de Bacural, assinadas ainda pelos edis Dario Pacheco (PSDB), Valdir Barreto (PSOL), Marta Leão (PSB), Rodrigo Paixão (PSOL), foram remetidos às comissões permanentes e à diretoria de assuntos jurídicos para os devidos pareceres e, concomitantemente, para serem incluídos na Ordem do Dia da próxima sessão, na próxima segunda-feira. Apesar da frustração geral, a sessão foi suspensa por mais de 10 minutos para reunião e discussão do projeto entre os pares.
CORPORAÇÃO QUALIFICADA
Logo no início dos trabalhos, o 1º secretário da mesa, Alexandre Viola (PPS), leu dois ofícios, um deles sobre a desfiliação do vereador Paulinho Palmeira do PSB, deixando inclusive a representação de líder da bancada pela legenda, e outro anunciando a filiação da vereadora Marta Leão no PSB, assim como na direção da presidência do partido.
Na volta da pausa, com apenas mais um projeto para ser votado na Ordem do Dia, o que instituiu o ‘Dia Municipal das Micro e Pequenas Empresas – MPE e do Microempreendedor Individual – MEI’, a pauta foi encerrada. Na sequência, representando a população, o presidente da Associação dos Guardas Municipais de Vinhedo (Agmuv), o Guarda Civil Municipal Anderson Brito, falou durante cinco minutos sobre importante conquista judicial obtida no dia 10 de setembro pela GM de Vinhedo, que permitiu o direito aos integrantes da Guarda ao porte e arma fora do horário de serviço nos limites territoriais da Região Metropolitana de Campinas (RMC), englobando 25 cidades. “Isso corrobora com a imagem de corporação qualificada, capaz e referência na RMC”, afirmou Brito. Ao que foi muito aplaudido ao final de sua fala.
CORTANDO A PRÓPRIA CARNE
Aberta a chamada de vereadores para a explicação pessoal, Nil Ramos, como não podia deixar de ser, defendeu o seu projeto, cuja votação foi transferida para a próxima sessão. “Iríamos votar o projeto de redução, assinado por Ana Genezini (PTB), Paulinho Palmeira e Edu Gelmi (PMDB). Aliás, já existe uma lei aprovada fixando o número de cadeiras para treze. Mas defendemos 11. É claro que esse projeto foi discutido, por vereadores e amigos. Quero dizer àqueles que não têm coragem de colocar a sua posição, tanto aqui na Casa, como fora dela, no dia a dia, que o projeto é audacioso e de coragem, pois posso estar cortando a minha própria carne. Ele surgiu da conversa de um grupo de amigos, nasceu de um ideal, dos meus ideais, eu acredito nisso, por isso já havia votado a favor do projeto de Gelmi”, explicou.
SÓ SORRISOS
Dario Pacheco era só felicidade. Com a mulher no plenário, Maria Helena, o edil, que na semana passada havia dito que tinha convites de dez partidos para que saísse como pré-candidato, declarou, esfuziante, que agora eram doze. “Porém, Carlos Sampaio bateu o martelo sobre a minha pré-candidatura na semana passada. E ainda, gentilmente, o prefeito Jaime Cruz, me ligou dizendo que está indo para outro partido, me pedindo para ficar à vontade. Foi, por enquanto, um final agradável e feliz. Digo por enquanto porque estamos vivendo uma situação de muita instabilidade política. Estamos entrando em um jogo do qual não se sabe ainda quais são as regras para jogar. Estarei sempre aqui pela paz e pela saúde”, disse, no que foi aplaudido pela plateia.
MAIS SOBRE AS HONRARIAS
Hamilton Port (PROS) mais uma vez, pela terceira sessão seguida, falou sobre o embate que ocorreu sobre a propositura de honraria para um funcionário público. “É preciso discutir o mérito da honraria e não votar apenas sim ou não. Para evitar constrangimentos é necessário analisar o interesse da Casa e não do parlamentar que fez a indicação. É preciso agir com mais maturidade”, reclamou. Ele agradeceu a votação unânime da concessão do título de Cidadão Vinhedense ao integrante da Associação Louveirense de Letras e Artes (ALLA), e o mais antigo articulista da FOLHA NOTÍCIAS, o escritor Jorge Lemos, e citou o artigo publicado por Lemos na edição passada do jornal, no qual mencionou a concessão e agradeceu ao vereador. “Eu o conheci pessoalmente apenas na semana passada, mas já havia me encantado com os seus textos publicados na FOLHA”, afirmou.
DE NOVO PARA 15?
Paulinho Palmeira elogiou o trabalho da Agmuv e da Guarda Municipal. “Vocês fortalecem ao nome da Guarda Municipal. O trabalho de prevenção é primordial e vocês têm feito esse trabalho. Parabéns. Sempre digo que problemas todos os municípios têm, e temos que estar atentos, mas bons trabalhos precisam ser reconhecidos”, afirmou. Sobre a emenda apresentada ao projeto de corte de cadeiras na Câmara, Paulinho questionou: “Podemos sim ser exemplo para outros municípios. Estamos em um momento delicado. Muitos dizem que a Prefeitura não faz a sua parte, mas quando ela nos cabe, muitos escolhem não fazer. Agora, diminuir de 15 para 13, ok, mas voltar às 15 cadeiras? Muito me estranha. É preciso refletir, inclusive pelos pré-candidatos aqui, que a economia que fazemos na Casa fica na Prefeitura. Peço ponderação para rever essa questão”, justificou.
TUDO OU NADA
Rodrigo Paixão parece mesmo que está sem dormir por conta da indefinição da presidente Dilma Rousseff em relação à reforma política. Pela terceira sessão seguida, ele comentou a instabilidade causada pela indefinição das regras. “Como vão se comportar as forças políticas? Se ela vetar, será uma coisa. Se ela não vetar, será outra. Torço, por exemplo, para que a questão do financiamento empresarial não passe. Porque o financiamento feito pelas empresas é uma das raízes da corrupção”, argumentou. Ele comentou ainda sobre o Projeto de Resolução 0008/2015, no expediente do dia, que constitui uma Comissão de Assuntos Relevantes para tratar de questões relativas à convocação de plebiscito municipal para a criação do Distrito da Capela, e que foi encaminhado para a Procuradoria Jurídica e para as Comissões Permanentes. “Vamos entregar às associações de bairros, aqui na Câmara e em outras lideranças, um texto explicando um pouco sobre o assunto e tirando dúvidas”, avisou.
RÁPIDO LUXO e o ‘NÃO SEI DE NADA’
Edu Gelmi, assim como outros vereadores, como Rodrigo Paixão e Valdir Barreto, abordou a audiência pública sobre o transporte coletivo em VINHEDO, realizada na semana anterior, com representantes da empresa Rápido Luxo, da Administração Pública, vereadores e cerca de 50 cidadãos. “A população continua reclamando de atrasos, carros velhos, preço alto, como na outra audiência, que já foi feita há um tempo. Novamente, promessas. É preciso acompanhar esse processo. Ir até à população e escutar ao vivo e a cores o que eles querem e pensam”, defendeu. Valdir Barreto mostrou em slides alguns resultados de alta insatisfação da população com o transporte público por meio de uma pesquisa feita com 221 entrevistados, na qual 72% consideram o transporte ruim e péssimo. “A empresa alega que não recebeu reclamações da população”, disse Barreto.
MOVIMENTAÇÃO NOS BASTIDORES
A presença do presidente do PMDB vinhedense, João Marcos, na sessão causou estranheza. Logo ele entrou no prédio da Câmara, acompanhado por Oswaldo Caim, ex-vereador e marido de Ana Genezini. Quando saiu preferiu não ‘abrir’ a que veio, mas esteve reunido com a vereadora durante a sessão. “Estou aqui buscando apoio político”, disse. O manifestante ‘Barão’ fez um protesto sobre a demora da entrega da Santa Casa, puxando uma caixa pintada de preto, com uma boneca dentro, simbolizando um enterro e um banner com os dizeres: “Sr. presidente, quando a Santa Casa voltará a atender a população? Vinhedo quer saber.”

468 ad