VINHEDO: Evasão nas escolas de ensino médio do Estado em Vinhedo é alta

VDO_Evasão escolar_cred Reprodução

Nas aulas do início do ano, as faltas são esporádicas, mas após algumas semanas, a professora vai se acostumando ao silêncio daquele aluno quando o chama para confirmar presença na aula. Então, percebe que o estudante não voltou mais à escola e risca o seu nome da lista de chamada. Infelizmente, essa cena é comum nas escolas brasileiras, em especial nas estaduais de ensino médio. Levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), em agosto deste ano, apurou que os índices de evasão no ensino médio das escolas estaduais nas cidades da região não escapam desta sina. VINHEDO registra uma evasão de 8,4%, considerada alta da Região Metropolitana de Campinas (RMC), seguida de VALINHOS, com 4% e LOUVEIRA, com 2,58%.
Outro estudo, agora realizado pelo movimento ‘Todos Pela Educação’, com base na Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad) de 2013, indica ainda que 45,7% dos jovens brasileiros não conseguem concluir o ensino médio até os 19 anos, dois anos depois de idade adequada. Ainda outro levantamento oferece um dado estarrecedor: entre 2000 e 2014, a Rede Estadual perdeu 1,8 milhão de alunos, segundo estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). A queda do número de crianças e jovens em idade escolar, a municipalização do ensino fundamental e a migração para a rede privada explicariam a mudança, de acordo com a pesquisa.
Modificar essa realidade não é tarefa fácil, uma vez que variáveis como situação social e dinâmica familiar estão envolvidas, entre outros. Um olhar mais conciso revela que a maior causa do abandono escolar, provavelmente, não é a necessidade do aluno de entrar no mercado de trabalho parta garantir a sobrevivência. Pesquisa de 2009 da Fundação Getúlio Vargas mostrou, com base nos dados da Pnad de 2006, que 40,3% dos jovens de 15 a 17 anos tinham abandonado os estudos por falta de interesse.
Escolas com falta de infraestrutura, material didático ultrapassado, professores com baixa qualificação, salários inomináveis, violência e a invasão de criminalidade e drogas no âmbito da escola estadual agravam este que é considerado um dos maiores desafios para as escolas, pais e para o sistema educacional como um todo. A cada ano, mais e mais adolescentes abandonam o ensino médio.
Para o dirigente regional de ensino do setor Leste de Campinas, Antonio Admir Schiavo, que coordena escolas de ensino médio em Campinas e nas cidades de VALINHOS, VINHEDO e Jaguariúna, o problema da evasão escolar na cidade vinhedense tem características próprias. Por um lado, a população pode e faz uso da rede particular de ensino no que diz respeito ao Ensino Médio. Por outro, uma das escolas estaduais, a Patriarca da Independência, localizada no bairro Vila Planalto, atende a uma comunidade de área de invasão, próxima ao Aeroporto Internacional de Viracopos. “Existe uma mobilidade muito grande no local. Então, faz a matrícula no início do ano e pouco tempo depois já não frequenta mais. Isso faz com que o índice fique relativamente alto”, explica o dirigente Admir Schiavo.
Na tentativa de reduzir a evasão escolar de forma geral no estado, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo implantou uma nova campanha, ‘Quem Falta Faz Falta’, pela qual os pais serão acionados quando aluno atingir 10% de falta. A nova resolução é inovadora no Brasil e prevê intervenções da direção da escola sobre cada caso. Antes, a lei, de 2008, determinava que a comunicação deveria ser feita no limite de 20% de ausências.
Também o que muda é que a resolução estabelece que caso o aviso aos responsáveis não surta efeito, outros órgãos, entre conselhos tutelares e vara da infância, poderão ser acionados. O limite de 25% de ausências permanece como definidor da reprovação dos alunos. “A presença dos estudantes em sala de aula tem impacto direto na aprendizagem e no desempenho de toda a escola. Por isso, a Secretaria e as diretorias de ensino estão empenhadas em promover a campanha para reduzir ainda mais as faltas escolares. Ao mesmo tempo, a rede adota diversos outros programas e estratégias para aproximar crianças e jovens da escola, como o uso da tecnologia e um currículo mais próximo da realidade dos alunos”, afirma o secretário da Educação, Herman Voorwald.
A nova campanha foi criada com base em experiências bem sucedidas desenvolvidas pelas escolas estaduais, que já resultaram em uma diminuição histórica de 81% das taxas de abandono na rede de São Paulo. Na década de 80, o índice era de 26,5% e atualmente está em 5% no ensino médio paulista, uma das taxas mais baixas do País.
Também como parte do “Quem Falta Faz Falta”, e com o objetivo de auxiliar as 91 Diretorias de Ensino e as 5 mil escolas estaduais, a Secretaria da Educação criou o canal: www.educacao.sp.gov.br/quemfaltafazfalta, que informa os contatos dos órgãos protetores que podem ser acionados em caso de excesso de faltas, as legislações sobre o tema, material informativo e boas práticas escolares que resultaram na prevenção ao abandono escolar.

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