VINHEDO: Mulher dinamitada sobrevive e acusa o marido

Sandra, tenta se recuperar das sequelas da violência, e pode perder uma das pernas
O caso da mulher que supostamente tentou suicídio, explodindo um botijão de gás no Bairro de Nova VINHEDO, em outubro do ano passado, sofreu uma reviravolta e o Ministério Público deve abrir investigação diante de novas evidências que podem levar à tentativa de assassinato com o uso de gasolina e até dinamite. A vítima da violência, Sandra Roldy, que ainda luta para sobreviver, e segundo a mesma, só escapou por milagre de Deus, todo o seu sofrimento e de seus filhos começou ao descobrir a suposta prática de pedofilia por parte do seu ex-marido, a quem acusa de espancamento, assédio moral, e de tentar contra a sua vida por várias vezes.
Em entrevista exclusiva para a reportagem da FOLHA NOTÍCIAS Sandra Roldy afirmou que a tentativa de seu assassinato teve origem ao descobrir supostos vídeos de pornografia infantil no computador do ex-companheiro. Chocada com a descoberta, Sandra ligou para a Polícia e teve o cuidado de trancar o acusado em um dos cômodos da casa, e se armou com uma faca para se proteger caso ele escapasse, depois de uma discussão sobre o conteúdo no computador. Com a chegada da Polícia, Sandra foi conduzida até a Delegacia onde tentou registrar o Boletim de Ocorrência (BO), mas, segundo ela, foi dissuadida pelo policial que lhe atendeu, alegando que poderia ser acusada de tentativa de assassinato, por ter sido encontrada portando uma faca, e por cárcere privado, já que trancou o ex-companheiro no quarto.

Sandra, antes da explosão
MASSACRE NA BALADA
“Percebi que se eu insistisse no BO a coisa ia pesar pro meu lado e fui embora. As próprias autoridades argumentaram que “todo mundo assiste um vídeo pornô”, e mesmo afirmando que se tratava de pornografia infantil, que pedofilia é crime, fui levada a desistir do BO, pois eles acharam que era mais uma briga comum de casal. Algum tempo depois recebi o convite do ex-marido para uma balada em uma casa noturna situada em cidade vizinha. Chegando no local, de repente fui agredida por três brutamontes que na frente de todos gritavam que iam me matar de pancada porque eu era uma ‘baranga’, inclusive o dono da casa também me agrediu barbaramente, e todo esse massacre foi assistido pelo meu ex-marido que sorria o tempo todo. Até que alguém deve ter ligado para o resgate que apareceu, e tanto a enfermeira como o resgatista me defenderam e obrigaram que os meganhas parassem de me bater, sendo então levada para uma UPA, e logo depois, diante da gravidade dos ferimentos, fui transferida para um hospital onde permaneci na UTI por alguns dias”, recorda Sandra Roldy.
DINAMITE E GASOLINA
Bastante emocionada ao relatar fatos tão terríveis e covardes de quatro homens contra uma mulher indefesa, Sandra recupera o fôlego para contar a pior parte: de como foi supostamente dinamitada e queimada com gasolina pelo ex-marido na tentativa de matá-la. “Encontrei com o ex-marido por acaso na rua, (acho que el já me perseguia) então fui agredida e perdi os sentidos. Fiquei imobilizada não sei por qual razão. Talvez foi algo que ele colocou em mim. Quando acordei estava sob os escombros da casa que foi explodida com dinamite, e com o corpo todo pegando fogo. O cheiro de gasolina que el jogou em meu corpo era muito forte, e alguém fez uma mangueira chegar até a mim e assim pude apagar o fogo do meu braço direito, do cabelo, e do rosto. Só então pude perceber que a minha perna esquerda estava esmagada pelos escombros. Fui então socorrida pelos Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da Polícia Militar para a Santa Casa de Limeira que possui uma unidade especializada no atendimento de vítimas de queimaduras, onde fiquei hospitalizada por dois meses”, lembra Sandra.
MENTIRAS E HUMILHAÇÃO
“Já fiz várias cirurgias, mas ainda tenho 15 cirurgias para fazer, a próxima está marcada para o dia seis de maio, e deve durar doze horas. O médico que me atende disse que a cirurgia é muito arriscada e que ainda posso perder a perna. Acontece que foi divulgado pela mídia local e regional que tudo não passou de uma tentativa de suicídio de minha parte, que eu explodi um botijão de gás, que eu tinha até falecido, mas logo depois disseram que eu sobrevivi em estado muito grave, uma série de mentiras ditas pelo ex-marido na tentativa de encobrir a verdade desse caso de extrema crueldade e maldade. O que também é praticado por parte de algumas autoridades que me trataram muito mal, me humilhando e ridicularizando, como ainda fazem, transformando a mulher que é vítima de violência em algoz de si mesma, e o culpado fica rindo, livre, mesmo com a Lei Maria da Penha, a exemplo do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro. Mas a violência contra a mulher acontece em todo lugar, inclusive essa prática é observada em muitas mulheres investidas de autoridade que deveriam proteger e respeitar a dor e a humilhação das mulheres violentadas, seja por qual motivo for”, observa Sandra Roldy.
SEM VESTÍGIOS DE BOTIJÃO DE GÁS
“Só que o mais grave de tudo é que nenhum vestígio de botijão de gás foi encontrado no local, mas um laudo (foto) que comprova a existência de uma banana de dinamite entre os escombros ficou perdido por seis meses. Só agora estranhamente foi encontrado, o que fez o promotor Rogério Sanches, a quem sou extremamente agradecida por todo o seu respeito, carinho e atenção para comigo, me garantir que o processo terá seguimento e as investigações serão efetivadas e concluídas até a elucidação desse caso. Até duas testemunhas apareceram, mas estão sob proteção da Justiça, porque confirmam a presença do ex-marido no local da explosão da dinamite, quando na Delegacia foi informado que o mesmo estava fora da cidade. Segundo as testemunhas ele saiu do local em uma viatura policial”, revela.

Laudo mostra que uma das dinamites não explodiu
SOB PROTEÇÃO DA JUSTIÇA
Segundo a equipe de reportagem da FOLHA apurou, os filhos da Sandra estão também protegidos pela Justiça em local mantido em sigilo, e ela mesma está sob constante proteção policial, e espera que a verdade seja revelada e que o seu exemplo sirva para tantas mulheres que são violentadas e ridicularizadas pelas autoridades que deveriam dar total proteção às vítimas da violência doméstica. “Preciso deixar público a minha versão deste fato. A explosão foi provocada com dinamite, e tem as imagens da perícia para provar. Olhe que ponto chegamos. Como se tem acesso à dinamite? Fui humilhada, com várias histórias mentirosas, sem que pudesse me defender durante todo este tempo, pois estava imobilizada no hospital. Só quero Justiça e paz, com o culpado na cadeia”, desabafou.

















