VINHEDO: Pacto de silêncio resulta em ‘sessão ultrarrápida’

A8_Camara VDO_Crédito Carol Martins (9)

Pelo número de dispensas de leitura na pauta do dia e de vereadores (nove) que deixaram de se manifestar no tempo de explicação a que tinham direito, dá até para se imaginar que foi feito um ‘pacto de silêncio’ na 112ª Sessão Ordinária da 16ª Legislatura, na última segunda-feira, 14, em VINHEDO. Ao que parece, as indefinições relacionadas à reforma eleitoral deixaram todos os parlamentares preocupados e atentos ao mínimo lance de seus pares no troca-troca de legendas no ‘jogo’ das eleições de 2016. Isso, justamente no dia em que a Casa estava um pouco mais cheia, já que desde a volta do recesso o plenário vinha apresentando um recorrente esvaziamento de público. Para quebrar o marasmo, só mesmo um bate-boca, o segundo mal-estar em menos de uma semana, entre Hamilton Port e Rubens Nunes, com troca de acusações e tom de ‘pouquíssimo amigos’.
MISTÉRIO…
A sessão contou na plateia com a presença do presidente da Câmara Municipal de LOUVEIRA, Nilson Cruz, que, segundo ‘zum-zum-zum’ nos bastidores, foi conversar com a pré-candidata à prefeita e vereadora, Marta Leão, sobre como ela pretende proceder para sair de seu partido sem ser enquadrada pela Lei de Fidelidade Partidária. Porém, a parlamentar comentou que ainda não saiu do PSD, pois, assim como outros políticos, espera a definição da ‘janela partidária’, que libera os políticos com cargo eletivo a trocarem de legenda. Pelo visto, Nilson ‘estuda’ uma troca de partido. A motivação ainda é um mistério…
ESPADA PENDENTE
Ao que parece, a indefinição da reforma eleitoral é a ‘espada’ que pende por sobre a cabeça da maioria dos políticos neste momento. O vereador Rodrigo Paixão, um dos cinco parlamentares que se dispuseram a falar na sessão, tocou no assunto, frisando que os debates sobre o tema entre os pares têm sido frequentes. “O vereador, presidente Nilson, vai poder estar há doze ou há seis meses filiados ao partido político? Vai haver ‘janela partidária’ ou não? Como ficará a questão do financiamento de campanha no Brasil? Estamos a duas semanas do prazo de filiação e os municípios estão em um estado de total insegurança. Além da completa instabilidade para quem quer se definir para as próximas eleições, ainda há essa crise econômica aguda”, afirmou o vereador.
Da Resenha do dia, composta por dois ofícios do expediente apresentado pelo Executivo, 69 projetos legislativos de concessão de títulos, diplomas e medalhas, que foram encaminhadas para as Comissões Permanentes; um projeto de resolução, um requerimentos, quatro moções; 11 indicações, foram lidos apenas os dois ofícios do prefeito, o projeto de resolução, o requerimento e as moções, o restante teve leitura dispensada. Na Ordem do Dia, os nove projetos de decreto legislativos foram lidos e votados em bloco, situação rara na Câmara.
POMO DA DISCÓRDIA
Foi justamente um projeto de decreto legislativo concedendo um diploma de mérito a um servidor público o ‘pomo da discórdia’ entre os vereadores Port e Nunes.
Nunes pediu a palavra durante o encaminhamento do projeto. “É prerrogativa desta Casa reconhecer o mérito das pessoas, o destaque, dar uma honraria pela sua dedicação ou prestação de serviço. Quero deixar aqui minha posição de repúdio à comissão que avaliou esse projeto de minha autoria. O presidente dessa comissão, Hamilton Port, engavetou meu projeto e outros passaram na frente primeiro. Espero que isso não seja uma perseguição pessoal ou ao funcionário a quem eu prestei essa homenagem. Não diria que foi falta de capacidade, mas falta de respeito do parlamentar liberar o projeto aos 48 minutos do segundo o tempo. Vem à tribuna fala uma coisa e pratica outra. O Hamilton Port, infelizmente, pensa que esta Casa é da época de quando ele estava no quartel. Na semana passada ficou indignado porque eu estava conversando com a vereadora Ana. É lamentável essa postura”, bradou Nunes.
‘VACA DE PRESÉRPIO’
Port, para rebater a colocação, afirmou que o parecer foi expedido dentro do prazo legal e que já havia procurado o vereador para que ele retirasse essa propositura, pois, segundo o vereador, o servidor “não se dá bem nem com os seus pares e criou problemas com vários parlamentares. Passa a maior parte de seu tempo digitando, passando e-mails, ‘internetando’, ofendendo vereadores e expondo uma posição política critica durante o trabalho. Votarei contra e outros vereadores também. Precisamos valorizar o título que concedemos, O funcionário é indisciplinado e não merece. O senhor quer que eu seja uma ‘vaca de presépio’ e assine tudo, vereador?” indagou.
Na fase de explicação, Port se excedeu e garantiu que é independente, não tem pretensão política, não gosta do que faz na Casa, acha a Câmara uma ‘Casa vazia’, cujo custo benefício é caro demais para o que se produz. “Não somos ouvidos pelo Executivo. Precisamos nos valorizar. Nós não somos ‘moleques de recado’. Qual o peso desta Casa? Precisamos de menos bajuladores”, afirmou Port. Nunes deixou o plenário assim que Hamilton começou a falar e somente voltou na sua vez de ir ao púlpito, momento em que Port, então, também saiu do plenário, retornando quando percebeu que o assunto do colega não seria mais ele.
Como representante da população, falou no púlpito a presidente do Instituto Grava – Grupo de Apoio a Vida e ao Ambiente, Elizabete Argozino Duarte, convidando os presentes para o primeiro ‘1º Encontro dos Amigos do Bem’, que será realizado nos dias 19 e 20 de deste mês, das 10h às 21h, no Parque Municipal Jayme Ferragut, para a discussão de temas sociais importantes.
O vereador Nil Ramos esteve ausente da sessão por motivos de saúde, mas ainda ontem já havia retornado às suas funções legislativas, plenamente recuperado.

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