VINHEDO: Toninho Falsarella põe a oposição para correr durante Audiência Pública

Foi ‘show de bola’ a atuação do secretário Municipal de Transportes e Defesa Social Antonio Falsarella (o Toninho) durante a Audiência Pública realizada na quinta-feira, 5, às 14h, na Câmara Municipal de VINHEDO para debater a situação do transporte coletivo na cidade. Presidindo os trabalhos, o vereador Márcio Melle, sendo secretariado pelo vereador Rubens Nunes (PR). Compondo a mesa, além do secretário, o seu diretor de Transportes, Douglas Genezini.
CRÍTICAS AO HORÁRIO
A audiência foi marcada após requerimentos dos vereadores de oposição, Rodrigo Paixão (Rede), Valdir Barreto (PSOL), Dario Pacheco (PSDB), Edu Gelmi (PMDB), Hamilton Port (PROS), Júnior Choca (SD) e Marta Leão (PSB), em virtude da realização de duas audiências sobre transporte coletivo e que não tiveram a presença do secretário Falsarella. Acontece que dos vereadores de oposição signatários do requerimento, apenas alguns compareceram à audiência e enviaram ofícios justificando as ausências. O mesmo fizeram os vereadores da situação contrários à audiência, porque entendem que bastaria uma reunião de caráter técnico com o secretário e sua equipe.
VEXAME
Mas o vexame da oposição, que como sempre só faz apontar os erros alheios, sem nunca perceber as próprias irregularidades, ainda estava por vir. Como o secretário Falsarella respondia de forma gentil e precisa a todos os questionamentos, os vereadores presentes, Bacural, Edu Gelmi, Hamilton Port, Rodrigo Paixão e Valdir Barreto, parece que se sentiram incomodados com o desempenho do secretário, e, para engrossar a ausência de vários outros opositores, foram saindo devagarzinho, deixando só Hamiltom Port e Bacural para debater com o secretário Falsarella. Uma vergonha. Tiraram o secretário de seus afazeres servindo à cidade, e depois não comparecem para o debate. Pobre oposição, aparentemente desarticulada, sem saber o que fazer e para onde ir. E ainda pensam em governar a cidade. Desse jeito atabalhoado, só criticando, criticando, sem diálogo, sem debate, sem conteúdo, sem fundamento? Já perto do final da audiência compareceram a vereadora oposicionista Marta Leão (PSB) e o vereador da situação, Nil Ramos (PROS).
O DEBATE
O primeiro vereador a falar foi Hamiltom Port, que se derramou de elogios ao secretário Falsarellha. “Sempre fui atendido pelo secretário em todos os meus pleitos e reivindicações. Nem tudo o que se pede pode ser cumprido pelo secretário. Esse é o momento de se mostrar a razão dos pleitos inviabilizados. Agora é momento de darmos as mãos em busca dos interesses do município”, disse Port.
Logo após foi a vez de Valdir Barreto explicar a razão de o secretário ter sido convocado, por causa de sua ausência em duas outras audiências sobre o tema do transporte coletivo em VINHEDO. O oposicionista lembrou do problema da fiscalização da qualidade do transporte coletivo. E sobre o bilhete único, o vereador socialista disse que “está virando uma lenda na cidade”.
Já Edu Gelmi comentou que de um ano para outro nada mudou, “são os mesmos atrasos frequentes, a má conservação dos ônibus, o preço alto e a falta do bilhete único. Em VALINHOS tem bilhete único e sem subsídios”, supõe. Sempre radical e raso, Rodrigo Paixão afirmou que não tinha dúvida alguma que o transporte coletivo é a maior reclamação dos moradores, e muito se deve a uma opção de governo. “Estamos no quarto mandato de um grupo político que está no poder e que fez uma opção por um modelo de cidade que privilegiou a construção de condomínios, a valorização de veículos individuais e secularizou a mobilidade urbana de uma cidade que cresceu muito com a proliferação dos condomínios. E o transporte coletivo acabou não acompanhando essa realidade. Gostaria de saber qual é o plano do município de garantir a mobilidade da população? Porque hoje o transporte coletivo é um direito social”, questionou Rodrigo.
BILHETE ÚNICO
O secretário Falsarella então usou da palavra pela primeira vez para debater com os poucos vereadores que se mostraram realmente interessados na questão do transporte coletivo em VINHEDO. “O bilhete único é um anseio nosso, do governo, dos moradores, dos vereadores, mas passa por uma questão econômica, de subsídio. Mas ao contrário do que o vereador Edu afirmou, VALINHOS não tem bilhete único. Em determinadas linhas tem integração, o que já existe em VINHEDO. A situação de VALINHOS é muito ruim, tanto que está nas manchetes dos jornais. Campinas também. Nestas cidades existe uma situação bem diferente da nossa. Quanto à fiscalização, ela acontece a todo momento que recebemos alguma queixa ou reclamação. Estamos atentos a todos problemas do setor e atuamos ininterruptamente para corrigir os erros, seja através de ofícios, de multas, de advertências e medidas similares”, garantiu.
MOBILIDADE URBANA
“Quanto ao transporte como um direito, essa é uma realidade recente, tem cerca de quarenta dias, vamos ter calma, aguardar um pouco o ‘andar da carruagem’. Quanto à mobilidade urbana, nós temos certa dificuldade em desenvolver projetos nessa área. Estamos firmando convênio com Universidade São Francisco, de Bragança, para que os alunos possam nos ajudar na concepção do Plano Municipal de Mobilidade Urbana no que existe de mais moderno no mundo. No tocante às queixas com relação ao transporte coletivo, quero alertar que no mundo só em raríssimas exceções esse tipo de transporte é elogiado”, explicou Falsarella.
“Cidades menores como VINHEDO tem muita dificuldade no setor do transporte coletivo porque sua população tem, em média, alto poder aquisitivo, e a compra de automóveis e motos hoje em dia é muito facilitada, ficando o transporte individual privilegiado em detrimento do transporte coletivo. E soluções como corredor de ônibus sobrecarregam a malha viária da cidade. A própria economia do país depende da indústria automobilística e seus agredados. Agora é que andam falando em incrementar o trem de passageiros”, avalia Toninho Falsarella.
Sobre uma questão levantada sobre a demora do motorista na hora do almoço, Falsarella explicou que geralmente ocorre em horários em que há uma demanda muito baixa de passageiros, e que se for colocar um motorista para cobrir a hora do almoço, isso vai incidir no preço da passagem. O que existe, são intervalos maiores, mas os problemas nos horários de pico acontecem em todo o mundo”, pondera.
ADOTE UM PONTO DE ÔNIBUS
Falsarella adiantou que está sendo implantado o programa ‘Adote um ponto de ônibus’. “Queremos que as empresas de VINHEDO façam parte desse programa e passem a adotar um ponto de ônibus na cidade”. Ele também abordou a questão da renovação da frota afirmando que as empresas não podem colocar em circulação ônibus com mais de dez anos de uso, e que de agora em diante todos os ônibus fabricados no país terão elevador de acesso aos cadeirantes. Mas as empresas dispõem de um prazo para fazer essa mudança porque nenhuma vai poder comprar todos os ônibus com acessibilidade de uma vez. “Quanto a esse aspecto, nossa situação é muito boa, dos quatorze ônibus que circulam em VINHEDO, sete são dotados de acessibilidade”, revela.
NADA DE NOVO
Em rápida entrevista concedida no final da audiência à reportagem da FOLHA NOTÍCIAS, Toninho Falsarella avaliou o evento afirmando que “não houve nenhum fato novo, mas foi importante para transmitir aos vereadores o que a Secretaria tem realizado. Infelizmente, nem todos os vereadores puderam estar presentes. Nosso desafio maior é ter menos problemas, errar o menos possível. Mas só erra quem faz alguma coisa”, entende o secretário.
“O transporte coletivo no município de VINHEDO é muito difícil por causa de uma população com alto poder aquisitivo e por ser uma cidade pequena. É difícil tirar o cidadão do conforto do transporte individual para o transporte coletivo. Nas cidades maiores como São Paulo, por exemplo, as distâncias são enormes e de carro demora muito, três horas ou mais para se deslocar, então compensa andar de transporte coletivo. Nas cidades como VINHEDO o deslocamento é rápido, melhor ir de carro ou de moto. Com um tanque a pessoa anda de moto a semana inteira. Mas o problema principal é a mobilidade urbana e não o transporte coletivo que depende de muito dinheiro”, constata Falsarella.
















