VINHEDO: Violência contra a mulher é tema de debate em Fórum Municipal
Durante o ‘III Fórum Municipal dos Direitos da Mulher’ promovido pela Prefeitura Municipal de VINHEDO, através da Secretaria de Assistência Social, e o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, realizado na quinta-feira, no auditório da própria Secretaria, a palestrante, Lea Amabile Telles, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Americana e Especialista em Política do Cuidado – ONU Mulheres desenvolveu o tema “Impedimentos internos e externos para o acesso ao sistema de garantia de direitos”, com a presença da vice prefeita Neia Vendemiatti, do secretário de Promoção Social Junior Choca, da vereadora Flávia Bittar, e da população.
NA BASE DA PANCADA
Em sua fala, Lea Amabile abordou diversos aspectos da violência contra a mulher, a qual é cometida na maioria das vezes dentro de casa por parte de pais, parentes, cônjuges, vizinhos, amigos, para quem violentar, agredir, reprimir, assediar a mulher faz parte do ambiente ‘natural’, da cultura, é legal, e é praticado por quase todos os homens, portanto pode ser realizado livre e impunemente porque para grande parte da sociedade masculina, e mesmo feminina, mulher deve ser tratada ‘na base da pancada mesmo’.
Por essa razão, mesmo com o advento da Lei Maria da Penha, do feminicídio, do surgimento das Delegacias da Mulher, a violência não se intimida porque se encontra enraizada inclusive nos agentes públicos que deveriam combatê-la ou, no mínimo, ouvir atentamente as queixas das raras e corajosas mulheres que procuram essas delegacias.
CO-RESPONSABILIDADE
Conversando com a reportagem da FOLHA NOTÍCIAS, Lea Amabile confirmou que os homens são os principais agentes da violência, embora muitas mulheres também pratiquem a violência contra as próprias mulheres. Questionada sobre no fato de as crianças serem criadas pelos pais com os quais aprendem e reproduzem o violência, Lea entende que hoje em dia os filhos passam muito pouco tempo com os pais, passando o maior período na escola, e que por isso a co-responsabilidade no combate a violência é de todos, sejam os pais, as escolas, as instituições, a união, o estado e o município utilizando as suas ferramentas no combate à violência em todas as faixas etárias. “Embora os homens sejam os maiores agressores, precisamos mudar isso no processo de educação em todas as faixas etárias. A gente caminha nessa educação para a violência, ocupar o espaço pela perspectiva do poder. A prática do repita e obedeça nas escolas não funciona, esse modelo é equivocado, não está atendendo as nossas demandas, se isso não funciona precisa mudar, ou muda ou muda, e para isso a sociedade precisa se organizar”, acredita.


















